A Justiça dos EUA aceitou na 2ª feira (12) o pedido da GOL para intimar executivos da Latam para prestar esclarecimentos sobre a conduta de mercado da empresa chilena no Brasil. Segundo a companhia brasileira, que está em recuperação judicial nos EUA, a Latam descumpre as regras de proteção de ativos da empresa determinadas no processo de reestruturação financeira.
Os argumentos da GOL são baseados em comentários do CEO da Latam no Brasil, Jerome Cardier. O executivo disse que a empresa busca aumentar sua frota de aeronaves e que os aviões parados da GOL são uma alternativa para cumprir esse objetivo. O processo de recuperação judicial protege os contratos de arrendamento de aeronaves da GOL com seus arrendatários.
A GOL disse ao tribunal dos EUA que tomou conhecimento no dia seguinte do pedido de recuperação judicial que a Latam iniciou uma campanha para arrendar aviões do modelo Boeing 737.
A notícia causou mal-estar na GOL porque toda sua frota é composta por aviões desse modelo, enquanto a Latam utiliza o Airbus A320 em suas operações de transporte de passageiros.
“Imediatamente após protocolar a petição do capítulo 11 [recuperação judicial], a GOL tomou conhecimento de que a Latam estava tentando adquirir arrendadores, aviões e pilotos da GOL. Nos dias seguintes, relatórios, entrevistas e atividades adicionais forçaram a GOL a concluir que a Latam está engajada em uma campanha deliberada e coordenada para interferir na propriedade da GOL, apesar das proteções da estadia automática”, disse a GOL.
A decisão da Justiça norte-americana permite que os advogados da GOL possam intimar executivos da sua concorrente sobre a suposta manobra para captar seus aviões.
No pedido, a aérea brasileira também solicitou esclarecimentos sobre aliciamento de pilotos, mas essa parte foi negada pela Corte. O tribunal autorizou a realização de 3 depoimentos com executivos da Latam, com duração de até 5 horas cada um.
A GOL disse estar satisfeita com a decisão: “Estamos satisfeitos com a decisão do Juiz do Tribunal do Estados Unidos, que permitirá que as ações da Latam sejam esclarecidas, além de identificar se descumprem a lei de falências dos EUA e das proteções legais relativas aos ativos da GOL”.
Já a Latam disse que sua estratégia comercial é de aproveitar oportunidades de mercado para aumentar sua frota e oferecer um serviço melhor aos seus clientes.
Leia abaixo a resposta da companhia: “O grupo Latam está em contato permanente com todas as partes interessadas relevantes em matéria de frota (arrendadores e fornecedores de equipamentos e manutenção) como parte de seu negócio. A companhia está ativa no mercado há vários meses com o objetivo de garantir a capacidade necessária para atender às necessidades contínuas e de longo prazo no contexto dos desafios globais da cadeia de suprimentos e da falta de aeronaves/motores.”
Com informações do Poder 360
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