Foto: Arquivo

O Departamento de Estado Americano divulgou nesta terça (28) dados mais recentes sobre a emissão de vistos, relativos ao ano fiscal de 2023 (período que vai de outubro de 2022 a outubro do ano seguinte). No Brasil, houve um aumento de 55% nas solicitações em comparação ao ano anterior.  Apesar da melhora, o tempo ainda é considerado longo pelo governo americano, que prevê acelerar o processo no próximo ano. A expectativa é de que este prazo seja de menos de cem dias.

“Eu acho que ainda podemos reduzir mais, para que pedidos feitos por brasileiros em qualquer lugar que tenhamos um consulado tenham um tempo de espera de menos de cem dias. Esse com certeza é nosso objetivo”, diz Julie Stufft, secretária-assistente do setor de vistos do Departamento de Estado americano ao Jornal Folha de São Paulo.

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Globalmente, o tempo médio de espera no ano passado para agendar uma entrevista relativa a um visto de turismo ou negócios para quem nunca obteve um antes era de 200 dias, muito abaixo do registrado em outubro de 2022 no Brasil, quando esse tempo era de 400, em média. Recentemente, no entanto, esse número caiu para 140 dias, em linha com os dados do consulado em São Paulo.

A longa fila criou até um mercado informal de venda de agendamentos de entrevista nos consulados, que por sua vez retroalimenta o problema. Stufft afirma que a missão americana no Brasil está ciente do “jeitinho”, e que tenta reagir.

“É muito difícil [lidar com isso] porque, legalmente falando, qualquer um pode agendar uma entrevista se tiver um formulário de pedido de visto. Mas nós estamos tentando evitar isso, que chamamos de ‘serviços de visto’. Essa é uma das razões pelas quais temos um tempo de espera tão longo em alguns lugares”, diz ela.

Do total de vistos emitidos, quase 1 milhão foram no país no ano fiscal de 2023 – um recorde, de acordo com Stufft. O número é também quase o dobro do registrado no período anterior, quando 625 mil autorizações de viagem foram concedidas.

“O Brasil é um caso de sucesso para nós”, diz ela, destacando que a operação consular no país aumentou a carga de trabalho, incluindo finais de semana, para atender a demanda.

Ainda assim, o Brasil segue sendo um dos locais com maior número de pedidos, junto com Índia, México e Colômbia. A secretária do Departamento de Estado não atribui o volume a uma demanda reprimida pela pandemia, mas sim a um grande interesse de brasileiros de visitar, estudar e trabalhar nos EUA.

“Nós vamos acompanhar o Brasil de perto para garantir que o tempo de espera continue a cair. As lideranças da nossa seção consular no Brasil estão em Washington agora para consultas sobre isso”, diz Stufft, ao ser questionada se há outras iniciativas previstas para acelerar a fila no país.

Com informações da FOLHA DE SÃO PAULO

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