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Viajar para destinos famosos pode estar ficando mais caro — e, em alguns casos, mais restrito. Diante do crescimento do turismo e dos impactos provocados pela superlotação, cada vez mais cidades têm adotado medidas para controlar o fluxo de visitantes. Taxas turísticas, limites diários de acesso, agendamento prévio e até restrições para cruzeiros fazem parte de uma estratégia que busca conciliar desenvolvimento econômico e preservação dos destinos.

O debate ganhou força nos últimos anos, impulsionado pelo fenômeno conhecido como overtourism (turismo excessivo), quando o número de visitantes passa a comprometer a qualidade de vida dos moradores, a infraestrutura urbana e a conservação ambiental.

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Taxas turísticas se espalham pelo mundo

Uma das medidas mais comuns tem sido a cobrança de taxas de permanência. Na Europa, cidades como Barcelona e Viena anunciaram reajustes em suas taxas turísticas, enquanto municípios portugueses, como Vila Nova de Gaia, também ampliaram a cobrança para visitantes. Os recursos, segundo as administrações locais, são destinados à manutenção da infraestrutura, limpeza urbana, preservação do patrimônio histórico e investimentos no próprio turismo. Além da arrecadação, a cobrança funciona como um instrumento para estimular um turismo mais planejado e sustentável.

Brasil também começa a adotar medidas

No Brasil, alguns destinos seguem o mesmo caminho. Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, implantou neste ano a Taxa de Turismo Sustentável, com valores que variam conforme o perfil da visita. A medida busca organizar o fluxo de turistas e financiar ações de preservação ambiental e infraestrutura, especialmente em áreas sensíveis como a Ilha Grande.

A implantação, porém, gerou forte reação de moradores, comerciantes e empresários do setor turístico. Protestos, questionamentos sobre os critérios de cobrança e até atos de vandalismo contra equipamentos do sistema marcaram o início da operação. Outro exemplo é o Jalapão (TO), onde uma taxa turística chegou a ser aprovada, mas teve sua aplicação suspensa pela Justiça após questionamentos sobre a legalidade da cobrança.

Nem sempre o objetivo é arrecadar

Em muitos casos, limitar o número de visitantes é considerado mais eficiente do que aumentar os preços. Diversos parques nacionais, ilhas e áreas de preservação ambiental passaram a exigir agendamento prévio ou estabelecer cotas diárias para evitar impactos sobre a fauna, a flora e a infraestrutura.

No Brasil, atrativos como Fernando de Noronha e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses já trabalham com mecanismos de controle da visitação em determinadas atividades. No exterior, destinos como Machu Picchu, nas Filipinas e em parques dos Estados Unidos também restringem o acesso em períodos de maior movimento.

Moradores pedem equilíbrio

O aumento do turismo trouxe benefícios econômicos para muitos destinos, mas também elevou o custo de vida, pressionou o mercado imobiliário e alterou a rotina das comunidades locais.

Em cidades europeias como Barcelona, protestos contra o turismo de massa tornaram-se frequentes. Moradores reivindicam medidas para reduzir a concentração de visitantes em determinadas áreas, controlar o aluguel de curta temporada e preservar a identidade dos bairros históricos.

Situações semelhantes começam a aparecer em destinos brasileiros com grande apelo turístico, onde moradores demonstram preocupação com a capacidade de suporte das cidades durante feriados prolongados e temporadas de verão.