Foto: Acervo

A 123milhas, que pediu recuperação judicial nesta terça-feira (29), após ter suspendido emissões de passagens promocionais e descumprido passagens desse tipo já vendidas, tem uma dívida de R$ 2,3 bilhões. O montante, divulgado pelo Jornal O Globo, é considerado impagável pelo mercado. Ao todo, são cerca de 730 mil de credores entre pessoas e empresas, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação. A empresa ainda não publicou a relação de credores, obrigatória em processos do tipo.

A companhia, que pediu à Justiça de Minas Gerais uma tutela de urgência para se proteger contra a falência em meio à crise desencadeada há duas semanas, afirma em sua petição inicial que sua situação se agravou nos últimos meses. Suas demonstrações contábeis, no entanto, mostram que seu modelo de negócios já enfrentava dificuldades há anos.

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Em 18 de agosto, a empresa anunciou a suspensão da comercialização das chamadas passagens Promo, com preços abaixo da prática de mercado e datas flexíveis. Também disse que não cumpriria os embarques dos clientes com viagens da categoria Promo programadas para setembro, outubro, novembro e dezembro deste ano.

No primeiro semestre deste ano, o prejuízo da 123Milhas chegou a R$ 1,67 bilhão, enquanto a receita operacional líquida foi de R$ 148,49 milhões, de acordo com as demonstrações financeiras da empresa protocoladas nos autos de seu pedido de recuperação judicial. As perdas desses primeiros seis meses foram 112 vezes maior do que os R$ 13,69 milhões registrados no ano passado inteiro.

Também em junho deste ano, o passivo circulante da empresa, ou seja, com vencimento nos próximos 12 meses, chegou a R$ 1,68 bilhão, ante R$ 1,12 bilhão em dezembro de 2022. Desse total, R$ 774 milhões de dívidas estavam na rubrica “contratos a embarcar” e R$ 604 milhões na “parceiros operacionais”. As passagens ainda não utilizadas, portanto, estariam na primeira rubrica. Fornecedores eram credores de R$ 166 milhões. A empresa tinha a pagar, também, R$ 93,45 milhões em empréstimos e financiamentos até junho de 2024.

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