Durante muito tempo, o café da manhã foi encarado apenas como um serviço incluído na hospedagem. Atualmente, no entanto, a primeira refeição do dia conquistou um novo status: tornou-se parte da experiência da viagem e um dos fatores considerados por muitos turistas na hora de escolher onde se hospedar.
A mudança acompanha o crescimento do turismo gastronômico, segmento que vem ganhando força tanto no Brasil quanto no exterior. Mais do que conhecer restaurantes renomados, os viajantes buscam vivências ligadas à culinária local desde as primeiras horas do dia, valorizando ingredientes típicos, receitas tradicionais e produtos artesanais que representam a identidade de cada destino.
A primeira refeição também conta a história do destino
O café da manhã passou a ser visto como uma extensão da cultura local. Em diferentes regiões do país, os buffets incorporam ingredientes produzidos por pequenos agricultores, queijos artesanais, frutas da estação, pães de fermentação natural, bolos caseiros, doces típicos e cafés especiais.
Essa valorização da gastronomia regional permite que o visitante tenha um primeiro contato com os sabores do destino logo no início do dia. Em Minas Gerais, por exemplo, é comum encontrar mesas repletas de quitandas e queijos artesanais. No Nordeste, receitas à base de mandioca, tapioca, cuscuz e frutas tropicais fazem parte da experiência. Já no Sul, cucas, embutidos e produtos coloniais refletem a influência da imigração europeia.
Segundo o Ministério do Turismo, a gastronomia figura entre os segmentos estratégicos para o desenvolvimento do turismo brasileiro justamente por contribuir para a valorização da cultura, da produção local e das tradições de cada região.
Turismo mais lento valoriza momentos simples
O fortalecimento do café da manhã também acompanha outra tendência do setor: o chamado slow tourism, conceito que incentiva viagens com menos pressa e maior conexão com o destino.
Nesse modelo, o viajante procura aproveitar cada etapa da experiência, dedicando mais tempo às refeições, às conversas e aos costumes locais. Em vez de roteiros acelerados, cresce o interesse por momentos de contemplação e bem-estar — cenário em que o café da manhã ganha protagonismo.
Essa mudança de comportamento também dialoga com o crescimento do turismo de bem-estar, mercado que, segundo o Global Wellness Institute, continua em expansão e inclui alimentação saudável, experiências sensoriais e maior contato com produtos naturais como parte da viagem.
Cafés da manhã abertos ao público ampliam experiência
Outra tendência observada nos últimos anos é a abertura dos cafés da manhã de hotéis para visitantes que não estão hospedados. A prática aproxima moradores e turistas da gastronomia oferecida pelos empreendimentos e amplia as possibilidades de lazer nas cidades.
Eventos como o Breakfast Weekend contribuíram para popularizar esse formato ao reunir hotéis, cafeterias, padarias e restaurantes em festivais dedicados exclusivamente à primeira refeição do dia. Durante o período de realização, os estabelecimentos oferecem menus especiais, permitindo que o público conheça diferentes propostas gastronômicas sem a necessidade de reservar uma hospedagem.
A iniciativa também reforça o café da manhã como um produto turístico, capaz de movimentar a economia local e estimular novos públicos a explorar a oferta gastronômica dos destinos.
Um diferencial para a hotelaria
A valorização dessa experiência fez com que muitos meios de hospedagem passassem a investir na qualidade e na identidade dos seus buffets. Além da variedade de alimentos, aspectos como sustentabilidade, produção artesanal, valorização de fornecedores locais e apresentação dos pratos tornaram-se diferenciais competitivos.
Para o setor, o café da manhã deixou de ser apenas um serviço complementar e passou a representar uma oportunidade de fidelizar hóspedes, fortalecer a imagem do empreendimento e promover a cultura regional por meio da gastronomia.
Em um cenário em que os turistas buscam cada vez mais experiências memoráveis, a primeira refeição do dia deixa de ser apenas o início da programação e passa a integrar o próprio roteiro da viagem. Afinal, conhecer um destino também significa descobrir seus sabores — e, muitas vezes, essa experiência começa logo à mesa do café da manhã.















