Agatha Abrahão - Foto: Divulgação

A Copa do Mundo de 2026 já começa a transformar a forma de viajar para o maior evento esportivo do planeta. Com uma proposta que vai além dos jogos, a Stella Barros aposta em Orlando como base da operação e propõe uma experiência mais completa para o torcedor. Em entrevista exclusiva ao Portal Turisnews, Agatha Abrahão detalha a estratégia, os bastidores da decisão e as tendências que já começam a redesenhar o turismo esportivo.

Turisnews: Orlando vem sendo apontada como a “casa da torcida brasileira”. Como surgiu essa estratégia?

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Agatha Abrahão: Orlando foi uma decisão estratégica. Antes mesmo do sorteio, já tínhamos estudos que apontavam a Costa Leste como principal aposta. Escolhemos uma cidade que não é sede, o que evita excesso de demanda, e que tem forte conexão com o público brasileiro. Além disso, permite viagens em grupo com perfis diferentes — nem todo mundo precisa estar focado apenas nos jogos.

Turisnews: Esse modelo de base fixa representa uma nova forma de viver a Copa?

Agatha: Na verdade, não é novo para a gente. Já fizemos isso em outras Copas, como na Alemanha. Sempre buscamos uma base estratégica que facilite a operação e amplie a experiência do cliente. A diferença agora é a escala. Nos Estados Unidos, as distâncias são maiores, então estruturamos a operação com deslocamentos organizados e retorno à base.

Turisnews: Como funciona, na prática, a jornada do torcedor?

Agatha: O cliente fica hospedado em Orlando e não precisa fazer check-out. Toda a logística é organizada por nós: transporte, hospedagem nas cidades dos jogos e retorno. Ele sai com tudo estruturado, assiste ao jogo e volta com a operação já montada.

Turisnews: O que a base fixa oferece em termos de estrutura?

Agatha: Oferecemos suporte completo, com equipe disponível 24 horas, assistência médica e atendimento para qualquer necessidade. A ideia é que o cliente tenha segurança e tranquilidade para aproveitar a viagem.

Turisnews: E nos dias sem jogos?

Agatha: A proposta é ampliar a experiência. Como Orlando tem grande oferta turística, conseguimos atender diferentes perfis. É possível combinar a Copa com outros destinos, como praias ou até roteiros mais longos dentro dos Estados Unidos.

Turisnews: Existe também um lado emocional nessa experiência?

Agatha: Sem dúvida. Quando a gente pega uma Copa do Mundo nos Estados Unidos 24 anos depois – o mesmo intervalo entre o tri e o tetra (também conquistado nos Estados Unidos) – do penta, e o núcleo operacional do Grupo Águia decide que nossa base vai ser Orlando, isso é um presente para a Stella Barros. A gente entende que operacionalmente Orlando é melhor para os nossos passageiros torcedores. Para gente, como Stella Barros, é regenerar e honrar essa história de um jeito muito especial. A dona Stella levou o primeiro grupo de torcedores pruma Copa do Mundo em 1966. Ela leva crianças para a Disney desde 1971. Só esse entrelaçamento já é algo super forte e o que a gente vai fazer a mais, ainda surpresa, vai ter muito a ver com a experiência desses dois momentos.

Turisnews: Quando o torcedor deve começar a se planejar?

Agatha: Quanto mais próximo da Copa, mais limitada fica a oferta. Quem se organiza antes tem mais opções, melhores condições e pode até acessar oportunidades relacionadas aos ingressos da seleção.

Turisnews: Esse modelo pode virar tendência?

Agatha: Acho que a Copa de 2026 está ensinando para o turismo a importância da gente fazer um trabalho cada vez mais sério quando se trata de evento esportivo. No fundo, eu acho que é isso. Você ter uma operação pronta desde o início, reunir expertise, seriedade, respeito pelo torcedor, esses são os pontos mais importantes. A gente tem muito respeito pelo torcedor e eu gosto de contar a minha história. Eu estava na Copa de 94 e não vi o pênalti do Baggio, porque quando foi o pênalti que o Dunga acertou, antes do Baggio, eu, menina, achei que a gente já tinha ganhado a Copa e me virei para a torcida e comecei a comemorar. E ali eu me apaixonei pela energia da torcida e nutri ainda mais algo que eu já vinha nutrindo dos meus tios, do meu pai, que é essa admiração e essa paixão pela torcida. Além do produto oficial da Seleção Brasileira, a gente pode oferecer hotéis da malha do FIFA Accomodation Bureau, porque a Stella Barros é um agente autorizado do FAB. Então, entregar uma operação séria sempre foi o nosso olhar. Isso não é de agora. Isso vem desde que a gente opera Copa do Mundo, é do nosso DNA. Não é algo que está nascendo agora. Muito pelo contrário. Em vários momentos, a gente levou feedbacks para os órgãos mais centrais dessa operação falando da importância da oficialidade. Eu tenho fotos de 2026, por exemplo, quando o mecanismo dos ingressos era outro, completamente diferente do atual, em que éramos oficiais para a venda de ingressos de hospitalidade, e que o Wagner, então presidente do Grupo Águia, levou um famtour de jornalistas para, juntos, guardarmos os ingressos de hospitality num cofre de um banco de Colônia. A gente sempre fez a operação da forma mais respeitosa e confiável possível. Porque a gente entende que esse é o jeito de fazer turismo.