Reconhecida como um dos principais polos históricos e culturais do cacau e do chocolate no Brasil, Ilhéus recebe, entre os dias 23 e 26 de julho, a 17ª edição do Chocolat Bahia. Realizado no Centro de Convenções de Ilhéus, o evento retorna à cidade onde foi criado em 2009 após consolidar sua expansão pelo Brasil e pela Europa, tornando-se a maior iniciativa do setor na América Latina.
Com entrada gratuita, o festival reunirá mestres chocolateiros, fabricantes, especialistas, produtores, cooperativas da agricultura familiar e milhares de visitantes em uma programação que combina gastronomia, negócios, capacitação e experiências ligadas à cadeia produtiva do cacau.
A Feira do Chocolate contará com cerca de 180 expositores de diferentes regiões da Bahia e mais de 80 marcas nacionais e internacionais. Além de chocolates finos e premiados, o público poderá degustar e adquirir produtos derivados do cacau, como polpa, mel, manteiga, geleias, nibs e cacau em pó.
Entre os destaques da programação está a Cozinha Show, que reunirá chefs e chocolatiers da Bahia e de São Paulo. Estão confirmados nomes como Dani Façanha, Carlos Ribeiro, Déia Lopes e Franklin Maia, que apresentarão receitas doces e salgadas inspiradas na gastronomia da Costa do Cacau.
Voltada ao público infantil, a Cozinha Kids oferecerá oficinas comandadas pela chef Karla Leal. Já o Atelier do Chocolate retorna em novo formato e terá como principal atração uma escultura em homenagem à cantora Carmen Miranda, produzida com mais de 120 quilos de chocolate pelo chef Léo Vilela. O trabalho poderá ser acompanhado ao vivo durante os quatro dias do evento.
A programação técnica inclui o Cacau Summit, que discutirá o tema “O Futuro da Cadeia do Cacau: Inovação, Sustentabilidade e Mercado”, reunindo especialistas, pesquisadores e representantes do setor. Já o ChocoDay terá como foco “O Chocolate Brasileiro que Conquista o Mundo”, abordando a crescente presença do produto nacional no mercado internacional.
O evento também terá uma agenda voltada ao público corporativo, com rodadas de negócios, encontros B2B e ações de networking entre produtores, compradores, investidores e representantes da indústria.
Segundo a organização, a expectativa é superar 90 mil visitantes durante os quatro dias de programação. A estimativa é de que o festival movimente mais de R$ 25 milhões em negócios e receitas, considerando tanto as vendas diretas ao consumidor quanto as negociações entre empresas, além dos impactos sobre a hotelaria, gastronomia, comércio e demais segmentos do turismo local.
“O Chocolat Festival começou em 2009, em Ilhéus, e hoje soma quase 50 edições realizadas no Brasil e na Europa. Ao longo desse período, ajudou a transformar a forma como o cacau e o chocolate brasileiros são percebidos. Antes, o cacau era praticamente um coadjuvante nas embalagens e na comunicação dos produtos. Hoje, tornou-se protagonista e o consumidor reconhece a importância dos chocolates com maior teor de cacau. Esse trabalho fortaleceu toda a cadeia produtiva e ampliou a visibilidade do cacau brasileiro no mercado nacional e internacional”, afirma Marco Lessa, CEO da MVU Empreendimentos e idealizador do evento.
Ilhéus e o legado do Chocolat Festival
Em 2026, o Chocolat Festival alcança a marca de 49 edições realizadas no Brasil e na Europa, sendo 17 delas em Ilhéus. Desde sua criação, a cidade baiana tornou-se a principal sede do evento e consolidou sua posição como referência nacional na produção de chocolates de origem.
Conhecida pelas obras de Jorge Amado como a terra do cacau, Ilhéus foi um dos principais centros da cacauicultura brasileira e teve papel decisivo para colocar o país entre os maiores produtores mundiais durante o século XX. A crise provocada pela vassoura-de-bruxa alterou esse cenário, mas impulsionou uma transformação da cadeia produtiva, com foco em chocolates finos, produção de origem e turismo de experiência.
O crescimento do Chocolat Festival acompanhou essa evolução. Na primeira edição, realizada em 2009, o evento reuniu apenas 13 estandes. Hoje, soma mais de 1,5 milhão de visitantes ao longo de sua história, ultrapassou 400 marcas participantes e expandiu sua realização para cidades como São Paulo, Salvador, Belém, Brasília e Porto, em Portugal.
“Na edição inaugural, o Chocolat Bahia tinha 13 estandes, sete deles doados e seis vazios. Dezessete anos depois, ultrapassamos 1,5 milhão de visitantes, mais de 400 marcas participantes e centenas de expositores, levando o festival para importantes centros brasileiros e também para Portugal”, relembra Marco Lessa.
O retorno do festival acontece em um momento de fortalecimento do turismo ligado ao cacau em Ilhéus. Nos últimos anos, a cidade consolidou a Estrada do Chocolate, roteiro que inclui visitas a fazendas produtoras, experiências ligadas ao sistema cabruca — cultivo realizado sob a sombra da Mata Atlântica — e o processo de fabricação de chocolates bean-to-bar, da amêndoa à barra.
Em 2025, Ilhéus também passou a ostentar oficialmente o título de Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate, concedido por lei federal. O reconhecimento reforça a importância histórica do município para a cacauicultura brasileira e evidencia a consolidação da região como polo produtor de chocolates finos e de origem, agregando valor à produção local.















