Em um mundo cada vez mais digital e interconectado, promover o Brasil como destino turístico vai muito além das campanhas tradicionais. Foi com essa premissa que o painel “Conectando Destinos: Como plataformas, a comunicação e a tecnologia podem impulsionar o turismo internacional no Brasil?”, promovido pela Embratur e realizado no estande da EmbraturLAB em parceria com a Itaipu Parquetec, reuniu especialistas em jornalismo, plataformas digitais e turismo para discutir inovação, dados e narrativas estratégicas como ferramentas essenciais para aumentar a visibilidade e o desejo pelos destinos brasileiros no cenário global.
Participaram da conversa Ricardo Moreno e Germán Carmona, fundadores da The Summer Hunter, plataforma que une jornalismo, lifestyle e turismo, com forte presença digital. Mediado por Allexia Galvão, da Embratur, o encontro trouxe reflexões sobre como novas formas de comunicação podem transformar a forma como o Brasil é apresentado dentro e fora do país.
Moreno abriu a mesa explicando a origem da The Summer Hunter, que começou há 11 anos com foco em destinos litorâneos:
“Na medida que os anos foram passando, a gente foi amadurecendo a ideia e entendendo que verão era mais do que a estação do ano, era um estado de espírito. De que maneira a gente poderia falar de outros temas, não necessariamente de praia ou de verão como a estação do ano, mas sempre aplicando essa lente solar positiva, sustentável, jovem, responsável e, acima de tudo, jornalisticamente responsável.”
Carmona reforçou a importância do jornalismo na construção de narrativas sobre destinos e destacou a falta de veículos especializados no Brasil:
“A gente entendeu que há alguns anos já no Brasil, a gente ficou um pouco órfão de veículos ou publicações específicas sobre os destinos brasileiros. Tem gente jovem aqui que talvez nem lembre do que era o Guia Quatro Rodas, quando a gente saía de carro pelo Brasil.” Segundo ele, com o avanço da tecnologia e da digitalização, colunas de turismo em jornais impressos foram sendo reduzidas, abrindo espaço para novas formas de contar histórias.
Com essa lacuna no mercado, os fundadores perceberam a necessidade de criar conteúdo que apresentasse o Brasil de maneira autêntica, com dicas, contextos e olhares únicos sobre diferentes regiões. “A gente fala sobre regiões, tem lugares que são grandes o suficiente para a gente fazer micro-guias, ou lugares que a gente consegue falar dos super-guias de regiões”, explicou Moreno.
“A gente não se propõe a fazer um guia completo, abrangente, de falar todos os hotéis. É um recorte com a visão do The Summer Hunter, com a visão do que a gente entende que o público do The Summer Hunter quer ler.“
Esses miniguias, distribuídos por meio de revista, newsletter, redes sociais, podcast, clube de benefícios, eventos e até um estúdio criativo, reúnem dicas de hospedagem, gastronomia, passeios e curiosidades locais, indo além do turismo tradicional. Para os fundadores, o conteúdo precisa ter identidade e gerar conexão.
“Mais do que vender cenário, a gente entrega contexto. Um destino só se sustenta quando tem história, gente e verdade por trás”, afirmou Moreno. A proposta da plataforma é valorizar a cultura, as pessoas e a economia criativa, pilares que, segundo os dois, são fundamentais para um turismo mais sustentável e transformador.
Carmona destacou ainda a importância de o Brasil entender qual história deseja contar ao mundo:
“Sem posicionamento de país, não há campanha de turismo que se sustente.” Ele citou exemplos de destinos como Tailândia, Caribe e Turquia, que conseguiram construir uma comunicação forte e desejável ao redor de suas identidades nacionais.
O painel também abordou os desafios de se distribuir conteúdo editorial independente internacionalmente e a importância de equilibrar desejo e acessibilidade. Os dados de engajamento da própria plataforma mostram que os miniguias de fim de semana, mesmo que não sejam os mais curtidos, são os mais salvos e compartilhados, o que evidencia sua relevância como referência de consulta.
Com base nesse termômetro, o The Summer Hunter vem ajustando sua estratégia editorial para oferecer não só belas imagens, mas também “informação útil, crítica e que contribua para transformar a relação dos viajantes com os destinos visitados”, como destacou Moreno.
A conclusão do painel deixou uma mensagem clara: comunicar o turismo brasileiro é muito mais do que promover paisagens. É sobre criar vínculos verdadeiros, valorizar o que o país tem de único e mostrar o Brasil em toda a sua complexidade e riqueza, tanto para quem vive aqui quanto para quem vê de fora.















