Foto: reprodução

O feriado de 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, que em 2026 cai numa sexta-feira e forma um fim de semana prolongado, oferece uma oportunidade de conhecer destinos brasileiros a partir da história e da cultura afro-brasileira. A data é feriado nacional desde 2024, após lei sancionada em 2023. A ocasião homenageia Zumbi dos Palmares e convida à reflexão sobre a resistência negra, a escravidão e a luta contra o racismo.

O afroturismo reúne experiências que evidenciam a contribuição da população negra para a formação do país e ampliam as possibilidades de explorar o patrimônio cultural nacional. Cidades como Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife concentram grande parte da oferta, com circuitos que incluem quilombos urbanos, terreiros de candomblé, museus e centros culturais.

Publicidade

O segmento ganhou reconhecimento oficial neste ano. Em abril, o Ministério do Turismo lançou o Guia do Afroturismo no Brasil, que mapeia experiências e serviços liderados por pessoas negras. O guia reúne 43 iniciativas selecionadas por critérios como presença no Mapa do Turismo Brasileiro, atuação de empreendedores afro e regularidade no Cadastur. O material mostra que o afroturismo é também uma ferramenta de geração de renda, e não apenas um nicho cultural.

Para o feriado de 20 de novembro, a escolha do destino pode considerar roteiros históricos, visitas mediadas por profissionais locais e experiências conduzidas por integrantes das comunidades. Para quem deseja aproveitar a data, o Portal Turisnews selecionou destinos para conhecer durante o feriado, com experiências ligadas ao afroturismo:

Rio de Janeiro (RJ): Cais do Valongo

Localizado na região portuária do Rio de Janeiro, o Cais do Valongo foi construído em 1811 e utilizado para o desembarque de africanos escravizados trazidos ao Brasil. O local é um dos principais marcos da memória da escravidão no país.

Em 2017, o sítio arqueológico foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em razão de sua importância para a compreensão da história do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas e da presença africana nas Américas.

O Cais do Valongo integra a região conhecida como Pequena África, na zona portuária carioca, onde diferentes lugares preservam referências à história e à cultura afro-brasileira. A visita permite conhecer um espaço fundamental para compreender a escravidão e seus impactos na formação da sociedade brasileira.

União dos Palmares (AL): Serra da Barriga

Em União dos Palmares, no interior de Alagoas, a Serra da Barriga é um território histórico associado ao Quilombo dos Palmares, uma das experiências mais conhecidas de resistência à escravidão no Brasil colonial.

Palmares reuniu pessoas negras que resistiam à escravidão e desenvolveram formas próprias de organização social. Entre suas lideranças históricas está Zumbi dos Palmares, cuja morte, em 20 de novembro de 1695, está na origem da escolha da data para o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Na serra está o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, espaço dedicado à memória do quilombo e à valorização da história e da cultura afro-brasileira. O destino permite conhecer um território diretamente relacionado à resistência negra e à luta pela liberdade no Brasil.

Pará: território quilombola Laranjituba e África

No Pará, o território quilombola Laranjituba e África, situado entre os municípios de Moju e Abaetetuba, é uma referência para quem deseja conhecer o afroturismo a partir das histórias e dos modos de vida de comunidades quilombolas.

O turismo de base comunitária permite aproximar os visitantes das tradições, dos conhecimentos e das práticas culturais dos moradores, com a participação da própria comunidade na organização das experiências. No caso de territórios quilombolas, essa modalidade também pode contribuir para a valorização do patrimônio cultural e para a geração de renda local.

O território Laranjituba e África participou do projeto Experiências do Brasil Original, iniciativa do Ministério do Turismo desenvolvida em parceria com a Universidade Federal Fluminense para fortalecer o turismo de base comunitária em territórios indígenas e quilombolas.

Para quem quer conhecer a região, o ideal é entrar em contato previamente com os responsáveis pela recepção de visitantes e verificar quais experiências estão disponíveis.