Flip 2022 — Foto: Divulgação/Flip

Paraty, cidade histórica do litoral sul do Rio de Janeiro, volta a ser o centro das atenções no cenário literário e cultural com a abertura da 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que acontece entre os dias 30 de julho e 3 de agosto de 2025. O evento, que homenageia o poeta curitibano Paulo Leminski, vai muito além da literatura: movimenta a economia local, impulsiona o turismo e transforma o município em um grande palco de encontros, debates e celebrações culturais.

O valor turístico da FLIP para Paraty

Antes de mais nada, é preciso destacar que a FLIP é um dos eventos de maior impacto turístico e econômico da região. A cidade, tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO, experimenta um aumento expressivo no fluxo de visitantes durante os dias do festival. A taxa de ocupação hoteleira costuma atingir o limite máximo, com milhares de turistas circulando pelas ruas de pedra do centro histórico, gerando renda para pousadas, restaurantes, bares, guias turísticos e comerciantes locais.

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De acordo com estimativas da organização e dados de edições anteriores, o evento movimenta mais de R$ 40 milhões diretamente em Paraty, com receita global que ultrapassa os R$ 46 milhões. Além disso, estimula a contratação de mão de obra temporária, fomenta o turismo sustentável e posiciona a cidade como um polo cultural de projeção internacional.

Qual o tema da FLIP 2025?

Nesta edição, a FLIP presta homenagem ao poeta, tradutor, ensaísta e músico Paulo Leminski (1944–1989). Conhecido por sua poesia irreverente, experimental e profundamente influenciada pela cultura oriental, Leminski foi um dos nomes mais inventivos da literatura brasileira do século XX. Seu trabalho, que transita entre o concretismo, o haicai e a contracultura, inspira o eixo temático da programação, que visa discutir liberdade criativa, resistência política, humor e linguagem.

A curadoria destaca a multiplicidade de Leminski como símbolo da própria diversidade que a FLIP busca refletir: “Ele foi um poeta pop, filosófico e provocador, exatamente como buscamos que seja esta edição”, afirmou um dos curadores.

Quem são os convidados da FLIP 2025?

A programação principal da FLIP conta com 20 mesas literárias e mais de 100 participantes, entre autores, artistas e intelectuais do Brasil e do exterior. Dentre os nomes confirmados, estão:

  • Arnaldo Antunes, que abre o evento;
  • Gregório Duvivier, ator, escritor e roteirista;
  • Marina Silva, ministra do Meio Ambiente;
  • Rosa Montero, escritora espanhola;
  • Ilan Pappé, historiador israelense;
  • Cristina Rivera Garza, romancista mexicana;
  • Nei Lopes, sambista e ensaísta;
  • Marília Garcia e Cláudia Roquette-Pinto, poetas brasileiras.

A fim de promover o diálogo entre diferentes culturas, línguas e experiências de vida, a curadoria priorizou temas como literatura e democracia, arte e ancestralidade, corpo e escrita, e os desafios contemporâneos das narrativas periféricas e indígenas.

Programação completa e atividades paralelas

Com mais de 565 eventos distribuídos por 28 espaços, a FLIP 2025 expande sua programação para muito além da tenda principal. As atividades ocorrem em locais diversos como a Casa da Cultura, o Palco da Praia, o Palco Caprichos e Relaxos, o Sesc Paraty, e uma série de casas parceiras que promovem debates, lançamentos, performances, exposições e saraus.

O público também poderá conferir a Flip+, que reúne editoras independentes e iniciativas sociais, e a FlipZona, voltada para adolescentes e jovens. Para quem quer acompanhar tudo, a organização disponibilizou uma planilha interativa com a agenda completa dos eventos, disponível online no site oficial da festa.

O que é a Flipinha?

Acima de tudo, a formação de leitores também é prioridade na FLIP. A Flipinha, programa infantil da festa, tem como tema este ano o “Planeta Vivo”, propondo reflexões sobre meio ambiente, literatura e sensibilidade na infância.

A Flipinha oferece oficinas de arte e escrita, contação de histórias, rodas de leitura e apresentações de autores voltadas ao público infantil. Entre os destaques da edição estão participações de Roseana Murray, Denilson Baniwa, Inaldete Pinheiro e do próprio Gregório Duvivier. Pela primeira vez, o programa conta com um conselho curatorial composto por professores, escritores e artistas locais.

Paraty: uma cidade onde cultura, história e natureza se encontram

Paraty é uma das poucas cidades brasileiras que consegue unir, com tanta harmonia, o passado colonial, a diversidade cultural e a riqueza natural. A FLIP fortalece essa vocação e ajuda a projetar a cidade internacionalmente como um destino de turismo cultural e literário. Ao mesmo tempo em que preserva sua identidade, o município se renova anualmente com o olhar de escritores, leitores e artistas que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo.


