Luciana Melo é Country Director da Expedia TAAP Brasil - Foto: Divulgação

A influência de filmes e séries na escolha dos destinos, o crescimento das viagens motivadas por interesses específicos e a busca por experiências cada vez mais personalizadas estão redesenhando o comportamento do viajante. Um dos dados mais reveladores do Unpack ’26, estudo anual do Expedia Group, mostra que 81% dos viajantes da Geração Z afirmam que têm interesse em conhecer lugares vistos em produções audiovisuais, evidenciando como o turismo deixou de ser apenas deslocamento para se tornar uma experiência conectada ao estilo de vida.

Para Luciana Mello, gerente da Expedia TAAP no Brasil, essa transformação também muda o papel do agente de viagens. Em vez de competir com a inteligência artificial, o profissional deve utilizá-la como aliada para ganhar produtividade e dedicar mais tempo ao que realmente gera valor: a consultoria personalizada.

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“O papel do agente de viagens hoje é entender a inteligência artificial como uma facilitadora. A grande oportunidade está justamente em se diferenciar oferecendo experiências”, afirmou a executiva em entrevista ao Portal Turisnews.

Experiências passam a definir as escolhas

As tendências identificadas pelo Unpack ’26’ mostram que o viajante atual quer mais do que visitar um destino. Ele deseja viver experiências alinhadas aos seus interesses pessoais, sejam eles esportivos, gastronômicos, culturais ou ligados ao entretenimento.

Entre os destaques está o crescimento das chamadas Fan Voyages, viagens motivadas por paixões específicas. Luciana cita como exemplo o aumento das buscas por experiências relacionadas às competições de sumô no Japão, um movimento que ilustra como atividades antes consideradas de nicho passaram a influenciar a decisão de compra dos viajantes.

Outra tendência é o Set-Jetting, fenômeno impulsionado por filmes e séries. Destinos mostrados em produções como Emily in Paris e na nova animação Moana, ambientada na Polinésia, despertam cada vez mais o interesse dos turistas e ampliam as oportunidades para que agentes agreguem valor ao roteiro com recomendações exclusivas.

“Não basta reservar um hotel ou um voo. O diferencial está em sugerir experiências que o cliente talvez nem soubesse que existiam”, resume a executiva.

IA deve ampliar — e não substituir — a atuação do agente

Embora a inteligência artificial seja um dos temas mais debatidos atualmente no turismo, Luciana acredita que seu principal impacto será tornar os agentes mais produtivos.

Ao automatizar tarefas repetitivas e operacionais, a tecnologia permite que o profissional dedique mais tempo ao relacionamento com o cliente, ao acompanhamento das vendas e à criação de roteiros personalizados.

A própria Expedia TAAP já utiliza inteligência artificial para recomendar hospedagens de acordo com o perfil do viajante e aprimorar a experiência de reservas dentro da plataforma.

“Não adianta fechar os olhos para a inteligência artificial. Ela está aí para ajudar o agente a ganhar produtividade e oferecer um atendimento ainda mais consultivo”, destaca.

Novos comportamentos exigem consultoria

O estudo também identifica o avanço do chamado hotel hopping, prática em que o viajante opta por dividir a hospedagem entre dois ou mais hotéis durante uma mesma viagem para conhecer diferentes regiões e viver experiências distintas.

Para Luciana, esse comportamento evidencia que o conhecimento do agente de viagens continua sendo indispensável.

“É justamente aí que entra a expertise do agente. Ele consegue indicar qual hotel faz mais sentido para cada momento da viagem e para o perfil de cada cliente.”

O futuro será cada vez mais humano

Na avaliação da gerente da Expedia TAAP, o avanço tecnológico não reduz a importância dos agentes de viagens. Pelo contrário.

Quanto mais ferramentas estiverem disponíveis para automatizar processos, maior será o valor dos profissionais capazes de interpretar tendências, compreender o perfil dos clientes e transformar informações em experiências memoráveis.

“É assim que o agente continuará mostrando ao cliente a importância do seu trabalho em um mercado cada vez mais competitivo”, conclui.


Cinco tendências que devem marcar o turismo nos próximos anos

🎬 Set-Jetting
Filmes e séries seguem influenciando a escolha dos destinos, especialmente entre os viajantes mais jovens.

🎯 Fan Voyages
Viagens motivadas por paixões pessoais, como gastronomia, esportes, música e cultura, ganham espaço.

🏨 Hotel Hopping
Mais viajantes optam por experimentar diferentes hotéis durante a mesma viagem.

✨ Personalização
Experiências exclusivas e roteiros sob medida passam a ser prioridade na decisão de compra.

🤖 IA como aliada
A inteligência artificial assume tarefas operacionais, enquanto o agente fortalece seu papel como consultor.