Barreado - Foto: Divulgação

O Barreado é um dos pratos típicos de Curitiba. Durante a Convenção da Schultz, na capital paranaense, os agentes puderam conhecer e provar a iguaria, no Restaurante Stazione, que fica à beira do rio Marumbi, em Morretes. O local, inaugurado no último dia 21 de fevereiro, tem capacidade para 250 pessoas e tem o prato como carro chefe.

“Nossa receita é secular. A minha falecida bisavó, que faleceu com 106 anos e minha avó, Cecília Barbosa Lamine, que está viva com 93, devo a elas o sucesso do barreado”, contou o dono do restaurante, Daniel Schmidt.

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Segundo ele, sua bisavó e sua avó tinham um restaurante em Antonina há mais de 70 anos atras e transferiram as responsabilidades para sua mãe. “Eu comecei com 16 anos na lanchonete e aos 18 comecei a empreender e comecei a fazer o barreado. Viemos para cá há 14 anos e já estamos na quarta geração produzindo o barriado aqui para atender o público, tanto do Paraná, do Brasil e pessoas de fora do país”, afirma.

O Barreado

o Barreado do Litoral foi o centésimo produto brasileiro reconhecido com a Indicação Geográfica (IG), que garante padrões de preparo e qualidade a produtos típicos de determinada região. O prato, que possui preparo típico e segue tradições de mais de 200 anos, foi registrado na modalidade Indicação de Procedência (IP). A Indicação Geográfica foi concedida à Associação de Restaurantes e Similares de Morretes e Região, que engloba 11 restaurantes de Morretes, Antonina e Paranaguá. O pedido de registro, que recebeu apoio do Sebrae/PR, foi protocolado em de abril de 2021, mas o processo para buscar o reconhecimento vinha desde 2014.

A história do barreado

A origem do prato é atribuída aos portugueses que vieram ao litoral do Paraná no século XVIII. Os registros antigos indicam a vila de Guaraqueçaba como a disseminadora da receita. O tempero do prato seguiu junto com outras manifestações culturais para o continente, entre elas o fandango, dança de tamancos ao som da rabeca.

Para o folclore paranaense, o barreado é símbolo de fartura, festa e alegria. O nome do prato vem da expressão “barrear” a panela, com um pirão de cinza ou farinha de mandioca, para evitar que o vapor escape e o cozido não seque depressa – Essa é uma influência da gastronomia portuguesa.

Como preparar

O preparo tradicional do Barreado do Litoral foi herdado da região de Açores, de Portugal, mas acabou adaptado à realidade do Litoral paranaense, com o uso de alimentos típicos da região. O prato é feito à base de carne bovina, que é cozida por no mínimo oito horas em uma panela fechada com goma de farinha de mandioca. Após o cozimento, a carne desmanchando é servida com farinha de mandioca branca e banana, segundo a documentação apresentada ao INPI.

 “A goma de mandioca sela o recipiente, que funciona como uma panela de pressão. Quando a carne ferve, a massa de mandioca racha para liberar a pressão, assim como a válvula da panela. É a partir desse momento que começa a contagem do cozimento”, explica Tania Madalozo. “Para ter o certificado, os restaurantes do Litoral precisam seguir todas as etapas e também utilizar os ingredientes específicos incluídos na documentação”.

Receita de barreado

Apesar de a receita ser simples, cuidados com o tempo de preparo e o tipo de carne devem ser observados para que ao barreado fique na textura adequada para ser apreciado. Confira a receita do Restaurante Casarão, que serve seis pessoas.

Ingredientes:

  • 2 kg carne de segunda (lombo, paleta, músculo)
  • 2kg de cebola bem picada
  • 100g de bacon picado
  • 100g alho
  • 100g de toucinho
  • Uma colher de sobremesa rasa, de cominho puro moído
  • Seis folhas de louro
  • Farinha de mandioca
  • Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de fazer:

Corte a carne em cubos de mais ou menos cinco centímetros. No fundo da panela de pressão, coloque a carne e todos os ingredientes por cima. Cubra todo o conteúdo com água.

Acrescente mais água até cobrir um terço do que havia sobrado sem conteúdo na panela. Feche e coloque para cozinhar por três horas.

O ponto certo da carne é quando ela está fibrosa e começa a se desmanchar quando é tocada com o garfo.

É importante que a carne seja de segunda, pois esse tipo possui mais fibras e aguenta melhor o tempo de cozimento.

Carnes como alcatra e mignon, por exemplo, se desmancham completamente, transformando-se apenas em caldo.

Servindo:

Para servir, deve-se colocar duas colheres da farinha para duas conchas de barreado fervendo em um prato fundo. É importante que a carne esteja muito quente para que ajude a cozinhar um pouco da farinha no momento da mistura.

Como acompanhamento, a sugestão é banana.