Existe uma Itália que vai muito além de Roma, Veneza, Florença e Milão. No sul do país, a Basilicata preserva uma paisagem marcada por pequenas cidades, montanhas, mar, arquitetura histórica, gastronomia e tradições que atravessam gerações. Foi nesse território, ainda pouco explorado pelos brasileiros, que “Loucos Amores Líquidos”, longa produzido e protagonizado por Daíse Amaral, com direção de Alexandre Avancini, e roteiro Aimar Labaki, Clovys Torres e Renata Dias Gomes, encontrou parte importante de sua identidade.
Mais do que um cenário, a região está diretamente ligada à história contada pelo filme. Na trama, três mulheres de uma mesma família, mãe, filha e neta, viajam à Itália em busca das próprias origens. A protagonista, vivida por Daíse Amaral, vê sua vida mudar depois de uma crise conjugal e parte para uma jornada que mistura relações, memória, família e pertencimento.
É justamente o chamado turismo de raízes que conduz a narrativa e cria uma ponte entre Brasil e Itália.
O elenco reúne grandes atores, como Angela Vieira, Paulo Betti, Eriberto Leão, Marcos Pasquim e Paloma Bernardi, Marina Moschen, os atores italianos Edoardo Costa e Giulia Ragazzini, entre outros.

Uma viagem cinematográfica pela Basilicata
As filmagens na Basilicata aconteceram entre maio e junho de 2024, durante cerca de três semanas. A equipe passou por diferentes municípios da região, entre eles Anzi, Calvello, Laurenzana, Maratea e Pignola.
Conhecida como a “pérola do Tirreno”, Maratea combina litoral mediterrâneo, montanhas, mirantes e um centro histórico cheio de personalidade. A cidade ganhou destaque na produção justamente por reunir, em um mesmo território, a beleza natural e a atmosfera histórica que ajudam a construir a narrativa do filme. Foi lá que o longa ganhou um Prêmio no Festival de Marateale em Julho de 2026 e estreou oficialmente na Itália. A estreia no Brasil está prevista ainda para 2026.
Anzi, Calvello, Laurenzana e Pignola completam esse percurso por pequenas cidades e vilarejos que preservam tradições, arquitetura e modos de vida que ajudam a explicar a escolha da região para uma história sobre ancestralidade e pertencimento.
Quando viajar também significa reencontrar a própria história
O diferencial de “Loucos Amores Líquidos” está em apresentar a viagem não apenas como turismo, mas como uma busca pela própria identidade.
As personagens chegam à Itália para se aproximar de suas origens e acabam encontrando novas possibilidades para suas vidas. É uma temática que conversa especialmente com o público brasileiro, país que recebeu milhões de imigrantes italianos entre o final do século XIX e o início do século XX.
A conexão também aparece na história pessoal de integrantes do elenco. Paulo Betti, por exemplo, já falou publicamente sobre suas raízes italianas: seus avós, tanto paternos quanto maternos, vieram da Itália. Eriberto Leão também tem ascendência italiana.
A partir dessa perspectiva, a viagem proposta pelo filme vai além dos tradicionais cartões-postais. É possível percorrer pequenas cidades, conhecer igrejas e construções históricas, experimentar a gastronomia regional e, para muitos brasileiros, até investigar sobrenomes, documentos e histórias familiares em busca das próprias origens.
No Brasil, algumas cenas foram rodadas em Poços de Caldas (Minas Gerais), e em São Paulo.















