Participar da colheita do açaí direto da palmeira, conhecer as técnicas ancestrais de manejo da andiroba — árvore-símbolo do Pará — ou saborear pratos típicos da culinária paraense à beira do rio Guamá. Essas são algumas das experiências que aguardam os visitantes da Rota Combu, novo roteiro turístico que será apresentado nesta semana, durante a ABAV Expo 2025, no Rio de Janeiro.
Situada a poucos minutos de barco do centro de Belém, a Ilha do Combu é um convite para conhecer de perto a floresta amazônica e o estilo de vida dos ribeirinhos. Em um ano em que o Pará ganha destaque internacional como sede da COP 30, o novo roteiro propõe um mergulho na economia da floresta, unindo vivências culturais, gastronomia, ancestralidade e sustentabilidade.
Autenticidade e sustentabilidade
O projeto é fruto de um trabalho desenvolvido pelo Sebrae no Pará, que apoiou os empreendedores locais na formatação da rota, oferecendo capacitações para que o turismo na ilha seja sustentável e gere renda para as comunidades.
Segundo Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae/PA, a proposta é transformar saberes tradicionais em oportunidades de negócio e inovação.
“A Amazônia tem um grande potencial turístico voltado para a bioeconomia. Nossas ilhas possuem empreendimentos que valorizam a cultura local e a ancestralidade, oferecendo ao turista uma experiência única. A Rota Combu é uma vitrine da economia criativa e da bioeconomia amazônica”, afirmou.
Vivências com os ribeirinhos
A Rota Combu reúne empreendimentos que respeitam as particularidades da ilha e valorizam o protagonismo das comunidades locais. Um dos pontos de parada é o Ygara Artesanal, onde os visitantes acompanham o cultivo do açaí e conhecem práticas sustentáveis de manejo da fruta, base da economia ribeirinha. Além da imersão, podem degustar o açaí “à moda paraense” — acompanhado de peixe frito e farinha de mandioca.
Outro destaque é a visita à Associação de Mulheres Extrativistas do Combu (AME), onde os turistas aprendem sobre o uso tradicional da andiroba e veem como as mulheres transformam o fruto e as folhas de cacau em produtos medicinais, cosméticos e embalagens artesanais. A iniciativa fortalece o empreendedorismo feminino e o uso sustentável dos recursos da floresta.
O passeio inclui ainda o almoço no tradicional Restaurante Saldosa Maloca, comandado há 40 anos por Dona Prazeres, guardiã da culinária ribeirinha. O espaço é exemplo de como tradição e inovação caminham juntas: o restaurante utiliza biodigestores para transformar resíduos em energia.
A rota se encerra com uma visita à Casa do Chocolate Filha do Combu, de Izete Costa, a famosa Dona Nena, cuja produção artesanal conquistou chefs renomados, como Alex Atala e Rodrigo Oliveira, e até o presidente francês Emmanuel Macron. Seu chocolate, feito apenas com cacau e açúcar orgânico, tornou-se símbolo do talento e da força das mulheres da ilha.
“Acredito que a rota vai acelerar ainda mais os negócios e fortalecer um modelo de turismo sustentável para o Combu”, destacou Dona Nena, que participa de programas de capacitação promovidos pelo Sebrae e viu sua marca ultrapassar fronteiras.















