Foto: divulgação/Rayssa Gonçalves

O crescimento do enoturismo no estado do Rio de Janeiro foi tema de debate na ExpoRio Turismo 2026, durante o painel “Vinho, Território e Experiência”, mediado por Sávio Neves, presidente do Trem do Corcovado. Reunindo produtores e empreendedores do setor, a discussão evidenciou o potencial da atividade como vetor de desenvolvimento econômico, turístico e social no interior fluminense.

Logo na abertura, Neves destacou o caráter ainda recente do segmento no estado, comparando com regiões já consolidadas no país. “É muito recente essa descoberta do vinho como atrativo e como polo de expansão do turismo para o interior do Rio de Janeiro. Sempre foi mais forte no Sul e no Vale do São Francisco”, afirmou. Segundo ele, a consolidação do setor no estado representa uma oportunidade estratégica de diversificação da oferta turística.

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Entre os participantes, o empresário Marcus Vinicius Rezende, da Fazenda Bemposta, chamou atenção para o potencial da Serra Fluminense ao destacar a localização privilegiada da região. Segundo ele, a proximidade com grandes centros urbanos permite alcançar um público expressivo. “A gente consegue atingir cerca de 62 milhões de pessoas em um raio acessível de carro. É um potencial muito maior do que regiões tradicionais do enoturismo no Brasil”, explicou.

Rezende também ressaltou o papel do setor na valorização do patrimônio histórico e na geração de renda. “O turismo é uma fábrica sem chaminé. Ele movimenta a economia e atrai um público disposto a investir na experiência”, disse, ao apresentar o processo de revitalização da fazenda, que hoje já recebe visitantes e eventos.

A importância da organização coletiva e do fortalecimento institucional foi destacada por Ideraldo Machado, presidente da Associação dos Vinicultores da Serra do Rio (AVIVA RJ). Ele lembrou que o movimento vem ganhando escala rapidamente. “Nós começamos com poucos projetos e hoje já temos cerca de 46 em andamento. Isso mostra a força desse crescimento”, afirmou.

Para Machado, o enoturismo vai além da produção de vinho e impacta diretamente a economia local. “É um projeto econômico, mas também social. Ele gera emprego, incentiva pequenos produtores e transforma a realidade das comunidades ao redor”, destacou. Segundo ele, a atividade também fortalece cadeias produtivas, como a de queijos, mel e outros produtos regionais.

Já o empresário João Renato Toledo, da Pousada (@pousadalapadolobo) e Adega Lapa do Lobo (@adegalapadolobo), em Conservatória, enfatizou a mudança no comportamento do turista. “Hoje as pessoas estão saindo do turismo contemplativo e buscando experiências. Elas querem pertencimento, querem viver a história por trás do produto”, afirmou.

Ele explicou que o enoturismo permite integrar diferentes elementos culturais e históricos em uma mesma proposta. “Quando você junta vinho, gastronomia, cultura e território, você cria um roteiro completo. Não é só provar o vinho, é viver a experiência”, disse.

O avanço do setor também tem sido impulsionado por novos investimentos e projetos estruturados, como destacou Marcelo Maturano, responsável por uma das vinícolas mais recentes da região serrana. Segundo ele, o turismo é um dos pilares do empreendimento. “A vinícola recebeu, em poucos meses, cerca de dois mil visitantes por mês, e a expectativa é crescer ainda mais”, afirmou.

Maturano ressaltou ainda a importância da identidade local na produção. “A gente quer expressar o nosso terroir, mostrar que o Brasil tem capacidade de produzir vinhos de alta qualidade”, disse. Ele também destacou o impacto positivo das políticas públicas no setor. “Uma decisão do poder público pode transformar toda uma região. Hoje o Rio tem condições muito competitivas para a produção de vinho”, avaliou.

Ao longo do painel, os participantes convergiram na avaliação de que o enoturismo tem potencial para se consolidar como um dos principais segmentos do turismo fluminense. A combinação entre localização estratégica, diversidade cultural e crescimento da demanda por experiências coloca o estado em posição favorável para disputar espaço com destinos já consolidados no país e no exterior.