Viajar continua sendo um sonho distante para boa parte da população brasileira, principalmente os de baixa renda. Dados do módulo de Turismo da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE, revelam que em 2024 cerca de 62,8 milhões de domicílios não registraram nenhuma viagem. Entre eles, 24,6 milhões (39,2%) apontaram a falta de dinheiro como o principal impeditivo.
Apesar da melhora no rendimento médio dos brasileiros, a pesquisa mostra que o turismo ainda é concentrado nas faixas de maior renda. Enquanto quase metade dos domicílios (45,7%) com rendimento per capita acima de 4 salários mínimos teve ao menos um morador viajando em 2024, apenas 10,4% dos lares com menos de meio salário mínimo registraram deslocamentos para lazer, trabalho ou outros motivos.
Tempo, saúde e prioridades também pesam
Além da falta de recursos, outros fatores limitaram a possibilidade de viajar. Em 12 milhões de domicílios (19,1%), a justificativa foi a falta de tempo, índice mais alto justamente entre famílias com maior renda. Já questões de saúde ou outras prioridades foram mencionadas em 7,1 milhões de domicílios (11,3%).
“Apesar da redução das desigualdades de renda, o turismo permanece bastante concentrado entre os grupos com maior poder aquisitivo. Entre os domicílios mais pobres, viajar ainda está fora da realidade, e mesmo entre os mais ricos, o tempo aparece como barreira importante”, explica William Kratochwill, analista da pesquisa.
Desigualdade geográfica
O estudo também revela que a origem e destino das viagens continuam concentrados no Sudeste, região que sozinha respondeu por 43,9% das saídas e 41,2% dos destinos escolhidos em 2024. Já o Nordeste, apesar de registrar os maiores gastos médios por viagem (R$ 2.523), ainda aparece como origem de apenas 23,8% das viagens.















