Levantamento da Nomad mostra como os brasileiros adaptaram seus hábitos de consumo durante a Copa do Mundo de 2026 em destinos como Nova York, Miami e São Francisco - Foto: Divulgação

A Copa do Mundo de 2026 movimentou bilhões de reais na economia brasileira, mas seus impactos foram além das fronteiras do país. Um levantamento da Nomad, fintech especializada em soluções financeiras globais, traçou um panorama inédito sobre o comportamento dos brasileiros que viajaram para acompanhar o torneio nos Estados Unidos, Canadá e México, revelando como os turistas incorporaram costumes locais e transformaram sua forma de consumir durante a viagem.

Enquanto, no Brasil, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou uma movimentação de R$ 4,32 bilhões no varejo durante o Mundial, impulsionada principalmente por reuniões em casa, delivery e investimentos em televisores e streaming, no exterior o cenário foi diferente: o consumo passou a refletir o estilo de vida de cada cidade visitada.

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Nova York e Miami lideram a preferência dos brasileiros

Segundo o estudo, Nova York foi o principal destino dos clientes da Nomad durante a Copa, favorecida pela realização da final no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Miami apareceu na segunda colocação, confirmando sua posição como um dos principais pontos de entrada e encontro dos brasileiros nos Estados Unidos.

Na sequência aparecem São Francisco, Los Angeles, Toronto, Vancouver e Cidade do México, destinos que também registraram grande movimentação de turistas brasileiros durante a competição.

Hábitos mudam conforme a cidade

Um dos principais achados do levantamento é que os brasileiros tendem a adaptar seus hábitos de consumo ao estilo de vida local.

Em Miami, por exemplo, o tradicional churrasco deu lugar ao tailgating, prática bastante comum nos esportes norte-americanos, em que torcedores se reúnem nos estacionamentos dos estádios antes das partidas. Isso impulsionou as compras em grandes redes de supermercados, como Publix e Walmart, além do movimento na FIFA Fan Fest e no Hard Rock Cafe.

Já em São Francisco, predominou a praticidade. Os aplicativos Uber Eats e DoorDash concentraram boa parte das transações realizadas pelos brasileiros, indicando uma preferência por acompanhar os jogos diretamente das hospedagens utilizando serviços de entrega.

Em Nova York, o ritmo acelerado da cidade influenciou o comportamento dos visitantes. Redes como Starbucks, Shake Shack e McDonald’s lideraram o volume de compras, reforçando o modelo conhecido como grab & go, caracterizado por refeições rápidas entre passeios e deslocamentos.

Na Filadélfia, sede de partidas decisivas, os gastos se concentraram principalmente dentro dos estádios, onde alimentos e bebidas figuraram entre as principais despesas dos torcedores brasileiros.

Pagamentos digitais ganham protagonismo

O estudo também aponta que a digitalização das transações foi um dos principais comportamentos observados durante a Copa.

Segundo a Nomad, os brasileiros priorizaram o uso de carteiras digitais e pagamentos eletrônicos para realizar compras e administrar os gastos durante a viagem, reduzindo significativamente a utilização de dinheiro em espécie. A conta global da fintech funcionou como um centro financeiro para os viajantes, permitindo pagamentos em dólar, controle do orçamento e divisão de despesas em tempo real.

Para Bruno Guarnieri, CRO da Nomad, os dados mostram que o comportamento do consumidor brasileiro preserva sua essência, mas se adapta rapidamente às características culturais de cada destino.

“Os dados do mercado nacional mostram que o brasileiro transformou a Copa do Mundo em um grande evento voltado também para a gastronomia, conveniência e celebração. Nosso balanço prova que o torcedor que viajou para os Estados Unidos, México e Canadá manteve exatamente essa essência, mas adaptou o consumo ao estilo de cada cidade”, afirma o executivo.

Tendência que vai além da Copa

Embora tenha como base o período da Copa do Mundo, o levantamento revela tendências que tendem a permanecer nas viagens internacionais dos brasileiros. O crescimento dos pagamentos digitais, a busca por praticidade, a adoção de hábitos locais e o consumo cada vez mais personalizado reforçam uma mudança no perfil do viajante, que utiliza a tecnologia para tornar sua experiência mais simples, segura e integrada ao destino visitado.

O tema deverá ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas. O Turisnews prepara uma entrevista exclusiva com um porta-voz da Nomad para aprofundar as transformações no comportamento do viajante brasileiro, o avanço das soluções financeiras globais e as tendências que devem influenciar o turismo internacional nos próximos anos.

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