Foto: divulgação/Rayssa Gonçalves

O avanço do enoturismo no Rio de Janeiro reflete uma mudança no comportamento do turista, cada vez mais interessado em experiências autênticas e conexões com o território. A avaliação é do empresário João Renato Toledo, proprietário da Pousada e Adega Lapa do Lobo, em Conservatória, que vê no segmento uma oportunidade de reposicionar o estado para além do tradicional turismo de sol e praia.

Segundo ele, o turismo vive uma transição importante. “As pessoas estão deixando de querer apenas um quarto para se hospedar ou um produto para consumir. Elas querem viver o lugar, ter pertencimento”, afirmou. Nesse contexto, o enoturismo se destaca por oferecer mais do que a degustação de vinhos, integrando cultura, história e hospitalidade. “Não estamos falando apenas do vinho para beber, mas da experiência que a pessoa vai ter”, completou.

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Para que o segmento avance e deixe de ser um nicho, o empresário aponta a necessidade de estruturar melhor a oferta existente. Atualmente, o estado já conta com dezenas de produtores, mas ainda há um desafio na organização desse potencial. “Primeiro a gente precisa ter oferta, e isso já existe. Agora é preciso amarrar tudo isso em um roteiro, criar uma narrativa que conecte essas experiências”, explicou.

Na avaliação de Toledo, o sucesso do enoturismo depende principalmente da forma como essas experiências são construídas e comunicadas ao público. “A gente pode tomar vinho em qualquer lugar, mas o que faz a diferença é viver aquela história, conhecer o processo, sentir o ambiente”, disse. Ele destaca ainda que esse tipo de vivência transforma o visitante em um divulgador espontâneo do destino. “O maior marketing hoje é o boca a boca. A pessoa vive uma experiência marcante e passa isso adiante”, afirmou.

Sobre o potencial do estado, o empresário destaca regiões já reconhecidas por outros produtos de qualidade, como o Vale do Café, na região Sul Fluminense. Para ele, a combinação entre vinhos, queijos, cafés especiais e patrimônio histórico fortalece a criação de roteiros integrados. “A gente já tem produtos premiados e uma base muito rica. Isso facilita o desenvolvimento do enoturismo”, avaliou.

Toledo acredita que o crescimento do setor é inevitável no Brasil, impulsionado tanto pela expansão da produção quanto pelo aumento do consumo. “O enoturismo vai se tornar um dos pilares do turismo. O Brasil hoje é um grande laboratório do vinho, com muito espaço para crescer”, afirmou. Ele ressalta que, apesar do consumo ainda ser baixo em comparação a outros países, o cenário é favorável para expansão. “A gente tem muito espaço para aumentar o consumo e a produção. Agora é organizar esse potencial”, concluiu.