
O mercado brasileiro de viagens corporativas vive uma nova fase. Mais do que organizar deslocamentos, reservar hotéis ou negociar tarifas, a gestão das viagens passou a ocupar um papel estratégico dentro das organizações, conectando áreas como compras, recursos humanos, financeiro, tecnologia e segurança para apoiar decisões de negócio e aumentar a eficiência operacional.
Essa transformação acompanha o crescimento do próprio setor. Segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV), o segmento movimentou R$ 147,8 bilhões em 2025, consolidando-se como um dos principais mercados da economia de serviços no país.
Durante o 3º Workshop Cosmos Turismo, realizado em Jaraguá do Sul (SC), a diretora-executiva da ALAGEV, Luana Nogueira, destacou que o sucesso de um programa de viagens depende cada vez menos de ações isoladas e mais da integração entre processos, tecnologia, fornecedores e pessoas.
“Cada ação dentro de um programa de viagens tem um propósito. Quando as responsabilidades estão definidas e os profissionais compreendem seu papel dentro da cadeia de decisão, a empresa consegue direcionar esforços para alcançar resultados alinhados aos seus objetivos e à sua estratégia”, afirmou a executiva.
Uma gestão que vai além da compra de passagens
A evolução do setor ampliou as responsabilidades dos gestores de viagens corporativas. Hoje, além de administrar fornecedores e garantir o cumprimento das políticas internas, esses profissionais participam da construção de estratégias voltadas para controle de custos, mitigação de riscos, experiência do colaborador e geração de inteligência para a empresa.
Essa visão integrada permite que as viagens deixem de ser analisadas apenas como despesa operacional e passem a contribuir diretamente para indicadores de desempenho e competitividade.
Os quatro pilares de um programa eficiente
Na avaliação da ALAGEV, os programas de viagens mais eficientes têm como base quatro elementos fundamentais:
- Processos bem definidos e políticas claras;
- Uso de tecnologia para controle e tomada de decisão;
- Relacionamento estratégico com fornecedores;
- Participação ativa dos profissionais envolvidos em todas as etapas da jornada.
Quando esses fatores atuam de forma integrada, as organizações conseguem reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e oferecer uma experiência mais segura e eficiente aos viajantes.
Dados transformam despesas em decisões estratégicas
Outro ponto destacado por Luana Nogueira foi o uso inteligente das informações geradas pelos programas de viagens.
A análise de indicadores, como a concentração de despesas em transporte aéreo, hospedagem e demais serviços, permite identificar oportunidades de negociação, revisar políticas internas e melhorar o aproveitamento dos recursos investidos.
Segundo a executiva, limitar a gestão apenas à busca pelas menores tarifas significa perder oportunidades importantes.
“Quando analisamos o setor de forma mais ampla, as organizações conseguem identificar oportunidades que vão além da redução de custos. O programa passa a contribuir para a eficiência operacional, a gestão de riscos, a experiência dos viajantes e a geração de informações que apoiam as decisões de negócio.”
Mercado aposta no compartilhamento de conhecimento
O avanço da gestão de viagens corporativas também passa pela troca de experiências entre empresas, fornecedores e gestores. Eventos especializados vêm ganhando importância justamente por reunir diferentes atores da cadeia para discutir tendências, desafios e boas práticas.
Na avaliação da ALAGEV, o fortalecimento desse ecossistema contribui para elevar o nível de profissionalização do mercado e preparar as empresas para um ambiente cada vez mais orientado por dados, tecnologia e eficiência.














