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A Aena investe para desenvolver o polo hoteleiro no entorno dos seus aeroportos no litoral do Nordeste. A concessionária lançou quatro editais que contemplam Recife, Maceió, João Pessoa e Aracaju. As oportunidades somam pelo menos R$ 150 milhões em investimentos previstos, abrangem aproximadamente 20 mil metros quadrados de áreas disponíveis e têm potencial para implantação de ao menos 650 apartamentos, número que poderá variar de acordo com os projetos apresentados pelos proponentes. 

As áreas serão destinadas à implantação, desenvolvimento e operação de hotéis por meio de investidores privados. Os contratos terão prazo de até 60 anos, sujeito às aprovações regulatórias do setor, e preveem receitas que vão além da hospedagem, incluindo alimentação e bebidas, eventos, conveniências, locação de espaços e estacionamento, além de potencial para estimular novos negócios e empregos indiretos nas cadeias de serviços ligadas aos aeroportos. A iniciativa integra a estratégia da Aena de ampliar os serviços disponíveis em seus aeroportos e desenvolver o potencial imobiliário das áreas sob sua gestão.

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Os editais reforçam a estratégia de real estate da Aena no Brasil, voltada ao desenvolvimento de áreas aeroportuárias com potencial para receber novos serviços, atividades econômicas e oportunidades de investimento. Inspirado no conceito de Airport City, ou cidade aeroportuária, o modelo amplia o papel tradicional dos aeroportos ao integrar hotelaria, varejo, serviços, logística e conveniências ao entorno dos terminais, de acordo com a vocação de cada mercado. A categoria mínima exigida nos projetos é Economy para Maceió, João Pessoa e Aracaju e Midscale para Recife, permitindo, no entanto, propostas em segmentos superiores. 

Demanda crescente sustenta oportunidades para além do verão
O lançamento ocorre em um contexto de expansão consistente da aviação e do turismo na região. Os aeroportos do Recife, de Maceió, João Pessoa e Aracaju movimentaram, juntos, mais de 16 milhões de passageiros em 2025.

O Recife liderou o movimento, com 9,94 milhões de passageiros, seguido por Maceió (2,98 milhões), João Pessoa (1,89 milhão) e Aracaju (1,38 milhão). A tendência de crescimento se manteve em 2026. No primeiro semestre, o fluxo de passageiros avançou 4,5% em Recife, 8,4% em Maceió, 9,5% em João Pessoa e 5,4% em Aracaju na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os números reforçam uma demanda que vai além da alta temporada de verão, impulsionada por viagens corporativas, eventos, turismo regional e aumento da conectividade aérea. Nesse contexto, a hotelaria amplia a oferta de serviços no ambiente aeroportuário, com possibilidade de atender passageiros em conexão, viajantes a negócios, tripulações, hóspedes com voos em horários extremos e também a demanda gerada pelos próprios destinos.

“O crescimento desses mercados vai muito além dos meses de verão. A movimentação se mantém ao longo de todo o ano, sustentada pelo turismo, pelas viagens de negócios, pelos eventos e pela expansão da malha aérea. A hotelaria surge como uma extensão natural desse ecossistema, agregando conveniência aos passageiros e novas possibilidades de desenvolvimento nos aeroportos”, afirma Juan José Sánchez, Diretor Comercial da Aena Brasil.

Mercado hoteleiro em expansão
As concessões são lançadas em um momento positivo para o setor de hotelaria no país. Segundo o Panorama da Hotelaria Brasileira 2026, da HotelInvest e do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), existem atualmente 178 hotéis em desenvolvimento no Brasil, totalizando cerca de 26 mil apartamentos e R$ 13,6 bilhões em investimentos previstos.

Para a Aena, os projetos refletem características distintas de cada mercado. Recife concentra o maior investimento previsto, de R$ 82 milhões, e o maior potencial de apartamentos. Maceió possui a maior área disponível. João Pessoa se destaca pelo crescimento acelerado da demanda aérea. Já Aracaju integra uma estratégia imobiliária mais ampla, que contempla usos corporativos, comerciais, logísticos e de serviços.

Segundo o diretor comercial da Aena, esses projetos fazem parte de uma estratégia que olha para o potencial imobiliário dos aeroportos de acordo com a vocação de cada mercado. O objetivo é ampliar os serviços oferecidos aos passageiros e criar novas oportunidades de desenvolvimento em torno da infraestrutura aeroportuária. A combinação das operações permite aos investidores trabalhar o desenvolvimento de cada ativo de acordo com as características do mercado local, mantendo em comum a localização aeroportuária, o horizonte contratual de longo prazo e a possibilidade de receitas que vão além da hospedagem. 

Longo ciclo de investimentos
Nos últimos anos, a concessionária investiu cerca de R$ 2 bilhões em infraestrutura, equipamentos e serviços para modernizar os aeroportos que administra no Nordeste do país. Os recursos foram aplicados na renovação completa de terminais de passageiros, que ganharam novos fingers (pontes de embarque), esteiras de processamento e devolução de bagagens, elevadores, escadas rolantes, leitores eletrônicos de cartões de embarque e mais uma série de melhorias para o aumento da eficiência operacional. Outro ponto que mereceu especial atenção foi a oferta comercial, que passou a dispor de mais lojas, cafés, restaurantes e salas VIP, ampliando a comodidade e as facilidades para os passageiros. Além disso, pistas e pátios também sofreram intervenções para o aumento da segurança e para comportar o crescimento da movimentação.

AeroportoÁrea aproximadaInvestimento mínimoReferência de apartamentos*Categoria mínima
Recife4.846 m²R$ 82 milhões259Midscale
Maceió8.682 m²R$ 30 milhões177Economy
João Pessoa5.415 m²R$ 24 milhões135Economy
Aracaju1.190 m²R$ 15 milhões80Economy

* referência mínima