Foto: Acervo/Portal Turisnews

Com o pico das férias escolares, o mês de julho representa um dos períodos mais movimentados para o setor aéreo brasileiro. Para entender como a malha aérea da Gol Linhas Aéreas foi planejada e executada neste período de alta demanda, o Portal Turisnews entrevistou Rafael Araújo, diretor de planejamento de malha da companhia, que trouxe detalhes sobre os reforços operacionais, os principais destinos atendidos e os desafios enfrentados na adaptação em tempo real da malha durante o mês.

Confira a entrevista:

Publicidade

Portal Turisnews: Quais ajustes estratégicos feitos após o pico de julho de 2024 influenciaram diretamente o desenho da malha atual? Houve alguma lição prática que mudou a forma de planejar este ano?

Rafael Araújo: Como processo de prospecção de mercados, a GOL possui uma série de informações para adequar a malha a uma temporada. Além dos dados voados históricos proprietários e públicos, há reservas futuras de voos no sistema de vendas, buscas nos canais próprios de vendas, demandas de operadores de turismo, entre outras formas de adequar a oferta à demanda. O foco da Companhia na internacionalização, sobretudo a partir do segundo semestre de 2024, exerceu grande influência nos destinos de destaque de

Com isso, as mais novas rotas internacionais da GOL, assim como as rotas mais tradicionais e já muito procuradas, foram potencializadas para impulsionar as viagens no ano corrente. A oferta internacional da GOL cresce 57% quando comparamos julho de 2025 ao mesmo mês de 2024.

Portal Turisnews: Durante o pico de julho, quais desafios operacionais inesperados geralmente impactam a operação e como a equipe de malha consegue adaptar as frequências ou rotas em tempo real?

Rafael Araújo: O mês de julho traz algumas particularidades, como as características climáticas de inverno no cone sul. Nessa época, por exemplo, é comum ocorrerem nevoeiros ou frentes frias que podem fechar um aeroporto por período prolongados. Algumas ações, como evitar pernoite de aeronaves e tripulações em locais que tem alto índice de fechamento, são incorporadas na malha aérea planejada.

Contudo, outros impactos podem ocorrer na operação devido às adversidades meteorológicas, algo inerente ao universo da aviação o ano todo, e mesmo à necessidade de manutenções não programadas de aeronaves. Tratam-se, portanto, de questões operacionais, não de planejamento. Nesses casos, a Companhia está totalmente preparada para alternar voos, cancelá-los se for preciso e prestar toda a assistência aos Clientes impactados, de acordo com a Resolução 400 da ANAC, de forma que possam chegar aos seus destinos o quanto antes, com Segurança e comodidade.

Portal Turisnews: Neste julho de 2025, houve reforço nas conexões internacionais ou o foco estratégico da Gol foi priorizar o mercado doméstico? Como essa decisão é tomada?

Rafael Araújo: Devido às recentes inaugurações de bases internacionais da GOL e à criação de novas rotas para o exterior, realizadas entre o último trimestre de 2024 e o primeiro semestre 2025, as operações internacionais chamaram mais a atenção na alta temporada de julho, apresentando crescimento de 57% em voos, na comparação com a alta temporada de 2024.

É a maior alta temporada de inverno internacional já registrada na história da GOL, alavancada sobretudo por nossas operações entre Brasil e Argentina, maior mercado internacional da GOL, e Brasil-Estados Unidos, país onde operamos as bases de Miami e Orlando. Destacamos, ainda, os destinos que começamos a operar no fim de 2024 – San José (Costa Rica), Cancún (México) e Aruba -, além das novas rotas Brasília-Bogotá, Manaus-Bogotá e Belém-Miami, todas de 2025.

A internacionalização é um dos mais fortes pilares no plano de 5 anos da Companhia (Five Year Plan). Até 2030, ¼ da malha aérea da GOL será composto de voos internacionais – ou 25% da malha total. A ideia é que a GOL deixe de ser percebida apenas como uma Companhia brasileira que também opera voos internacionais para se tornar, de fato, uma Companhia multinacional. No âmbito doméstico, o crescimento foi de 10%, comparando-se os mesmosperíodos: julho/25 vs julho/24. Destaques para o aumento no corredor Sul – Nordeste e no Rio de Janeiro em geral.

Portal Turisnews: Quais são os indicadores de performance mais críticos que vocês acompanham diariamente em julho para avaliar se a malha está entregando o planejado?

Rafael Araújo: Como qualquer negócio, dois grandes grupos de indicadores são avaliados: custos e receita. Do lado de custos, os principais são combustível, de propriedade do avião (leasing das aeronaves), manutenção, entre outros. Aqui vale registrar que muitos desses custos são em dólar. Para a receita, além do fator de ocupação dos voos, também é verificado a qualidade da receita (yield).

Portal Turisnews: A Gol implementou alguma inovação tecnológica ou mudança metodológica no modelo de previsão de demanda utilizado para planejar a malha aérea deste ano?

Rafael Araújo: Sim, desde 2018 a GOL utiliza modelos preditivos com inteligência artificial para projeções de resultados, tanto operacionais quanto comerciais. Com o avanço dessas ferramentas, é possível ter projeções confiáveis tanto para tentar entender o resultado que virá, assim como fazer uma “engenharia reversa” do resultado desejado. Isso nos mostra o quão atingível é o objetivo, dadas as condições de contorno de custos e receita do momento.

Portal Turisnews: Qual destino nacional apresentou o maior crescimento no número de voos em relação a julho de 2024? Alguma rota foi reduzida ou suspensa, e por quê?

Rafael Araújo: O Rio de Janeiro, e consequentemente o aeroporto RIOgaleão, são os grandes destaques no doméstico, nas férias de julho. O crescimento da malha área na Cidade Maravilhosa como um todo (SDU + GIG) é de 30% (julho/25 vs julho/24), e as operações da GOL no RIOgaleão respondem por 70% dessa expansão.

Em seguida, temos Salvador, que é um importante Centro de Distribuição de Voos da GOL, com crescimento de 10% (julho/25 vs julho/24). A partir da capital baiana, a GOL está oferecendo voos diretos para 19 destinos na alta temporada de inverno. Comparando julho de 2025 com o mês de 2024, houve a descontinuação de 12 rotas e o lançamento de 23 rotas novas no presente ano. Tais mudanças ocorrem devido a questões de infraestrutura (ex. ano passado Porto Alegre estava fechado, tendo apenas voos para a Base Aérea de Canoas), obras em aeroportos, mudança de perfil de demanda, entre outros motivos.

Portal Turisnews: Como a Gol avalia o comportamento do passageiro nas férias de julho? Há mudança no perfil de consumo ou na antecedência de compra que influencia o planejamento da malha?

Rafael Araújo: Para viagens domésticas, há tanto os Clientes que se programam meses antes para a viagem, quanto aqueles que adquirem seus bilhetes na véspera, por questões várias. O cliente também usualmente despacha mais bagagens devido o tempo de estadia no destino ser maior do que o público corporativo. Vale lembrar que os voos são disponibilizados aos Clientes 330 dias antes das operações, em nosso sistema, permitindo àqueles que buscam melhores preços antecipar suas compras.

Portal Turisnews: Quais aeroportos estão mais pressionados em termos de infraestrutura diante do aumento da oferta de voos neste pico de julho?

Rafael Araújo: Há diversos aeroportos com obras de expansão em andamento para melhorar ainda mais a experiência dos clientes. Tais obras são acompanhadas de forma muito próxima junto às concessionárias de aeroportos para evitar que os voos sejam impactados e a operação flua da forma mais segura e fluida possível.