Paraty, cidade histórica do litoral sul do Rio de Janeiro, volta a ser o centro das atenções no cenário literário e cultural com a abertura da 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que acontece entre os dias 30 de julho e 3 de agosto de 2025. O evento, que homenageia o poeta curitibano Paulo Leminski, vai muito além da literatura: movimenta a economia local, impulsiona o turismo e transforma o município em um grande palco de encontros, debates e celebrações culturais.
O valor turístico da FLIP para Paraty
Antes de mais nada, é preciso destacar que a FLIP é um dos eventos de maior impacto turístico e econômico da região. A cidade, tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO, experimenta um aumento expressivo no fluxo de visitantes durante os dias do festival. A taxa de ocupação hoteleira costuma atingir o limite máximo, com milhares de turistas circulando pelas ruas de pedra do centro histórico, gerando renda para pousadas, restaurantes, bares, guias turísticos e comerciantes locais.
De acordo com estimativas da organização e dados de edições anteriores, o evento movimenta mais de R$ 40 milhões diretamente em Paraty, com receita global que ultrapassa os R$ 46 milhões. Além disso, estimula a contratação de mão de obra temporária, fomenta o turismo sustentável e posiciona a cidade como um polo cultural de projeção internacional.

Qual o tema da FLIP 2025?
Nesta edição, a FLIP presta homenagem ao poeta, tradutor, ensaísta e músico Paulo Leminski (1944–1989). Conhecido por sua poesia irreverente, experimental e profundamente influenciada pela cultura oriental, Leminski foi um dos nomes mais inventivos da literatura brasileira do século XX. Seu trabalho, que transita entre o concretismo, o haicai e a contracultura, inspira o eixo temático da programação, que visa discutir liberdade criativa, resistência política, humor e linguagem.
A curadoria destaca a multiplicidade de Leminski como símbolo da própria diversidade que a FLIP busca refletir: “Ele foi um poeta pop, filosófico e provocador, exatamente como buscamos que seja esta edição”, afirmou um dos curadores.
Quem são os convidados da FLIP 2025?
A programação principal da FLIP conta com 20 mesas literárias e mais de 100 participantes, entre autores, artistas e intelectuais do Brasil e do exterior. Dentre os nomes confirmados, estão:
- Arnaldo Antunes, que abre o evento;
- Gregório Duvivier, ator, escritor e roteirista;
- Marina Silva, ministra do Meio Ambiente;
- Rosa Montero, escritora espanhola;
- Ilan Pappé, historiador israelense;
- Cristina Rivera Garza, romancista mexicana;
- Nei Lopes, sambista e ensaísta;
- Marília Garcia e Cláudia Roquette-Pinto, poetas brasileiras.
A fim de promover o diálogo entre diferentes culturas, línguas e experiências de vida, a curadoria priorizou temas como literatura e democracia, arte e ancestralidade, corpo e escrita, e os desafios contemporâneos das narrativas periféricas e indígenas.
Programação completa e atividades paralelas
Com mais de 565 eventos distribuídos por 28 espaços, a FLIP 2025 expande sua programação para muito além da tenda principal. As atividades ocorrem em locais diversos como a Casa da Cultura, o Palco da Praia, o Palco Caprichos e Relaxos, o Sesc Paraty, e uma série de casas parceiras que promovem debates, lançamentos, performances, exposições e saraus.
O público também poderá conferir a Flip+, que reúne editoras independentes e iniciativas sociais, e a FlipZona, voltada para adolescentes e jovens. Para quem quer acompanhar tudo, a organização disponibilizou uma planilha interativa com a agenda completa dos eventos, disponível online no site oficial da festa.
O que é a Flipinha?
Acima de tudo, a formação de leitores também é prioridade na FLIP. A Flipinha, programa infantil da festa, tem como tema este ano o “Planeta Vivo”, propondo reflexões sobre meio ambiente, literatura e sensibilidade na infância.
A Flipinha oferece oficinas de arte e escrita, contação de histórias, rodas de leitura e apresentações de autores voltadas ao público infantil. Entre os destaques da edição estão participações de Roseana Murray, Denilson Baniwa, Inaldete Pinheiro e do próprio Gregório Duvivier. Pela primeira vez, o programa conta com um conselho curatorial composto por professores, escritores e artistas locais.
Paraty: uma cidade onde cultura, história e natureza se encontram
Paraty é uma das poucas cidades brasileiras que consegue unir, com tanta harmonia, o passado colonial, a diversidade cultural e a riqueza natural. A FLIP fortalece essa vocação e ajuda a projetar a cidade internacionalmente como um destino de turismo cultural e literário. Ao mesmo tempo em que preserva sua identidade, o município se renova anualmente com o olhar de escritores, leitores e artistas que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo.
