Nos escritórios de imigração dos Estados Unidos e nos lares onde existem pessoas em situação irregular, não há outro assunto a não ser a possibilidade de deportação, já que desde a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos as políticas de imigração do país tornaram-se mais rígidas e restritivas colocando os imigrantes em cheque. E para começar a colocar em prática o principal lema da sua campanha “Tornar a América Grande de Novo”, além de diversas outras medidas, o governo também passou a barrar a entrada irregular de qualquer pessoa no país, mesmo que de maneira temporária por razões urgentes, os famosos de pedidos de asilo, para tratamentos médicos ou reunificação familiar, o que fazia parte de programa de liberdade condicional humanitária.
O que se sabe é que muitas pessoas, mesmo sem necessidade real, acabaram se beneficiando desse programa entrando no país pela porta dos fundos e ficando por lá. Mas o grande gargalo é que os pedidos de asilo eram tantos que as audiências para a verificação foram se acumulando e hoje, boa parte dessas pessoas que entraram ilegalmente nos Estados Unidos, permaneceram em situação irregular.
“A meu ver, é importante começar a organizar estes pedidos e trazer mais transparência para o processo migratório e isso deve começar ainda na fronteira. O primeiro passo seria criar regras e determinar etapas uniformes já que nesses últimos anos tivemos muitos problemas de revisões de casos totalmente sem base na lei. Ou seja, treinamento correto dos agentes da fronteira e um padrão de aceitação fazendo com quem não se enquadra nos requisitos básicos, fosse enviado diretamente de volta para o seu país” – destaca a Dra. Larissa Salvador, advogada de imigração e CEO da Salvador Law.
Ainda segundo a advogada brasileira e residente nos Estados Unidos há mais de 20 anos, a maior parte do problema na fronteira e na imigração são as pessoas que estão entrando, pedindo asilo, mas que fazem isso apenas para ganhar tempo e chegar legalmente do outro lado. “Uma vez que as análises demoram anos para serem feitas. E nestes casos, se o pedido de asilo é negado, é emitida uma ordem de deportação, mas os imigrantes já estão com a vida organizada, estão empregados e optam por se esconder, vivendo ilegalmente e com mais medo do que nunca” – argumenta.
E para começar a organizar essas questões, Trump decidiu barrar qualquer nova entrada permanente no país. “É importante que a gente entenda que há uma tentativa de reorganizar o sistema de imigração, que realmente está um caos em muitos aspectos. Porém, essa reorganização não pode ser feita a qualquer custo. Famílias inteiras estão sendo impactadas por essas mudanças, e precisamos de soluções que considerem a complexidade das situações que envolvem imigrantes em busca de asilo e melhores condições de vida”, diz Salvador.
Atuando há 5 anos nesse mercado e vendo de perto diferentes histórias de imigrantes, legais e ilegais, a Dra. Larissa Salvador entende que a tentativa de resolver estes impasses e dar mais transparência ao processo deve ser vista como um passo importante para o futuro da imigração. “Tenho a esperança de que a ideia de Trump seja validar os pedidos de asilo para quem de fato precisa e deportar que se beneficiou de maneira irregular, para então, só depois, voltar a permitir novas entradas por meio desse programa e com isso, controlar, organizar e continuar incentivando a base dos Estados Unidos que são os imigrantes” – pontua.
A palavra-chave agora é planejamento e reforma imigratória, trazendo soluções necessárias e relevantes para a fronteira, minimizando os impactos, tanto para o país, quanto para os estrangeiros. Para quem está em situação irregular, é fundamental procurar orientação jurídica, entender as alternativas legais e se preparar para qualquer eventualidade. Essa preparação pode fazer a diferença entre a permanência e a deportação”, finaliza a Dra. Larissa Salvador.















