Foto: Júlia Albuquerque

No coração dos Andes, a capital boliviana enfrentava há décadas um dilema: como garantir mobilidade eficiente em meio ao relevo acidentado, ruas estreitas e trânsito caótico. A solução encontrada em 2014 surpreendeu o mundo: o Mi Teleférico, uma rede de transporte por cabos que transformou o cotidiano da população e ainda conquistou turistas de todo o planeta.

Hoje, o sistema entrou para o Guinness World Records como a maior rede de teleféricos do mundo, somando 31,6 km de extensão e dez linhas. Para os moradores, é muito mais que um cartão-postal: é o transporte que encurta trajetos, reduz o tempo perdido em congestionamentos e proporciona conforto e segurança.

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Transporte e turismo lado a lado

O Mi Teleférico não é apenas funcional. Ele se tornou também uma atração turística. As cabines limpas, climatizadas e modernas oferecem vistas panorâmicas de La Paz e da vizinha El Alto. Muitos visitantes relatam ter passado horas viajando sem destino apenas para contemplar a cidade do alto.

Além disso, algumas linhas permitem ver ícones locais, como a feira 16 de Julio, considerada a maior da América Latina. O custo também é atrativo: uma viagem custa cerca de 3 bolivianos (R$ 2,10), tornando a experiência acessível tanto para moradores quanto para turistas.

Sustentabilidade como diferencial

Outro aspecto que coloca o Mi Teleférico em destaque é a sustentabilidade. O sistema já conta com painéis solares e até 2026 deve receber uma usina fotovoltaica própria para alimentar toda a rede. Isso representa uma alternativa de transporte limpa, silenciosa e de baixo impacto ambiental, fundamental em tempos de urgência climática.

Os resultados vão além da questão ambiental: ao retirar veículos das ruas, o teleférico também ajuda a reduzir acidentes e engarrafamentos. Dados oficiais apontam que só entre 2014 e 2019 foram evitados milhares de incidentes de trânsito.

Impactos sociais e econômicos

Atualmente, o Mi Teleférico transporta cerca de 200 mil pessoas por dia e 6 milhões por mês. Até o fim de 2023, a expectativa era ultrapassar 73 milhões de passageiros. Além da mobilidade, o sistema fortaleceu o turismo, gerou empregos e posicionou La Paz como referência em inovação urbana.

A mistura de tradição e futuro é visível: mulheres cholitas viajam lado a lado com executivos, turistas e estudantes, todos suspensos no ar, literalmente em um “metrô nos céus”.