Marta Rossi, CEO do Festuris, destaca a internacionalização do evento e aponta inovação e inteligência artificial entre os fatores que estão transformando o turismo - Foto: Gustavo Mirolli/Divulgação

Inquietação e curiosidade pelo futuro continuam movendo Marta Rossi depois de décadas dedicadas ao turismo. À frente do Festuris – Feira Internacional de Turismo de Gramado, a executiva acompanha um evento que nasceu com forte presença do mercado do Sul do Brasil e hoje atrai compradores e destinos de diferentes partes do mundo.

Em entrevista exclusiva ao Portal Turisnews, Marta fala sobre as transformações do Festuris, as novidades da próxima edição, a internacionalização do evento e o papel de Gramado na geração de negócios. Também analisa os impactos da inteligência artificial e da sustentabilidade e aponta oportunidades e desafios para o turismo brasileiro em 2027.

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Ao falar sobre o que ainda a impulsiona depois de tantos anos, sintetiza: “Eu me sinto presente no futuro. Não me sinto no passado.”

Turisnews: O Festuris chega a mais uma edição em um momento de transformação do turismo. O que o evento revela sobre o atual momento do setor?

Marta Rossi: O Festuris é uma plataforma de conexões, negócios e conteúdo. Quando criamos o evento, ele foi um fato inovador para a época e provocou uma transformação muito grande no mercado.

Uma das grandes contribuições foi o posicionamento da marca Gramado. Até então, ela conversava, digamos, até São Paulo. Nós abrimos essas fronteiras e começamos a falar sobre Gramado para o mundo. Com isso, também colocamos o Rio Grande do Sul no mapa turístico nacional.

Pelo respeito que o evento começou a receber e pela nossa participação assídua no mercado internacional, esse mercado também começou a nos procurar. Durante muito tempo, o Festuris foi identificado como um evento cujos participantes e buyers eram do Sul do país. Hoje temos buyers do mercado mundial.

Turisnews: Quais são as principais novidades desta edição?

Marta Rossi: Estamos trabalhando em uma repaginação do layout da feira, tanto em termos visuais quanto de acessibilidade. É uma mudança muito grande e uma linguagem diferente daquela que vínhamos utilizando.

Outra novidade é o pavilhão número 3, que terá expositores e conteúdo focado em inclusão.

Também teremos uma plataforma própria e um aplicativo. Até então, contratávamos seis plataformas que não conversavam entre si para fazer o evento. Entendemos que precisávamos investir em uma plataforma própria para melhorar nossa entrega.

Sabemos que não estará 100% neste ano, porque ainda está sendo prototipada, mas certamente já apresentará uma melhora significativa.

Portal Turisnews: O Festuris tem forte vocação para geração de negócios. Como transformar os encontros da feira em oportunidades efetivas?

Marta Rossi: Criamos um palco, provocamos conexões, trazemos os maiores players do mercado e construímos uma programação forte de conteúdo.

E fazemos isso em uma cidade que contribui muito para os negócios. Os participantes começam a conversar na solenidade de abertura e continuam quando saem do evento. Você vai para o café da manhã e encontra quem tem interesse no seu negócio. Vai para o almoço e encontra essas pessoas novamente.

Gramado, pela sua estrutura, é uma oportunidade permanente de encontro. A feira acontece de manhã, à tarde e à noite. Ela acontece na cidade inteira.

Além dos grandes compradores e players, trazemos imprensa e influenciadores e temos nove palcos de conteúdo. Criamos a aproximação. O que acontece depois, um dia gostaríamos de conseguir medir.

Portal Turisnews: Inteligência artificial e sustentabilidade estão entre as grandes transformações do turismo. Qual delas terá maior impacto sobre o setor?

Marta Rossi: A inteligência artificial é indiscutível. Ela está redesenhando a jornada do viajante, os nossos negócios e a nossa forma de trabalhar.

A sustentabilidade, com um olhar não apenas social e econômico, mas principalmente ambiental, também terá um grande impacto no turismo. Nós, profissionais do setor, precisamos ter essa preocupação muito presente.

A sustentabilidade ambiental é um grito que vem sendo dado há mais de 30 anos. Agora, na tecnologia, se não estivermos preparados para o dia de amanhã, ela derruba o negócio. E o dia de amanhã é o dia seguinte. Não é mais daqui a um ou dois anos.

A inteligência artificial será a grande transformadora deste momento, com uma agilidade inesperada. Com a inteligência artificial não se tem mais tempo. Temos que começar a correr atrás.

Portal Turisnews: Quanto a relação com Gramado contribuiu para a construção da identidade do Festuris?

Marta Rossi: – Quando falamos da identidade do Festuris, enxergamos um pouco de alma. E a alma da cidade também está ali.

Foi um evento único na época e o primeiro periférico. Todos os grandes eventos aconteciam nas capitais e, de repente, começamos a fazer um chamamento para um pequeno destino turístico.

Isso também obrigou Gramado a se transformar, porque a cidade percebeu que precisava se profissionalizar. Quem vinha para cá eram profissionais do turismo e trabalhar de maneira empírica já não atendia a essa demanda.

O próprio Natal Luz passou por uma grande transformação nesse processo. Era um evento que acontecia em frente à Igreja Matriz e se transformou no evento que é hoje.

A marca Festuris tornou-se forte porque tem uma história que vai muito além da feira. É uma história de construção do destino e de construção do Estado em termos de turismo.

Foi muito mais do que uma feira. Isso nos tornou um referencial. Eu sempre digo que o Festuris tem alma porque ele vem de uma cidade, de um destino, de um estado, de um conjunto — e não apenas da feira.

Portal Turisnews: Quando você olha para 2027, quais são as maiores oportunidades e os principais desafios para o turismo brasileiro?

Marta Rossi: Uma grande oportunidade já está demonstrada pelo número significativo de visitantes internacionais que o Brasil vem recebendo. A internacionalização do nosso destino é uma realidade.

Hoje temos um país que está começando a se posicionar extremamente bem no mercado internacional e já recebendo respostas em relação a isso.

Ainda temos grandes desafios, como mobilidade e estruturação de roteiros e serviços. Mas acredito que o trabalho que vem sendo feito na internacionalização do destino Brasil representa um ganho muito grande. E 2027, por tudo que já foi realizado, certamente deverá trazer uma resposta ainda maior.

Portal Turisnews: Depois de tantos anos, o que ainda mobiliza Marta Rossi a pensar nas próximas edições do Festuris?

Marta Rossi: Primeiro, eu sou uma curiosa pelo futuro. Meu pai sempre me dizia: “Marta, você vai chegar a um limite”. E eu dizia: “Mas eu não quero enxergar esse limite. Quero enxergar o futuro”.

Essa curiosidade me move. Sou extremamente inquieta em relação ao futuro. Eu me sinto presente no futuro. Não me sinto no passado e não olho para o passado. O passado serve para nos direcionar e melhorar o nosso caminhar.

Gosto muito de conviver com jovens. Tenho verdadeira paixão por esse brainstorm de ideias, possibilidades e sonhos. Isso me faz querer sempre mais.

Eu estudo, vou buscar informações, porque quero ir longe. Eu não quero parar. Quero ir muito longe.