
A 2ª edição do Fórum de Turismo 60+, maior evento do setor que tem foco no turista sênior, aconteceu nesta segunda-feira (13), no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo. Com 300 presentes e mais de 30 expositores e 10 personalidades, entre painelistas e palestrantes, o evento discutiu a longevidade dos brasileiros e a importância dos destinos olharem com mais atenção a este público, que cresce a cada ano maior e já não representa aquela icônica imagem de pessoas com bengalas.
Ana Melo, idealizadora do evento, comandou a abertura relembrando a tragédia do Rio Grande do Sul e prestando apoio aos gaúchos. “Eu tenho certeza que a maior característica do brasileiro é a resiliência, a força e a união. Por isso, gostaria de pedir um minuto de silêncio em consideração às vítimas do estado do Rio Grande do Sul”.
Para continuar falando sobre o Rio Grande do Sul, Marta Rossi e Eduardo Zorzanello, representantes do Festuris Gramado, que tinham presença confirmada em São Paulo, mas por conta das chuvas não puderam vir, mandaram um vídeo que foi compartilhado com o público presente. “Gostaríamos de estar aí com vocês compartilhando este momento e saber mais sobre esse importante nicho do mercado, mas neste momento, o Rio Grande do Sul precisa que estejamos aqui”, explicou Marta.

O evento contou com apresentações de diversos destinos, que apresentaram os diferenciais para o público 60+. Mato Grosso do Sul, que foi o patrocinador master desta edição, apresentou com detalhes o Abismo de Anhumas, que possui um rapel elétrico de 72 metros de descida, capaz de atender PcDs e pessoas com mobilidade reduzida.
Lançamento do guia “Turismo da Maturidade no Estado de São Paulo”
Um dos pontos altos do Fórum foi o lançamento do guia “Turismo da Maturidade no Estado de São Paulo”, do governo do Estado de São Paulo, desenvolvido em parceria com a Revista Melhor Viagem. A publicação reúne 70 destinos com atrativos seguros, confortáveis e adaptados para receber o público 60+.
Roberto de Lucena, secretário de Turismo do Estado de São Paulo, destacou a relevância do tema e o lançamento do guia, disponível no link, “É uma satisfação participar e apoiar este evento singular, com o lançamento do guia “Turismo da Maturidade”, que traz os melhores destinos do estado prontos para receber esta enorme demanda”, ressaltou o secretário.
O turismo 60+ no estado de São Paulo
Luciana Leite, secretária executiva de Turismo do Estado de São Paulo, apresentou os dados reunidos na publicação, como o de que o estado recebe cerca de 46 milhões de turistas todos os anos, e destacou a importância de São Paulo, que é o maior receptor e emissor de turistas do Brasil, ter esse olhar para o viajante sênior.
Os 70 destinos apresentados no novo guia foram visitados e classificados em nove categorias: Saúde e Bem-estar; Compras; Passeios e Atividades ao ar livre; Religioso; Gastronomia; Natureza e Aventura; História e Cultura; Rural e Sol e Praia. “Temos 47 regiões turísticas definidas no Estado e destas, 30 foram contempladas neste guia. Começamos com 70 destinos, mas a nossa missão é visitar outros e ampliar este número nos próximos anos”, finalizou Luciana.

A Revolução da Longevidade e o perfil 60+ encontrado hoje
À frente do primeiro painel do dia, Rita Almeida, head de planejamento estratégico na AlmapBBDO, Thiago Akira, palestrante e consultor de Marketing Digital no Turismo, e Thais Medina, jornalista e fundadora da Business Factory, discutiram o comportamento do consumidor 60+ e o que é preciso para que uma marca consiga conversar diretamente com este nicho.
Rita começou desmistificando a figura do idoso e chamando a atenção para o envelhecimento da população. “Em três décadas, seremos o sexto país mais velho do mundo”. Para a pesquisadora, o brasileiro ainda é etarista, além disso, é senso comum enxergar a população idosa de forma estereotipada, focando em vulnerabilidades. “A revolução da longevidade já começou e é responsável por US $22 trilhões em gastos. Precisamos pensar no velho ativo, olhar para as forças dessas pessoas”, comentou.
Para instigar a plateia, Thais Medina propôs uma enquete ao vivo sobre os hábitos de compra dos clientes dos agentes de viagem. Para a plateia, 71% dos perfis de compra vêm por aplicativos de mensagem e 29% das vendas passam pelas redes sociais.
A profissional relembrou que a comunicação é essencial para atrair o público que se deseja, mas é necessário entender os subnichos que vem acompanhados de um recorte. “É importante a gente conhecer o nosso cliente de verdade. Só ser o 60+ não é o suficiente. Temos pessoas que gostam de contemplar a paisagem, temos perfis que querem viajar o mundo em uma moto e temos outros que querem apreciar uma boa comida. Todos eles podem estar no recorte 60+, mas que não consomem as mesmas coisas”, completou.

