
O comportamento do viajante está passando por uma transformação silenciosa, mas profunda. Em vez de escolher primeiro o destino e depois decidir o que fazer durante a viagem, cada vez mais pessoas iniciam o planejamento a partir de seus próprios interesses, hobbies e experiências que desejam viver.
Essa é uma das principais conclusões do Travel Trends 2026, estudo do Skyscanner baseado em milhões de buscas realizadas na plataforma e em pesquisas sobre o comportamento do consumidor.
Em entrevista exclusiva ao Portal Turisnews, Bruna Reis, especialista em voos e viagens do Skyscanner, afirma que essa mudança representa uma oportunidade para toda a cadeia do turismo.
“Antes, a pessoa pesquisava o destino e, dentro dele, descobria o que queria fazer. Agora é o contrário. Ela parte dos próprios interesses para encontrar um destino que ofereça aquela experiência.”
Segundo a executiva, é justamente essa personalização que explica boa parte das tendências identificadas pelo estudo.
Uma pessoa apaixonada por literatura, por exemplo, pode escolher uma viagem inspirada em um livro. Quem gosta de corrida procura destinos que sediem maratonas. Já praticantes de trilhas e ciclismo buscam locais onde possam desenvolver essas atividades.
“Hoje, as viagens estão muito mais pessoais.”
Montanhas entram no radar dos brasileiros
Entre as tendências apontadas pelo Travel Trends 2026, uma das que mais chamou a atenção da especialista foi o crescimento do interesse por destinos de montanha.
Segundo o levantamento, 87% dos brasileiros demonstram interesse em viagens para regiões montanhosas, impulsionadas pela busca por contato com a natureza e pela prática de atividades como hiking, ciclismo e outras experiências ao ar livre.
“Quando pensamos no Brasil, nem sempre associamos o país às montanhas, mas existe uma oportunidade importante para destinos e hotéis que oferecem esse tipo de experiência.”
Inteligência artificial acelera essa mudança
Para Bruna, a inteligência artificial já deixou de ser uma promessa e passou a fazer parte da rotina de quem planeja viagens.
O objetivo das novas ferramentas desenvolvidas pelo Skyscanner é justamente facilitar a conexão entre os interesses do viajante e as experiências disponíveis em diferentes destinos.
Entre os recursos lançados pela empresa estão plataformas que ajudam corredores a encontrar cidades com maratonas, além de ferramentas que sugerem destinos de acordo com esportes praticados e condições climáticas.
“O papel da inteligência artificial é facilitar essa busca e ajudar o viajante a encontrar exatamente a experiência que procura.”
Na avaliação da especialista, essa tecnologia tende a transformar não apenas a forma como o consumidor pesquisa viagens, mas também a maneira como empresas do setor apresentam seus produtos.
Storytelling ganha espaço
A mudança de comportamento também exige uma nova forma de comunicação.
Para Bruna, hotéis, destinos e empresas do turismo precisam deixar de vender apenas infraestrutura e começar a mostrar as experiências que podem proporcionar.
“Agora é uma oportunidade para hotéis e destinos falarem muito mais sobre storytelling e sobre aquilo que realmente podem oferecer ao viajante.”
Ela acredita que essa abordagem cria uma conexão mais forte entre consumidores e marcas, especialmente em um cenário onde interesses pessoais orientam cada vez mais as decisões de compra.
Uma visão construída em diferentes mercados
Com atuação na América Latina e nos Estados Unidos, Bruna acompanha de perto a evolução do comportamento do viajante em diferentes regiões.
Segundo ela, o movimento observado no Brasil faz parte de uma tendência global.
“A utilização da inteligência artificial para facilitar a experiência do viajante já acontece em diversos mercados e agora chega com muita força ao Brasil.”
A executiva iniciou sua carreira na hotelaria antes de ingressar no Skyscanner, experiência que influencia sua visão sobre a importância das experiências na construção de valor para destinos e empreendimentos.
“Os hotéis sempre trabalharam muito bem a experiência e o storytelling. Hoje esse conceito pode inspirar outras áreas do turismo.”
Mulheres conquistam mais espaço no turismo
Além das transformações tecnológicas, Bruna também destaca mudanças dentro da própria indústria.
Com mais de uma década de atuação no setor, ela afirma ter acompanhado um crescimento significativo da presença feminina em posições de liderança.
“Fico muito feliz em ver cada vez mais mulheres ocupando cargos de liderança nas principais empresas do turismo.”
Para ela, essa evolução ainda está em curso e deve continuar nos próximos anos, ampliando a diversidade na tomada de decisões e fortalecendo o setor.
Adaptar-se será cada vez mais importante
Ao olhar para o futuro, Bruna acredita que a capacidade de adaptação será uma das competências mais importantes para profissionais do turismo.
“As mudanças acontecem muito rapidamente. É preciso estar aberto ao novo, aprender continuamente e ser curioso.”
Ela deixa um conselho especialmente para quem está começando a carreira.
“A curiosidade pode levar uma pessoa muito longe.”
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