Durante o evento Conexão GOL, realizado na sede da companhia aérea em São Paulo, na última quinta-feira (10), jornalistas puderam conhecer os bastidores da operação aérea brasileira, revelando dados, experiências e análises sobre os principais desafios enfrentados pelo setor. Com foco especial no período de alta temporada de julho, a GOL Linhas Aéreas revelou detalhes sobre o funcionamento da sua malha aérea, o trabalho do Centro de Controle de Operações (CCO), os bastidores da rotina nos aeroportos e os investimentos que vêm garantindo à companhia o título de mais pontual do Brasil e da América Latina.
O diretor executivo de Planejamento de Malha, Rafael Araújo, abriu o evento com um diagnóstico abrangente do setor. Segundo ele, a aviação civil é sustentada por uma rede global complexa e altamente regulada. A ICAO (braço da ONU), a IATA e, no Brasil, a ANAC, são responsáveis por estabelecer padrões e supervisionar as práticas do setor.
No Brasil, apesar da alta demanda e do tamanho continental, há apenas três grandes companhias operando no mercado doméstico. “Em um país desse porte, o número de competidores é surpreendentemente baixo”, pontuou Rafael. Ele apontou a alta carga tributária, a judicialização e os custos operacionais como os principais entraves ao crescimento. Ainda assim, sinalizou otimismo com os primeiros sinais de recuperação: entre janeiro e maio de 2025, houve um crescimento de 5% no número de passageiros pagantes em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Na sequência, a Coordenadora de Continuidade e Gestão de Crises, Heloísa Diniz, reforçou que, em uma indústria altamente sensível como a aviação, segurança é um valor inegociável. Com 709 voos diários e uma taxa de ocupação de 97%, a operação da GOL exige preparo constante para lidar com emergências e eventuais crises. Ela destacou a existência de sistemas internos sofisticados, como a nomeação padronizada de incidentes e a integração de diferentes áreas por meio de grupos específicos de resposta. Além de preparar a equipe para casos como emergências médicas, a GOL também treina seus times para lidar com o impacto de situações que viralizam nas redes sociais.
Heloísa também falou sobre simulações frequentes de acidentes e, mais recentemente, de ataques cibernéticos, que estão entre os novos riscos enfrentados pelo setor. Em casos de acidentes reais, destacou o cuidado com a notificação de familiares, ressaltando que apenas três pessoas da empresa têm acesso à lista de passageiros nas horas iniciais, sendo essa uma medida para preservar a dignidade das vítimas.
O diretor do Centro de Controle de Operações (CCO), Eduardo Calderón, detalhou o funcionamento da sala de controle que sustenta a operação aérea em tempo real. Um dos destaques foi a contratação recente de um meteorologista exclusivo para aumentar a precisão das decisões de voo, que são altamente sensíveis ao clima. Ele apresentou a lógica por trás da composição de rotas, cálculo de combustível, alocação de tripulantes, logística de manutenção e planejamento de cargas. Com mais de 100 trilhos (sequências de voos diários) sendo operados em julho, a malha aérea precisa ser minuciosamente planejada, com cerca de 300 dias de antecedência, e executada com flexibilidade para lidar com imprevistos. “A única certeza que temos no CCO é que o planejado não vai acontecer exatamente como previsto”, resumiu.
Ana Cristina, Diretora de Aeroportos da GOL, encerrou o ciclo de falas destacando a dimensão da operação em solo: em picos como julho, a companhia chega a realizar 690 voos por dia, com mais de 90 mil passageiros e 40 mil bagagens despachadas. Cerca de 85% dos clientes já fazem o check-in digital, o que reposiciona o celular como o centro da jornada do passageiro. Ela ressaltou que mais de mil passageiros por dia precisam de assistência especial, como o uso de cadeiras de rodas, e que o atendimento a esse público exige preparo e empatia do time, formado por mais de 3 mil colaboradores.
A executiva explicou a dinâmica entre companhias aéreas e concessionárias, detalhando as responsabilidades sobre infraestrutura, portões, raio-x, e rastreamento de bagagens. O novo comportamento dos passageiros, com maior volume de bagagens de mão, tem exigido mudanças no processo de embarque e novas estratégias de educação do consumidor. “O aeroporto é um ambiente estressante, com muitos setores se cruzando. Tudo precisa funcionar em sincronia: desde o acesso até o finger do embarque”, resumiu.
O evento Conexão GOL evidenciou que a aviação é uma indústria que opera na interseção entre alta complexidade, exigência regulatória e atenção ao cliente. Entre os principais desafios estão os entraves estruturais do país, mas também há um movimento interno forte de modernização e integração tecnológica.















