Com um mês no cargo, o ministro do Turismo, Celso Sabino, tem focado a sua atuação em buscar novos investimentos no setor. Para ele, o momento é de finalizar planos com metas, atividades e programas que garantam o desenvolvimento do turismo nos próximos cinco anos. Em entrevista ao Jornal Correio Braziliense, o político adiantou que pretende usar Brasília para o projeto piloto Hospeda Brasil, para controlar a taxa de ociosidade nos hotéis e aviões. Ele também garantiu que, nos próximos dias, lançará, em parceria com os ministérios das Mulheres e dos Direitos Humanos, uma iniciativa nacional de combate à misoginia e ao turismo para fins de exploração sexual. “Ainda estamos desenhando em conjunto com as outras pastas, mas eu posso garantir que qualquer conotação de turismo sexual vai ser combatida e rejeitada”, disse.
Confira trechos da entrevista:
Turistas estrangeiros
Isso foi no ano passado, na recuperação da pandemia de covid-19. Nesse período, foi baixo em todo o mundo. A média tem dado acima de 6 milhões. Esse ano a perspectiva é bater aproximadamente 6,4 milhões.
Investimentos nas aéreas
A TAP é uma empresa com participação estatal, assim como no mundo todo há várias companhias que pertencem aos governos. É um setor muito complexo, que tem demonstrado uma grande instabilidade, você vê várias companhias no mundo que fecharam, que pararam suas atividades, faliram. Aqui, tivemos o caso da Avianca Brasil, da Varig, Transbrasil, Cruzeiro e tantas outras. É um setor que exige uma atenção especial, por ser estratégico, por se relacionar a saúde, a educação, ao desenvolvimento do país e por ter um histórico de empresas que não conseguem se perpetuar e permanecer por muitos anos, e por isso que, no mundo todo, elas são subsidiadas e, em alguns casos, elas são dos Estados. Temos três grandes empresas concorrendo no mercado, a Latam, a Gol e a Azul. Nesse momento, o que se está discutindo com a reforma tributária é que o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), unificando tributos federais e estaduais, irá simplificar os procedimentos e reduzir o número de obrigações. Mas não há perspectiva de o governo fazer qualquer tipo de subsídio ou intervenção no setor como tabelamento de preços ou favorecimento dessas companhias, mas há o interesse do governo em analisar todas as nuances desse setor que é estratégico para o país.
Preços das passagens
O Turismo, junto aos ministérios dos Portos, e Aeroportos, e das Minas e Energias, está fazendo um esforço para entender os itens que impactam no valor da tarifa aérea. Temos tido uma reunião, quase que diária, para falar do assunto. A gente vem entendendo que o principal componente no preço é o combustível. No Brasil, o preço do QAV (querosene de aviação) é mais caro que a média do resto do mundo. Diferentemente da gasolina e do diesel, o QAV continua no PPI [Preço de Paridade de Importação], mas fica mais caro que no mercado internacional porque pagamos as despesas de frete, as operações tributárias e um custo de distribuição mais elevado.
Autossuficiência em QAV
Apostamos em tornar o Brasil autossuficiente na produção de QAV. Estamos estudando uma forma de encurtar o tempo para isso. Hoje, produzimos 85% do que consumimos em QAV. O resto é importado. Podemos produzir o item na mesma usina que produz o diesel. É importante aumentar a produção da Petrobras que, atualmente, é apenas 2,7% do faturamento da empresa que não representa um impacto muito grande. Com a autonomia, poderemos discutir o valor vendido no país e buscar adequar aos preços praticados no mercado Internacional.
Mercado de Milhas
Estamos estudando a viabilidade do modelo. Porque o mercado de milhas é um programa de fidelidade que tem várias atividades. Não é só nas companhias aéreas. Até salão de beleza tem fidelidade. É uma atividade comercial de fidelização de clientes, mas a venda de pacotes turísticos atrelado a essa compra e venda de milhas, que é o caso dessa empresa, é o que está sendo analisado pela Secretaria de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça e pela Secretaria de Planejamento do Ministério Turismo.
Programa Hospeda Brasil
Vamos fazer um programa para o turismo no contrafluxo em cima da ociosidade. Isso tanto nos assentos do avião, quanto nos quartos de hotéis e pousadas. Quando chega o final da semana, em Brasília, o avião vai cheio e volta vazio. Já no começo da semana, ele vem cheio e volta vazio. O mesmo acontece com os hotéis da capital durante o final de semana, que ficam com uma taxa de ociosidade muito grande. Estamos em parceria com as companhias aéreas e com a rede hoteleira para lançar um programa para trazer para a capital esse turismo. Temos inúmeros atrativos turísticos. Brasília é o símbolo da nossa República, da nossa democracia. Vamos começar a atrair estudantes, secundaristas ou universitários, pesquisadores, professores. Esse é o público inicial.
Proposta para cassinos no Congresso
O projeto está agora no Senado. A informação que temos do Congresso é que vão olhar esse tema e começar a discutir o que foi aprovado na Câmara. Os resorts integrados são aparelhos que vão ter centro de convenções, shows culturais, teatros, restaurantes, hotelaria de boa qualidade, além de cassinos. Não são apenas cassinos. Há uma limitação de estabelecimentos por estados, por áreas. Não vai ser em qualquer lugar. Terá toda uma normativa, tem até tratamento e prevenção para jogadores compulsivos.
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