As viagens de negócios podem ganhar ritmo no segundo semestre de 2026, impulsionadas pela execução de orçamentos já aprovados pelas empresas e pela retomada da agenda corporativa após um mês marcado pelas férias escolares e pela Copa do Mundo. De janeiro a julho, o setor movimentou R$ 114,1 bilhões no Brasil, crescimento de 5,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado mensalmente pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV).
Somente em julho, foram movimentados R$ 11,9 bilhões, 4% acima do registrado no mesmo mês de 2025. O resultado ocorreu em um período tradicionalmente menos movimentado para o ambiente corporativo por causa das férias escolares e que, neste ano, também teve a primeira quinzena atravessada pela Copa do Mundo. O desempenho mantém a projeção de crescimento próxima de 5% para as viagens corporativas em 2026.
Para a diretora-executiva da ALAGEV, Luana Nogueira, o desempenho de julho ajuda a entender o espaço que as viagens de negócios ainda podem ocupar nos próximos meses. “Entramos no segundo semestre com empresas que ainda têm parte dos recursos previstos para viagens em 2026 para executar. Ao mesmo tempo, a agenda de reuniões, eventos, feiras e encontros presenciais voltou a ganhar intensidade após julho. Isso pode levar a uma maior concentração de deslocamentos nos próximos meses e exige planejamento para que esse orçamento seja utilizado de forma eficiente”, afirma.
O comportamento dos preços também deve entrar nessa equação. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) considerados na análise mostram que 11,9 milhões de passageiros foram transportados em julho, alta de 2,4%, enquanto a tarifa aérea média recuou de R$ 742 para R$ 704. Na hotelaria, ocorreu o movimento inverso. Segundo dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), entidade que reúne as principais redes hoteleiras do país e acompanha o desempenho do setor, a taxa de ocupação caiu de 63,8% para 62,9%, enquanto a diária média subiu 5,3%, de R$ 403,20 para R$ 424,40. “Esses movimentos mostram por que a gestão de viagens não pode olhar apenas para o orçamento total. Os diferentes componentes de uma viagem respondem de maneiras distintas às condições de mercado. Em julho, tivemos redução da tarifa aérea média ao mesmo tempo em que a hospedagem ficou mais cara, o que reforça a importância de acompanhar preços, negociar fornecedores e avaliar com antecedência cada deslocamento”, explica Luana.
De olho em 2027
Apesar da perspectiva de maior atividade neste segundo semestre, o levantamento aponta uma mudança de comportamento quando o horizonte passa para 2027. Os primeiros orçamentos para o próximo ano começam a ser elaborados de forma mais cautelosa diante de um cenário de crescimento econômico mais contido e de incertezas fiscais e monetárias. Outro fator acompanhado pelo setor é o custo do querosene de aviação (QAV). Caso a pressão sobre o combustível seja transferida para as tarifas, empresas podem ampliar a busca por ônibus e locação de veículos em trajetos mais curtos, redistribuindo os gastos com mobilidade.
“Enquanto as empresas ainda administram os recursos previstos para este ano, 2027 já entra no planejamento com maior atenção aos custos. Para o gestor de viagens, será cada vez mais importante acompanhar o mercado e trabalhar próximo às áreas financeiras para definir como utilizar esses recursos dentro das políticas da companhia”, conclui a executiva.
O LVC é elaborado pela FecomercioSP em parceria com a ALAGEV a partir de dados de pesquisas do IBGE, como a Pesquisa Anual de Serviços e a Pesquisa Mensal de Serviços. O levantamento considera atividades como transporte aéreo e rodoviário, hospedagem, restaurantes, agências e operadoras, locação de veículos e eventos culturais, entre outros segmentos relacionados às viagens corporativas.















