Bruno Fernandes, analista do Sebrae Rio, destaca que a inteligência de dados é fundamental para orientar decisões estratégicas e fortalecer o desenvolvimento dos destinos turísticos - Foto: Divulgação/Sebrae Rio

A transformação digital já faz parte da realidade do turismo, mas, para o Sebrae Rio, o verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar informações em decisões estratégicas. Conhecer o perfil dos visitantes, identificar mercados emissores, acompanhar tendências de consumo e entender as potencialidades de cada destino são ações que vêm ganhando espaço na gestão turística e contribuindo para um planejamento mais eficiente.

Em entrevista ao Turisnews, o analista do Sebrae Rio Bruno Fernandes destacou que a inteligência de dados deixou de ser um diferencial para se tornar um elemento essencial no desenvolvimento sustentável dos destinos turísticos.

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“Quando a tomada de decisão parte do levantamento de dados, a chance de dar errado diminui drasticamente. Você passa a analisar o território de forma estratégica e consegue trabalhar com foco em resultados.”

Para Fernandes, todo planejamento eficiente começa pelo conhecimento do próprio território.

“Quando eu conheço o meu destino, entendo o mercado emissor e identifico as potencialidades locais, consigo desenvolver estratégias muito mais consistentes.”

Dados transformam informação em estratégia

Na avaliação do analista, trabalhar com inteligência de dados vai muito além da produção de estatísticas. O objetivo é reunir informações capazes de orientar políticas públicas, investimentos e ações de promoção turística.

Entre os principais indicadores que precisam ser acompanhados estão a oferta turística, os segmentos prioritários, os mercados emissores, a taxa de ocupação, além do perfil e do comportamento de consumo dos visitantes.

“Essa série de dados forma uma base sólida para construir uma estratégia. Tudo isso precisa ser observado de maneira objetiva para orientar o desenvolvimento do destino”, afirma.

Ele ressalta ainda que cada município precisa compreender suas vocações antes de investir em novos produtos ou campanhas promocionais.

“O destino pode ter potencial para diversas atividades, mas é importante identificar quais segmentos realmente estão estruturados para receber visitantes e gerar desenvolvimento.”

Planejamento beneficia toda a cadeia do turismo

Embora a inteligência de dados seja frequentemente associada à gestão pública, Bruno Fernandes lembra que empresários também se beneficiam diretamente desse processo.

Hotéis, restaurantes, atrativos turísticos e demais empreendimentos conseguem compreender melhor o perfil dos visitantes, adaptar produtos, qualificar experiências e direcionar suas estratégias de comunicação.

“Quando o empresário entende quem é o turista, de onde ele vem e quais são seus interesses, consegue melhorar seus produtos, qualificar a experiência oferecida e direcionar melhor sua comunicação.”

Na avaliação do especialista, o turismo é uma atividade construída de forma colaborativa e o compartilhamento dessas informações fortalece toda a cadeia produtiva.

Inteligência artificial acelera processos, mas não substitui pessoas

Outro tema abordado durante a entrevista foi o avanço da inteligência artificial.

Para Bruno Fernandes, a tecnologia já contribui para acelerar o levantamento e a organização de informações, reduzindo significativamente o tempo necessário para trabalhos técnicos relacionados ao planejamento turístico.

Apesar disso, ele faz uma ressalva importante.

“A inteligência artificial acelera processos, mas não substitui as pessoas. A condução estratégica continua sendo humana.”

Segundo ele, a hospitalidade, o atendimento e a autenticidade permanecem como os principais diferenciais da atividade turística.

Cooperação é fundamental para o desenvolvimento

Ao analisar os desafios enfrentados pelos destinos brasileiros, Fernandes afirma que o sucesso depende da atuação conjunta entre gestores públicos, empresários, instituições e lideranças locais.

“É preciso pensar o desenvolvimento também no médio e no longo prazo. Isso exige planejamento, investimento e uma governança comprometida com o futuro.”

Para ele, os destinos que conseguem evoluir apresentam características em comum: cooperação, planejamento e decisões baseadas em informações qualificadas.

Um setor mais preparado para o futuro

Após mais de 15 anos atuando no turismo, Bruno Fernandes acredita que empresários e gestores estão mais conscientes da importância do planejamento estratégico e da inteligência de dados.

Na sua avaliação, acompanhar tendências e trabalhar de forma integrada deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade.

“Hoje existe muito mais consciência de que ninguém evolui sozinho. Quem conhece melhor o seu mercado e trabalha de forma integrada consegue responder mais rapidamente às mudanças do comportamento do turista.”

Ao deixar uma mensagem aos gestores municipais, ele resume o principal caminho para fortalecer os destinos turísticos.

“No turismo ninguém faz nada sozinho. Parceria é condição essencial para desenvolver um destino de forma sustentável. Quando instituições, empresários e poder público trabalham juntos e baseiam suas decisões em conhecimento, os resultados aparecem.”

Mais do que uma tendência tecnológica, Bruno Fernandes acredita que a inteligência de dados representa uma mudança de cultura na gestão do turismo e será decisiva para tornar os destinos brasileiros mais competitivos nos próximos anos.