O interesse por viagens que valorizam cultura, identidade e ancestralidade tem impulsionado o crescimento do afroturismo no Brasil. Antes visto como um segmento de nicho, esse mercado ganha espaço entre viajantes que buscam experiências mais autênticas e também desperta a atenção de empresas, destinos e gestores públicos que enxergam nesse movimento novas oportunidades para o desenvolvimento do turismo.
É nesse cenário que a Diaspora.Black se prepara para uma nova fase de expansão. Prestes a completar dez anos de atuação, a empresa iniciará seu processo de internacionalização por Portugal, com planos de ampliar a operação para outros mercados da América Latina e para os Estados Unidos. Paralelamente, trabalha no lançamento da versão 3.0 de seu marketplace, ampliando a oferta de experiências e serviços voltados ao afroturismo.
Em entrevista exclusiva ao Turisnews, o cofundador e CPO da Diaspora.Black, André Ribeiro, afirma que a evolução do segmento acompanha uma mudança importante no comportamento dos viajantes.
“O afroturismo passou por uma evolução significativa nos últimos anos, deixando de ser um nicho pouco explorado para se consolidar como um segmento de grande potencial econômico e cultural”, afirma.
Segundo ele, cresce o interesse por roteiros que valorizam a cultura afro-brasileira, a história, a ancestralidade e o contato direto com comunidades locais. O movimento acompanha uma tendência observada no turismo brasileiro, em que experiências culturais e históricas conquistam cada vez mais espaço entre os viajantes. Dados do Ministério do Turismo citados pela empresa mostram que o turismo cultural e histórico já representa uma parcela relevante das preferências dos brasileiros, reforçando o potencial de crescimento desse mercado.
Muito além do destino
Para Ribeiro, o perfil do turista também mudou.
Mais do que visitar um lugar, o viajante busca experiências capazes de gerar conexão, aprendizado e impacto positivo para os territórios visitados.
“Hoje, muitos viajantes procuram uma imersão na cultura, na história e nas comunidades locais. Buscam conhecimento, pertencimento e a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento econômico dessas comunidades”, destaca.
Essa mudança de comportamento tem estimulado o desenvolvimento de roteiros afrocentrados em diferentes regiões do país, passando por destinos já consolidados, como Salvador, Recife, São Luís e Rio de Janeiro, até experiências em comunidades quilombolas e territórios tradicionais ainda pouco conhecidos do grande público.
Crescimento acompanha a expansão do setor
A trajetória da Diaspora.Black acompanha essa evolução do mercado.
Criada inicialmente como uma plataforma de hospedagens, a empresa expandiu sua atuação e hoje reúne diferentes frentes de negócios, entre elas marketplace, consultoria, DMC (Destination Management Company) e produção de eventos corporativos.
Durante a pandemia, a demanda por projetos desenvolvidos para empresas ganhou força e atualmente representa a principal fonte de faturamento da companhia. Ao longo desse período, a empresa ampliou sua presença para todas as regiões do Brasil e passou a participar de iniciativas voltadas ao fortalecimento do afroturismo, como o Salvador Capital Afro e o consórcio Viva Pequena África, no Rio de Janeiro.
Segundo André Ribeiro, mais de 41 mil pessoas já foram impactadas diretamente pelas iniciativas da Diaspora.Black.
Tecnologia e internacionalização
O próximo ciclo de crescimento será sustentado por dois pilares: inovação e expansão internacional.
Ainda este ano, a empresa lançará a versão 3.0 do marketplace, incorporando novos recursos para conectar viajantes, experiências culturais e empreendedores do segmento.
Portugal será o primeiro destino da operação internacional, seguido por países da América Latina e pelos Estados Unidos, mercado que já apresenta demanda crescente por experiências ligadas à ancestralidade e à reconexão com a história afrodescendente.
O futuro do afroturismo
Na avaliação do cofundador da Diaspora.Black, a combinação entre tecnologia, valorização da diversidade cultural e busca por experiências autênticas deve consolidar o afroturismo como uma das vertentes mais promissoras do turismo de experiência nos próximos anos.
“O turismo tem o poder de impulsionar essa transformação. Precisamos dar visibilidade às histórias que ainda não foram contadas ou que ficaram esquecidas como forma de resgatar nossa identidade e fortalecer os territórios”, conclui.
Diaspora.Black em números
- 10 anos de atuação no mercado
- Mais de 41 mil pessoas impactadas
- Atuação em todas as regiões do Brasil
- Expansão internacional com início por Portugal
- Nova plataforma (versão 3.0) prevista para este ano
Projetos como Salvador Capital Afro e Viva Pequena África















