Belém, capital do Pará, está se preparando para ser o palco da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá entre 10 e 21 de novembro de 2025. A cidade, com sua rica história e importância ambiental, está se transformando em uma vitrine de infraestrutura urbana para receber delegações de mais de 193 países, ativistas, diplomatas, empresários e jornalistas.
A preparação para a COP30 está levando a cidade a um grande processo de modernização. Com mais de 30 obras em andamento, Belém está recebendo investimentos significativos para melhorar a infraestrutura urbana, segurança e mobilidade, com destaque para a ampliação do sistema de transporte público, como o BRT Metropolitano, e a construção de viadutos e novos acessos. A Rua da Marinha, por exemplo, terá sua capacidade de tráfego aumentada de duas para seis faixas de rolamento, beneficiando vários bairros da cidade.
A criação do Parque da Cidade, que ocupará a área de um antigo aeroporto, também é um dos principais legados da COP30. Este parque, que será entregue após a conferência, terá áreas verdes, um museu da aviação, um centro de economia criativa e um boulevard gastronômico, proporcionando um novo espaço de lazer e cultura para a população.
Com a expectativa de receber mais de 60 mil pessoas, Belém enfrentará um grande desafio: a ampliação de sua rede hoteleira. Atualmente, a cidade conta com 18 mil leitos de hotel, mas espera chegar a 45-50 mil leitos até o evento, com a construção de novos hotéis de alto padrão e a modernização dos existentes. Além disso, 17 escolas públicas serão transformadas em hostels temporários, e transatlânticos serão usados como hotéis flutuantes, ampliando ainda mais a oferta de acomodações.
A associação da indústria hoteleira local, ABIH-PA, está trabalhando para garantir que todos os turistas, delegações e visitantes tenham uma experiência confortável durante a conferência, com destaque para a criação de novos empreendimentos e a qualificação da mão de obra local.
O evento, que será realizado em uma cidade da Amazônia, traz consigo grandes expectativas sobre o protagonismo de Belém e da região amazônica nas discussões globais sobre mudanças climáticas. As professoras Lise Vieira da Costa Tupiassu Merlin e Roberta Menezes Rodrigues ressaltam a importância da COP30 para a Amazônia, mas também alertam para os desafios relacionados à sustentabilidade e justiça social.
Para Tupiassu Merlin, a COP30 oferece uma oportunidade única para que a região se posicione no debate sobre mudanças climáticas. No entanto, ela enfatiza que é necessário um esforço contínuo para garantir que os benefícios do evento sejam duradouros e realmente impactem a população local, sem fomentar a valorização imobiliária que possa levar à remoção de famílias.
O investimento total do governo federal nas intervenções para a COP30 ultrapassa R$ 4,7 bilhões, o que inclui desde melhorias no transporte até a construção de centros administrativos e a modernização do aeroporto. O Aeroporto Internacional de Belém, que já bateu recorde de passageiros em 2024, está passando por melhorias para atender à demanda crescente, com capacidade de receber até 7,7 milhões de passageiros por ano.
A cidade, portanto, vive um momento de transformações significativas, com um legado que pode beneficiar não apenas a infraestrutura urbana, mas também o setor turístico e a imagem de Belém no cenário internacional. Contudo, a professora Roberta Menezes adverte para a necessidade de um desenvolvimento mais equilibrado, que considere as necessidades da população local, especialmente nas áreas de moradia e sustentabilidade.
A COP30 representa uma grande oportunidade para Belém, mas também exige um planejamento cuidadoso para que os investimentos e as mudanças não tragam consequências negativas para os moradores mais vulneráveis da cidade.
Fonte: Agência Brasil














