O mundo submerso de Fernando de Noronha vai muito além das praias paradisíacas. Foto: Fabi Fregonesi e Raphael Gatti/Panorâmicas de Noronha

No aniversário de Fernando de Noronha, celebrado nesta segunda-feira (10), o arquipélago reafirma sua posição como um dos principais destinos de natureza do Brasil. Muito além das praias de águas cristalinas que atraem turistas do mundo inteiro, a ilha abriga um universo submerso repleto de formações vulcânicas, naufrágios, rica biodiversidade e cenários que ajudam a consolidar sua reputação entre os melhores pontos de mergulho do planeta.

A importância desse patrimônio natural também se reflete na economia. Segundo estudo apresentado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Ministério do Turismo, as Unidades de Conservação federais movimentaram R$ 40,7 bilhões na economia brasileira em 2025, demonstrando como a preservação ambiental e o turismo sustentável caminham lado a lado.

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Parte dessa riqueza foi registrada pelos fotógrafos subaquáticos Fabi Fregonesi e Raphael Gatti, criadores do projeto Panorâmicas de Noronha.

A iniciativa documentou 16 dos principais cenários submersos do arquipélago utilizando fotografias panorâmicas formadas pela união de três a mais de 24 imagens em um único registro. Entre os destaques está a Corveta Ipiranga, um dos naufrágios mais famosos do Brasil, fotografada em uma perspectiva inédita que revela toda a dimensão da embarcação.

Segundo Fabi Fregonesi, a proposta surgiu da necessidade de mostrar a grandiosidade do ambiente marinho.

“A panorâmica foi a forma que encontramos de respeitar a escala do oceano e registrar esse território como ele realmente é: grandioso, complexo, vivo e impossível de ser reduzido a um único enquadramento.”

Raphael Gatti explica que cada fotografia exigiu meses de planejamento e mergulhos cuidadosamente executados, principalmente nos pontos de maior profundidade.

Oito curiosidades sobre o mundo submerso de Noronha

1. A ilha é apenas o topo de uma montanha vulcânica

Fernando de Noronha representa apenas a parte visível de uma enorme cadeia de montanhas vulcânicas que emerge do Atlântico Sul. Sob a superfície, paredões, cânions e formações rochosas se estendem por dezenas de metros.

Graças à transparência da água, que pode alcançar cerca de 50 metros de visibilidade horizontal, muitos desses cenários podem ser observados em um único mergulho.

2. Tubarões são presença constante — e isso é uma boa notícia

Encontrar tubarões durante os mergulhos faz parte da rotina em Noronha. Espécies como tubarão-lixa, tubarão-de-recife e tubarão-limão habitam o arquipélago.

Segundo Raphael Gatti, a presença desses animais indica que o ecossistema está saudável e equilibrado.

“Quando há tubarões no topo da cadeia alimentar, significa que todo o ambiente continua extremamente preservado.”

3. Uma montanha submarina provocou um naufrágio histórico

O Cabeço da Sapata, formação rochosa que quase desaparece na maré baixa, foi responsável pelo naufrágio da Corveta Ipiranga, embarcação da Marinha do Brasil que afundou em outubro de 1983.

Hoje, a estrutura é um dos pontos de mergulho mais procurados do país.

4. Um navio da Marinha repousa praticamente intacto

A Corveta Ipiranga permanece a cerca de 62 metros de profundidade e conserva boa parte de sua estrutura original.

Para Fabi Fregonesi, registrar toda a embarcação em uma única fotografia panorâmica permitiu revelar sua verdadeira dimensão e importância histórica.

5. As tartarugas frequentam verdadeiros “salões de beleza”

Em diversos recifes existem as chamadas estações de limpeza, onde pequenos peixes retiram algas e parasitas das tartarugas marinhas.

O comportamento é um dos exemplos mais conhecidos de cooperação entre espécies no ambiente marinho.

6. Existe uma formação rochosa em forma de caveira

Nas Pedras Secas II, um conjunto de rochas conhecido como Caveirão chama a atenção dos mergulhadores.

Esculpida naturalmente pela ação do oceano durante milhões de anos, a formação lembra uma enorme caveira, embora não faça parte dos roteiros turísticos tradicionais.

7. Um dos melhores lugares do Brasil para mergulhar

Com águas entre 26°C e 29°C durante praticamente todo o ano e visibilidade que frequentemente supera os 40 metros, Fernando de Noronha oferece condições ideais para mergulho e fotografia subaquática.

O cenário permite observar tartarugas, tubarões, arraias, grandes cardumes, formações vulcânicas e naufrágios em um único destino.

8. Um laboratório vivo para a conservação marinha

Além de destino turístico, Noronha abriga importantes iniciativas científicas voltadas à preservação dos oceanos.

Projetos como o TAMAR, o Golfinho Rotador e o Projeto Tubarões e Raias de Noronha monitoram espécies e contribuem para a conservação da biodiversidade marinha.

Segundo Fabi Fregonesi, esse é um dos grandes diferenciais do arquipélago.

“Noronha impressiona porque reúne turismo, pesquisa científica e conservação em um mesmo lugar. Cada mergulho revela um ambiente que vem sendo estudado e protegido há décadas.”

Mais do que um cartão-postal do litoral brasileiro, Fernando de Noronha continua revelando novas experiências para quem visita suas águas. No aniversário do arquipélago, o mundo submerso da ilha reforça que seu maior patrimônio não está apenas nas praias, mas também na riqueza natural preservada sob a superfície do oceano.