Empreendedorismo depois dos 60
Para falar sobre o empreendedorismo depois dos 60 anos, Guilherme Paulus, fundador da operadora e agência de viagens CVC, e Arnaldo Franken, líder do Grupo Arbo, foram convidados por Mariana Aldrigui, professora, doutora e pesquisadora vinculada à Universidade de São Paulo.
Arnaldo, que aos 72 anos, fundou o Diversa Turismo, relembra a fase de pandemia que atingiu todos os setores e como manteve uma empresa recém-criada durante o período. “Meu pai me ensinou que quem guarda, sempre tem”. O empreendedor acredita que o Brasil vende muito bem os destinos para o público com mais de 60 anos, apesar de não estar pronto para recebê-los. “Infelizmente a grande maioria dos hotéis não está estruturada para isso. São poucos quartos disponíveis para pessoas necessitadas, muitos resorts e hotéis não têm nem rampa de acesso. O nosso turismo não está bem preparado, mas nós temos um campo de venda enorme para isso”.
Já Guilherme relembrou sua trajetória no turismo que se iniciou aos 20 anos e comentou como sua empresa se prepara para olhar para o público com mais de 60 anos. “Não é mais só os 60+, mas os 80+. Nós fomos ganhando qualidade de vida e o Brasil ainda não olha com muito detalhe este público. Todo mundo falava que o idoso tinha que viajar de segunda a sexta, pela tarifa mais baixa, mas essa camada social também deseja curtir os destinos aos finais de semana”, comentou.
O segredo da longevidade com Helô Pinheiro
Helô Pinheiro, a musa que inspirou a canção “Garota de Ipanema”, foi a principal convidada do painel ‘Bem-estar e Longevidade’, que contou com Natália Dornellas, publicitária, jornalista e militante da “Bela Velhice”, e Rosana Beni, escritora e apresentadora de TV.
Helô Pinheiro, que completou oito décadas de vida, comentou que já alcançou a longevidade. “Nunca fumei, beber só um licorzinho”, comentou. Para a atriz, outro ponto importante foi cuidar do corpo e da mente. “Na minha época, a gente fazia ginástica pensando no bem-estar e na qualidade de vida”.
As convidadas comentaram sobre a importância de superar as barreiras da idade e encontrar lugares acessíveis e principalmente a atenção aos detalhes. “Há pouco tempo voltei meu olhar para a questão da acessibilidade nas minhas viagens, mas ainda é um desafio encontrar destinos que atendam as necessidades. Na Europa, por exemplo, temos a questão dos banheiros com banheira, como as pessoas com necessidades especiais tomam banho?”, relembrou Natália, destacando que o problema não se restringe ao Brasil.
Para finalizar, Helô Pinheiro entregou que o segredo da longevidade é continuar trabalhando. “Vai aproveitar, fazer uma viagem, espairecer, procurar outra oportunidade. A vida não para”, concluiu.
A Felicidade depois dos 60+
A atriz e escritora, Bruna Lombardi, marcou presença no 2º Fórum de Turismo 60+. Se recuperando de uma virose, a convidada participou de forma online comentando sobre a importância da felicidade na longevidade.
Bruna disse que o segredo da felicidade é a paixão. “Quando as pessoas não estão bem consigo mesmas, elas sequer têm vontade de se jogar para o mundo. Nós estamos nessa vida de passagem, ficamos pouco nesse lindo planeta e estamos aqui para buscar nosso propósito de felicidade”, completou.
Ao encerrar, a atriz ainda reforçou a importância de acreditar em si. “Diga para você mesmo: eu sou uma pessoa realizada, eu sou uma pessoa vitoriosa. Até que isso se torne realidade”, concordando que viajar, inclusive após a aposentadoria, é sempre uma atividade benéfica.