Veja a programação completa da Flip 2025
Quarta-feira (30)
- 19h – Mesa 1: “Essa noite vai ter sol”
Autor: Arnaldo Antunes
Local: Auditório da Praça
Tema: Homenagem a Paulo Leminski através da música e poesia
Quinta-feira (31)
- 10h – Mesa 2: “Caprichos e relaxos”
Autores: Lilian Sais + Fabrício Corsaletti
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Tarso de Melo - 12h – Mesa 3: “Tristes tramas”
Autores: Neige Sinno + Anabela Mota Ribeiro
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Rita Palmeira - 15h – Mesa 4: “A casa, o mundo”
Autores: Alia Trabucco Zerán + Lilia Guerra
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Micheline Alves - 17h – Mesa 5: “Todas as formas”
Autores: Mar Becker + Monique Malcher
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Nanni Rios - 19h – Mesa 6: “A extraordinária vida comum”
Autores: Sandro Veronesi + Pedro Guerra
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Nanni Rios - 21h – Mesa 7: “Pequenos países, grandes movimentos”
Autores: Gaël Faye + GauZ’
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Adriana Ferreira Silva
Sexta-feira (1)
- 10h – Mesa 8: “Vide o verso”
Autores: Alice Ruiz + Claudia Roquette-Pinto + Marília Garcia
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Fernando Luna - 12h – Mesa 9: “O Brasil no espelho”
Autores: Ynaê Lopes dos Santos + Tiago Rogero
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Juliana Borges - 15h – Mesa 10: “Tudo que desabrocha”
Autores: Liv Strömquist + Giovana Madalosso
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Nanni Rios - 17h – Mesa 11: “Breve história do longo conflito”
Autor: Ilan Pappe
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Arlene Clemesha - 19h – Mesa 12: “O lugar da floresta”
Autora: Marina Silva
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Aline Midlej - 21h – Mesa 13: “Palavras: vida e obra”
Autor: Gregorio Duvivier
Local: Auditório da Matriz
Sábado (2)
- 10h – Mesa 14: “Senhora liberdade”
Autor: Nei Lopes
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Luiz Antonio Simas - 12h – Mesa 15: “Ser mulher na América Latina”
Autoras: Dahlia de la Cerda + Dolores Reyes
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Gabriela Mayer - 15h – Mesa 16: “Pertencer, transformar”
Autoras: Astrid Roemer + Verenilde Pereira
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Adriana Ferreira Silva - 17h – Mesa 17: “Invenção, memória”
Autoras: María Negroni + Cristina Rivera Garza
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Guilherme Freitas - 19h – Mesa 18: “A ridícula ideia de estar lúcida”
Autora: Rosa Montero
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Paulo Roberto Pires
21h – Mesa 19: “Roçar a língua de Camões”
Autores: Ricardo Araújo Pereira + Caetano Galindo
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Janaisa Viscardi
Domingo (3)
- 10h – Mesa 20: “Mesa Zé Kleber: espalhar poesia”
Autores: Sergio Vaz + Luís Perequê
Local: Auditório da Matriz
Mediação: Juliana Borges
Programação da Flipinha
Quinta-feira (31)
- 9h – Cortejo de abertura
- 10h30 – Respeitável público (Chico dos Bonecos)
- 13h – Uma aventura sensorial
- 14h – Meu coração quer aprender várias línguas (Denilson Baniwa + Heloisa Pires Lima)
- 15h30 – Hora do sonho (Antônia Gomes Minchoni + Gregorio Duvivier)
- 17h – Não fossem as margens por dentro
- 19h – Oficina de desenho expandido FlipZona (Antònio Jorge Gonçalves)
Sexta-feira (1)
- 9h – Natureza em quadrinhos (Alves)
- 10h30 – Pescando saberes com Têhêy (Liça Pataxoop)
- 13h – Chapeuzinho vermelho-limão
- 14h – Papo de dinossauro (Luiz Eduardo Anelli)
- 15h30 – Poesia é o que mora em mim (Roseana Murray)
- 17h – Palavra que vê, imagem que narra (Ondjaki + Antònio Jorge Gonçalves)
Sábado (2)
- 9h – Passarinhada aves daqui
- 9h30 – Brincar é ancestral (Tiago Nhandewa)
- 11h – O corpo é som (Barbatuques)
- 11h30 – 19ª regata INP Flipinha – abertura
- 14h – Raízes que cruzam oceanos (Inaldete Pinheiro + Paty Wolff)
- 15h30 – Palavra é canoa ligeira (Flávio de Araújo + Sergio Vaz)
- 17h – Com Gaël Faye, no país da expressão (Gaël Faye)
Domingo (3)
- 9h – O que você faria para que essa paisagem fosse ainda mais viva?
- 10h – Minha história num abraço
- 11h – Picadeiro de histórias
- 13h30 – Curtas FlipZona














