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Dois meses depois de incêndios florestais em Maui, a segunda maior ilha do Havaí, matarem 97 pessoas, destruírem a cidade histórica de Lahaina e queimarem mais de 2.100 acres, uma ordem estadual que desaconselhava viagens para a área foi suspensa no último domingo. Ainda não se sabe, no entanto, se e quando os hotéis e empresas locais estarão prontos para receber visitantes.

Maui continua em processo de recuperação, com escolas, centenas de empresas fechadas e milhares de desempregados, além de muita gente vivendo em alojamentos temporários e em hotéis locais. A decisão do governo estadual encontrou resistência entre moradores, que dizem que a medida foi precipitada, e 15 mil pessoas assinaram uma petição para adiar a reabertura.

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O prefeito do condado de Maui, Richard Bissen, disse que o retorno do turismo será gradativo. A reabertura começa apenas com hotéis na parte norte de West Maui recebendo hóspedes. Em um comunicado, o governador Josh Green classificou a medida como “uma reabertura suave que servirá tanto à população como às empresas locais”.

A ausência do turismo, principal motor econômico da ilha, ameaça com uma segunda crise. Desde os incêndios, Maui perdeu mais de US$ 13 milhões por dia em gastos de visitantes, de acordo com a Universidade do Havaí.

Seguem, abaixo, alguns pontos importantes para os visitantes da região.

Áreas abertas

As comunidades de Kaanapali, Napili, Honokowai e Kapalua, ao norte da região mais atingida pelos incêndios, estão agora abertas aos turistas. A cidade de Lahaina e seus arredores permanecem fechados aos turistas.

As viagens para outras áreas de Maui que não foram danificadas pelos incêndios, como Wailea, não foram suspensas.

No entanto, a reabertura não significa que todos os hotéis, restaurantes e outros negócios em West Maui estejam operando.

A primeira fase do plano de Bissen — abertura de hotéis e empresas em comunidades de Kapalua a Kahana — será avaliada antes do início de duas fases subsequentes, que se concentram em bairros mais ao sul, onde está alojado um maior número de moradores deslocados. Nenhuma data para essas últimas etapas foi anunciada.

Mufi Hannemann, presidente da Hawaii Lodging and Tourism Association, disse que a maioria dos hotéis quer obedecer as normas para a reabertura.

Hotéis

Os hotéis em West Maui abrirão de forma gradativa. Sob a orientação do prefeito, as empresas no trecho entre o Ritz Carlton, em Kapalua, até a Kahana Villa, em Kahana, foram autorizadas a abrir. Apenas alguns hotéis nesta área — incluindo o Ritz Carlton — receberão visitantes.

O que acontece depois disso é muito incerto, disse Hannemann, com os hotéis avaliando diariamente se e quando devem abrir.

Mais ao sul, em Wailea e Kihei, todos os principais hotéis e resorts já estão abertos. Em Wailea, o Fairmont Kea Lani está oferecendo aos hóspedes uma quinta noite grátis. Eles esperam atrair hóspedes que cancelaram anteriormente, com incentivos que incluem café da manhã gratuito e upgrades de quarto.

Nos últimos dois meses, hotéis operados por marcas locais e importantes, incluindo Marriott e Hyatt, abrigaram equipes de emergência e moradores atingidos pelos incêndios florestais, bem como seus próprios funcionários. A maior parte deste esforço habitacional está concentrada na área de Kaanapali. Alguns dos hotéis, como o Westin Maui Resort e o Hyatt Regency, não estão aceitando novas reservas até novembro.

Lahaina

Os moradores de Lahaina foram gradualmente autorizados a voltar a visitar suas propriedades. Mas a moradia permanente continua a ser uma crise. Esta semana, mais de 6.800 pessoas estavam hospedadas em hotéis da região, incluindo Hyatt Regency e Royal Lahaina Resort, em Kaanapali.

Turismo

Visitantes recentes comentaram, em redes sociais, que a ilha parece vazia, com centenas de quartos de hotel vagos, restaurantes movimentados fechados e praias desertas. Proprietários de restaurantes como Merriman’s, em Kapalua, disseram que não podem abrir sem mais turistas para mantê-los funcionando.

Em agosto, Maui relatou o menor número de chegadas e gastos de visitantes em mais de dois anos. Em comparação com agosto do ano passado, as chegadas de visitantes caíram de 266.176 para 112.259, ou 58%, e os gastos caíram 49%, de US$ 484 milhões para US$ 247 milhões.

O declínio do turismo repercutiu em todo o estado, com as chegadas de visitantes diminuindo cerca de 7% e os gastos caindo cerca de 8%, para US$ 1,58 bilhão em agosto passado, em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Turismo consciente

Autoridades estaduais e locais, líderes industriais e residentes descreveram o tipo de turismo que esperam cultivar após os incêndios como “consciente”, “atento” e “respeitoso”.

Mas este não é um sentimento novo no Havaí. O estado há muito tempo luta para equilibrar o turismo e os seus efeitos negativos — o aumento do aluguel e do preço das casas alimentando a escassez de habitação — com a sua dependência econômica da indústria.

Até recentemente, os moradores e as autoridades sinalizavam que o comportamento respeitoso não se limitava apenas a ficar longe de Lahaina, mas a evitar todos os bairros de West Maui.

Com informações do The New York Times