Em um mundo cada vez mais acelerado, onde a rotina e a busca incessante por produtividade dominam os dias, surge o conceito do slow travel – ou, em tradução livre, “viagem lenta”. Essa tendência crescente no turismo mundial propõe um novo olhar sobre as viagens: em vez de correr de uma atração turística a outra, a proposta é desacelerar, conectar-se com a cultura local de forma mais profunda e dedicar tempo a um único destino. O objetivo não é apenas visitar, mas viver o lugar, entender sua história, apreciar seus detalhes e absorver suas experiências sem pressa ou agendas apertadas.

Além disso, o slow travel permite uma imersão mais genuína na cultura e nos costumes de um destino, proporcionando atividades que vão além do simples lazer, e trazem aprendizados e reflexões durante a jornada.

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Beatriz Oliveira, fundadora e CEO da Pervoy Turismo, uma agência especializada em viagens personalizadas, enxerga o slow travel como uma resposta positiva aos desafios impostos pelo turismo de massa. Em cidades como Barcelona, Veneza e Paris, onde o elevado número de turistas tem gerado desconforto tanto entre os moradores quanto entre os próprios viajantes, o movimento do slow travel oferece uma alternativa que respeita a tranquilidade dos locais e promove uma experiência mais rica para quem viaja.

“Vejo a tendência slow travel como uma forma da pessoa realmente poder recarregar as suas energias numa viagem, sem ter que frequentar lugares lotados, com longas filas para tudo. A pessoa fica ainda mais cansada e estressada e esse não é o objetivo de uma viagem de lazer”, afirma Beatriz.

Essa prática envolve, frequentemente, a escolha de destinos mais tranquilos e intimistas, com forte conexão com a natureza e menos aglomeração de turistas. Para quem deseja adotar essa filosofia de viagem em 2025, Beatriz compartilha algumas sugestões.

“No Japão, por exemplo, existem os ryokans, que são hospedarias tradicionais usadas por viajantes e samurais no século 17. Da decoração ao que é servido como refeição, tudo ali remete ao estilo de vida de séculos atrás. O turista se vê num ambiente quase mágico”, diz.

Outra sugestão fora do comum é substituir o tradicional safári africano por uma experiência de velejo nas águas da África do Sul, com a possibilidade de observar a vida marinha, como as baleias e seus filhotes. Essa atividade proporciona uma conexão íntima e respeitosa com a natureza, além de ser um espetáculo natural inesquecível.

Mesmo destinos icônicos, como as pirâmides do Egito, podem ser redescobertos sob a ótica do slow travel. Beatriz já guiou visitantes de matemáticos a arquitetos para observarem as pirâmides de uma maneira contemplativa, apreciando a grandiosidade das construções. Também acompanhou visitas noturnas realizadas com astrólogos e grupos de meditação, proporcionando uma vivência mais espiritual e introspectiva do local.

O slow travel está se consolidando como uma alternativa ao turismo tradicional, atraindo viajantes em busca de experiências mais significativas, longe da pressa e das rotinas impessoais. Para 2025, espera-se que a tendência cresça ainda mais, com turistas cada vez mais inclinados a buscar destinos que ofereçam paz, reflexão e aprendizado, ao invés de simplesmente marcar pontos turísticos.