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A Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro, um projeto de lei que reconhece agentes e guias de turismo como profissionais de relevância estratégica para a Política Nacional de Turismo. A medida é vista pelo trade como um avanço importante para a profissionalização do setor, ao estabelecer regras mais claras, ampliar a segurança jurídica e fortalecer a relação com o consumidor.

Na prática, o texto transforma obrigações que antes eram voluntárias em requisitos legais, criando um padrão mínimo de atuação para os profissionais que operam na linha de frente da cadeia turística.

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Mais clareza para o consumidor e para o mercado

De acordo com o substitutivo aprovado, os agentes de turismo passam a ser definidos como os profissionais que atuam em nome das agências de turismo, exercendo atividades de intermediação e assessoria na contratação de serviços turísticos.

Entre os principais deveres previstos estão:

  • prestação de informações claras e objetivas sobre coberturas de seguro;
  • explicitação das políticas de cancelamento e reembolso;
  • orientação sobre responsabilidades em casos de atrasos ou alterações de itinerário.

Um ponto relevante para o trade é que o texto deixa explícito que esses deveres complementam — e não substituem — as obrigações já previstas no Código de Defesa do Consumidor, evitando sobreposição de normas e reduzindo riscos de insegurança jurídica para empresas e profissionais.

Guias de turismo ganham reforço como atores estratégicos

O projeto também reforça o papel dos guias de turismo, já regulamentados por legislação própria, reconhecendo-os formalmente como figuras estratégicas para o desenvolvimento do turismo nacional, especialmente na qualificação da experiência do visitante e na valorização dos destinos.

Texto aprovado e relatoria

A Comissão aprovou o substitutivo apresentado pelo relator, deputado Ícaro de Valmir (PL-SE), ao Projeto de Lei 4181/24, de autoria do deputado Rafael Brito (MDB-AL). As alterações feitas foram de natureza técnica e não alteraram o objetivo central da proposta.

Para o relator, o projeto contribui diretamente para o fortalecimento do setor.

“O projeto reforça a transparência das relações de consumo, valoriza as categorias profissionais que materializam as políticas públicas de turismo e contribui para a consolidação de um marco legal mais abrangente e moderno”, afirmou Ícaro de Valmir.

Próximos passos no Congresso

A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Visão do trade

A aprovação do projeto sinaliza um amadurecimento do ambiente regulatório do turismo brasileiro, com reflexos diretos para agências, operadoras, destinos, plataformas e fornecedores. Ao valorizar profissionais-chave e estabelecer regras mais claras, o texto contribui para um mercado mais confiável, competitivo e alinhado às boas práticas internacionais.

Fonte: Agência Câmara de Notícias