O presidente da Embratur, Bruno Reis e a coordenadora de Comércio, Serviços e Economias de Futuro do Sebrae Nacional, Ana Clévia Guerreiro - Foto: Claudia Dias

Em um movimento estratégico para ampliar a presença do Brasil no mercado internacional, a Embratur apresentou na tarde desta terça-feira, em uma coletiva na WTM Latin America 2026, a plataforma Desbrava, uma iniciativa inédita que estrutura, de forma integrada, a jornada de internacionalização do turismo brasileiro. Voltada a gestores públicos, empreendedores e empresas do setor, a ferramenta nasce com o objetivo de organizar, capacitar e conectar toda a cadeia produtiva ao mercado global.

O anúncio marca um novo capítulo na estratégia da agência para alcançar metas mais ambiciosas de entrada de turistas estrangeiros no país.

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Um novo caminho para o turismo internacional

A Desbrava foi criada a partir de um diagnóstico claro: apesar do potencial do Brasil, faltava uma estrutura organizada que acompanhasse destinos e empresas ao longo de todo o processo de internacionalização. A proposta da plataforma é justamente preencher essa lacuna, oferecendo desde capacitação até acesso a oportunidades comerciais no exterior.

Durante a apresentação, o presidente da Embratur, Bruno Reis, destacou o desafio enfrentado pelo setor. “A gente sentia que faltava alguém que cuidasse dessa jornada de internacionalização do turismo brasileiro. Muitos destinos e pequenos empresários ficavam sem acesso à informação e sem saber como avançar nesse processo.”

Inspirada em modelos de sucesso de apoio à exportação, a plataforma traz uma lógica semelhante aplicada ao turismo, tratando experiências e serviços como produtos exportáveis.

Capacitação estruturada e inteligência de mercado

Um dos pilares da Desbrava é a trilha de capacitação, composta por 12 módulos que abordam temas essenciais para a inserção internacional, como inteligência de dados, الأسواق emissores, marketing, distribuição, ESG e relações comerciais B2B.

A proposta é oferecer uma formação completa, quase como uma especialização, com certificação ao final do processo. Além disso, os participantes passam por um diagnóstico inicial que identifica o nível de maturidade de cada negócio ou destino, permitindo uma jornada personalizada.

“O que estamos apresentando é a jornada de internacionalização do turismo brasileiro, onde pequenos e grandes empresários, além de gestores públicos, possam entender como funciona o mercado internacional e gerar negócios”, completa Bruno Reis.

Conexão direta com o mercado internacional

Mais do que capacitação, a Desbrava também funcionará como uma plataforma de conexão. A ideia é reunir, em um único ambiente, ofertas qualificadas do turismo brasileiro, facilitando o acesso de operadores internacionais a produtos certificados.

A ferramenta permitirá, por exemplo, que experiências turísticas — como hospedagens, passeios e atividades — sejam encontradas por compradores estrangeiros com mais segurança e credibilidade.

“No fim, o que a gente está criando é um ‘Facebook do turismo’, onde será possível gerar conexões comerciais dentro da própria plataforma”, explicou o presidente da Embratur.

Além disso, empresas capacitadas terão acesso prioritário a ações da Embratur, como feiras internacionais, press trips, roadshows e campanhas promocionais.

Inteligência territorial e novos destinos no radar

Outro diferencial da Desbrava é a proposta de mapear, de forma inédita, a atuação do turismo internacional nos territórios brasileiros. A plataforma irá gerar dados estratégicos sobre quais destinos, empresas e serviços já operam com turistas estrangeiros — uma informação hoje ainda dispersa.

Esse mapeamento permitirá ampliar a diversificação dos destinos promovidos internacionalmente, reduzindo a concentração em eixos tradicionais como Rio de Janeiro e São Paulo.

Brasil em momento histórico

O lançamento da plataforma ocorre em um cenário positivo para o turismo internacional no país. Segundo dados apresentados pela Embratur, o Brasil recebeu 3,74 milhões de turistas estrangeiros apenas no primeiro trimestre de 2026 — um recorde histórico.

Para Reis, o momento é de oportunidade. “A gente tem uma grande janela para chegar mais próximo dos 10 milhões de turistas. Para isso, precisamos criar relações comerciais e estruturar o acesso ao mercado internacional.”

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