Foto: divulgação/Acervo Turisnews

O painel “ESG e Turismo no Rio: Desafios e Oportunidades para um Destino Sustentável” reuniu nomes de peso do setor turístico na última quinta-feira (24), durante o 7º Encontro Visit Rio – Rio de Negócios, no Hotel Grand Hyatt Rio de Janeiro. Em pauta, o desafio de transformar discursos em práticas concretas que unam preservação ambiental, inclusão social e boa governança. Participaram da conversa Gabriela da Silva Gonçalves, do Grupo Cataratas; Hélio Alves de Brito Jr., CEO da ESG Pulse; e Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur.

Abrindo o painel, Gabriela Gonçalves destacou o compromisso do Grupo Cataratas com a sustentabilidade e com a diversidade dentro da estrutura da empresa. “A sustentabilidade está no nosso DNA. Temos comitês em todos os parques com pessoas de diversas áreas, formadas em educação ambiental e social, que são multiplicadoras da nossa cultura”, explicou. Ela também apresentou o Comitê Plurais, voltado à valorização de grupos historicamente marginalizados. “A diversidade da equipe se reflete diretamente na experiência do visitante. É um efeito prático e poderoso.”

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Sobre o novo perfil de turista, Gabriela foi enfática ao afirmar que ele já é uma realidade. “A gente fala muito sobre turismo regenerativo. Não é só entreter, é transformar. Em Noronha, por exemplo, temos um programa em que o visitante planta uma muda nativa em área degradada. Ele sai de lá impactado e impactando.”

Já Hélio Alves de Brito Jr. abordou o ESG sob a ótica do mercado. “O ESG começa com intenção. Não é sobre ter verba, é sobre ter postura. Reciclar, tratar bem, respeitar. Isso já é ESG”, afirmou. Com base em normas da ABNT, ISO e ODS, sua empresa criou checklists objetivos para certificar empresas e agora também destinos turísticos. Mas ele fez um alerta: “Greenwashing não cola mais. É inegociável ter dados e transparência. Se você diz que é sustentável, precisa provar.”

Segundo Hélio, o eixo mais importante do ESG é o da governança. “É a governança que estrutura negócios saudáveis e duradouros. A nova geração quer trabalhar em empresas com base ética sólida. Não adianta dizer que é acessível se não for. Hoje, o mercado exige evidência.”

Representando a Embratur, Roberto Gevaerd ressaltou a importância de olhar para dentro antes de promover o país lá fora. “Antes de cobrar ESG dos outros, tivemos que mudar a casa. Fizemos o primeiro processo seletivo com 50% de vagas afirmativas. Mudamos a cara da Embratur. Isso muda também a forma como fazemos política pública.”

Gevaerd destacou ainda o potencial do Brasil no turismo internacional e como a tecnologia pode impulsionar esse caminho. “Criamos o EmbraturLAB aqui no Rio. A ideia é usar dados, inovação e parcerias com startups para gerar experiências mais autênticas e sustentáveis. A cidade boa para o turista tem que ser boa para quem vive nela.”

Sobre o crescimento do Rio no cenário global, com eventos como o G20 e a COP30, o diretor da Embratur foi direto: “Mais visibilidade significa mais responsabilidade. O Plano Brasil, por exemplo, nos deu uma base de dados inédita para orientar a promoção internacional. O Rio é central, mas queremos criar rotas que façam o turista ir além, para o interior do estado, para experiências que realmente tenham cara de Brasil.”

Com diferentes perspectivas que vão da operação à política pública, da certificação ao impacto social, o painel evidenciou que o turismo sustentável não é mais uma escolha, mas um novo padrão de atuação. E o Rio, pela sua centralidade e simbolismo, precisa estar na vanguarda desse movimento.