Veja a programação completa da Flip 2025

Quarta-feira (30)

  • 19h – Mesa 1: “Essa noite vai ter sol”
    Autor: Arnaldo Antunes
    Local: Auditório da Praça
    Tema: Homenagem a Paulo Leminski através da música e poesia

Quinta-feira (31)

  • 10h – Mesa 2: “Caprichos e relaxos”
    Autores: Lilian Sais + Fabrício Corsaletti
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Tarso de Melo
  • 12h – Mesa 3: “Tristes tramas”
    Autores: Neige Sinno + Anabela Mota Ribeiro
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Rita Palmeira
  • 15h – Mesa 4: “A casa, o mundo”
    Autores: Alia Trabucco Zerán + Lilia Guerra
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Micheline Alves
  • 17h – Mesa 5: “Todas as formas”
    Autores: Mar Becker + Monique Malcher
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Nanni Rios
  • 19h – Mesa 6: “A extraordinária vida comum”
    Autores: Sandro Veronesi + Pedro Guerra
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Nanni Rios
  • 21h – Mesa 7: “Pequenos países, grandes movimentos”
    Autores: Gaël Faye + GauZ’
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Adriana Ferreira Silva

Sexta-feira (1)

  • 10h – Mesa 8: “Vide o verso”
    Autores: Alice Ruiz + Claudia Roquette-Pinto + Marília Garcia
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Fernando Luna
  • 12h – Mesa 9: “O Brasil no espelho”
    Autores: Ynaê Lopes dos Santos + Tiago Rogero
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Juliana Borges
  • 15h – Mesa 10: “Tudo que desabrocha”
    Autores: Liv Strömquist + Giovana Madalosso
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Nanni Rios
  • 17h – Mesa 11: “Breve história do longo conflito”
    Autor: Ilan Pappe
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Arlene Clemesha
  • 19h – Mesa 12: “O lugar da floresta”
    Autora: Marina Silva
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Aline Midlej
  • 21h – Mesa 13: “Palavras: vida e obra”
    Autor: Gregorio Duvivier
    Local: Auditório da Matriz


Sábado (2)

  • 10h – Mesa 14: “Senhora liberdade”
    Autor: Nei Lopes
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Luiz Antonio Simas
  • 12h – Mesa 15: “Ser mulher na América Latina”
    Autoras: Dahlia de la Cerda + Dolores Reyes
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Gabriela Mayer
  • 15h – Mesa 16: “Pertencer, transformar”
    Autoras: Astrid Roemer + Verenilde Pereira
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Adriana Ferreira Silva
  • 17h – Mesa 17: “Invenção, memória”
    Autoras: María Negroni + Cristina Rivera Garza
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Guilherme Freitas
  • 19h – Mesa 18: “A ridícula ideia de estar lúcida”
    Autora: Rosa Montero
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Paulo Roberto Pires
    21h – Mesa 19: “Roçar a língua de Camões”
    Autores: Ricardo Araújo Pereira + Caetano Galindo
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Janaisa Viscardi

Domingo (3)

  • 10h – Mesa 20: “Mesa Zé Kleber: espalhar poesia”
    Autores: Sergio Vaz + Luís Perequê
    Local: Auditório da Matriz
    Mediação: Juliana Borges

Programação da Flipinha

Quinta-feira (31)

  • 9h – Cortejo de abertura
  • 10h30 – Respeitável público (Chico dos Bonecos)
  • 13h – Uma aventura sensorial
  • 14h – Meu coração quer aprender várias línguas (Denilson Baniwa + Heloisa Pires Lima)
  • 15h30 – Hora do sonho (Antônia Gomes Minchoni + Gregorio Duvivier)
  • 17h – Não fossem as margens por dentro
  • 19h – Oficina de desenho expandido FlipZona (Antònio Jorge Gonçalves)

Sexta-feira (1)

  • 9h – Natureza em quadrinhos (Alves)
  • 10h30 – Pescando saberes com Têhêy (Liça Pataxoop)
  • 13h – Chapeuzinho vermelho-limão
  • 14h – Papo de dinossauro (Luiz Eduardo Anelli)
  • 15h30 – Poesia é o que mora em mim (Roseana Murray)
  • 17h – Palavra que vê, imagem que narra (Ondjaki + Antònio Jorge Gonçalves)

Sábado (2)

  • 9h – Passarinhada aves daqui
  • 9h30 – Brincar é ancestral (Tiago Nhandewa)
  • 11h – O corpo é som (Barbatuques)
  • 11h30 – 19ª regata INP Flipinha – abertura
  • 14h – Raízes que cruzam oceanos (Inaldete Pinheiro + Paty Wolff)
  • 15h30 – Palavra é canoa ligeira (Flávio de Araújo + Sergio Vaz)
  • 17h – Com Gaël Faye, no país da expressão (Gaël Faye)

Domingo (3)

  • 9h – O que você faria para que essa paisagem fosse ainda mais viva?
  • 10h – Minha história num abraço
  • 11h – Picadeiro de histórias
  • 13h30 – Curtas FlipZona