Foto: divulgação

O mês de junho traz consigo uma das expressões culturais mais ricas e alegres do Brasil: o São João. Embora as regiões Norte e Nordeste sejam a base dessa celebração, a tradição junina se espalha por todo o país, ganhando diferentes ritmos e costumes de Norte a Sul. Entre quadrilhas, festas populares, gastronomia típica e manifestações folclóricas, cada destino oferece uma forma única de vivenciar esse patrimônio cultural brasileiro. E para ajudar os viajantes que desejam explorar essa diversidade cultural, a ABAV Nacional reuniu os destaques de cada região do país:

Norte

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Na Região Norte, as celebrações juninas se misturam às tradições amazônicas, criando manifestações culturais únicas. No Amazonas, o final de junho é marcado pelo Festival Folclórico de Parintins, uma das maiores festas populares do país. A rivalidade entre os bois Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho) são os pilares do festival, que acontece anualmente no Centro Cultural de Parintins (Bumbódromo), onde cada boi-bumbá tem até 2 horas e meia para apresentar espetáculos teatrais grandiosos, com carros alegóricos e coreografias que encenam lendas indígenas, rituais e os costumes do povo ribeirinho, embalados pelo ritmo contagiante das toadas.

Já no Pará, as festas juninas incorporam ritmos como o carimbó, o siriá e o lundu, além de manifestações folclóricas típicas, como os “Pássaros Juninos”, encenações populares que misturam música, teatro e lendas regionais. A gastronomia revela a identidade local, com pratos como tacacá, maniçoba e vatapá paraense, além das tradicionais receitas à base de milho. Em Belém, um dos grandes destaques é o Arraial do Pavulagem, que transforma as ruas da cidade em um grande cortejo cultural. Durante os famosos ‘’arrastões’’ juninos, milhares de pessoas acompanham o Boi Pavulagem em uma celebração marcada por chapéus coloridos de fitas, personagens folclóricos e o levantamento do mastro dos santos juninos, proporcionando uma experiência única da cultura popular amazônica.

Nordeste

O Nordeste abriga algumas das maiores festas juninas do mundo e Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) disputam anualmente o título de “Maior São João do Mundo”, transformando a cultura popular em grandes espetáculos. Em 2026, Campina Grande promove 33 dias de programação, enquanto Caruaru realiza uma maratona de mais de 70 dias de celebrações. Em ambas as cidades, grandes espaços são tomados por cenários temáticos, apresentações de quadrilhas, manifestações culturais e uma rica gastronomia típica. Com entrada gratuita, as festas reúnem milhões de visitantes e combinam o tradicional forró pé-de-serra com shows de grandes artistas da música brasileira, tornando o período junino um dos principais atrativos do calendário turístico nacional.

O Ceará também possui uma das culturas juninas mais ricas do país, com destaque para o São João de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. O evento, que dura tradicionalmente 30 dias, transforma o município na “Capital do São João”. A megaestrutura atrai multidões por oferecer acesso gratuito, shows de grandes nomes da música nacional e espaços temáticos. O complexo conta com um Quadrilhódromo dedicado às competições tradicionais, uma Fazendinha para passeios em família e uma Cidade Cenográfica, que reproduz vilarejos nordestinos com direito a capela para os clássicos casamentos matutos.

Já no Maranhão, o destaque é o Bumba Meu Boi. Nascida no século XVIII, a tradição mistura influências indígenas, africanas e europeias. O enredo acompanha o drama de um casal de escravizados: Mãe Catirina e Pai Francisco. Para satisfazer o desejo de Catirina, grávida, Pai Francisco sacrifica o boi favorito do patrão. O animal ressuscita após rituais de pajés e curandeiros, voltando a dançar. Essa lenda maranhense é celebrada com desfiles e ritmos tradicionais, como os sotaques de matraca e zabumba.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, as festas juninas refletem a influência das culturas boliviana e paraguaia, criando celebrações que combinam tradições brasileiras com costumes típicos das regiões de fronteira. Além da quadrilha, ritmos como a polca paraguaia e o chamamé dividem espaço com manifestações populares, como o cururu, uma roda de cantoria em que violeiros entoam desafios, toadas e louvores aos santos, muitas vezes acompanhados por coreografias que imitam os pulos do sapo, e a viola de cocho, instrumento símbolo da cultura pantaneira.

A gastronomia também é um dos grandes atrativos, com receitas como sopa paraguaia, chipa, arroz de carreteiro e diversos pratos à base de milho. Entre as manifestações mais singulares do país está o Banho de São João em Corumbá (MS), onde, na passagem do dia 23 para o dia 24 de junho, os devotos descem a ladeira até o Rio Paraguai. O ritual, que mistura fé, catolicismo popular, sincretismo religioso e música regional, é considerado uma das maiores manifestações culturais do estado.

Já em Goiás, a estrela do São João é a pamonha. Reconhecida como patrimônio cultural imaterial do estado, a iguaria feita à base de milho verde vai muito além de um simples prato típico. As tradicionais “pamonhadas” reúnem famílias, moradores e visitantes durante o período da colheita, em um ritual de preparo coletivo que simboliza a união e a hospitalidade goiana. Nos arraiais, as clássicas versões de doce, de sal e com queijo dividem o protagonismo com outras criações regionais, como a Chica Doida, um creme de milho assado, rico em especiarias e ingredientes locais.
 

Sudeste

O Arraial de Belô, em Minas Gerais, destaca-se pelo Concurso Municipal de Quadrilhas no Mineirinho, onde agremiações de diversos grupos encantam o público com coreografias e figurinos temáticos. Além das danças, o evento é um centro gastronômico que conta com uma Vila Gastronômica e o concurso Prato Junino, incentivando estudantes a reinventarem receitas com ingredientes locais como queijo, milho e cachaça.

Em São Paulo e Rio de Janeiro, o São João se destaca pelas tradicionais Quermesses, festas de paróquias e igrejas, além de grandes eventos no interior, como a Festa Junina de Votorantim (SP) e a Feira de São Cristóvão (RJ). O clima de interior é recriado pelos trajes típicos de caipira (com camisas xadrez, vestidos floridos e retalhos) e pelas tradicionais quadrilhas, animadas pelos comandos de um “puxador”.

A gastronomia é adaptada ao frio da estação, com destaque para o quentão, o vinho quente, os caldos e o cuscuz paulista. As iguarias dividem espaço com as opções urbanas, como pizzas e hot dogs. Já a diversão fica por conta das clássicas brincadeiras que garantem “prendas” (brindes) aos participantes.
 

Sul

No Sul, as festas juninas incorporam elementos do tradicionalismo gaúcho e das culturas de imigração europeia, criando celebrações com identidade própria. No Rio Grande do Sul, é comum que os festeiros troquem o tradicional traje caipira pela pilcha gaúcha (composta por bombacha, botas e lenço), enquanto o acordeão embala xotes e rancheiras. Nas mesas, o quentão divide espaço com o chimarrão, reforçando os costumes regionais.

Em Santa Catarina, a Festa Nacional do Pinhão, em Lages, é um dos principais eventos da temporada e reúne milhares de visitantes em torno da gastronomia típica, com destaque para o pinhão assado na chapa, além de apresentações culturais e musicais. A região também preserva tradições como a Dança das Fitas e manifestações ligadas à cultura tropeira, proporcionando aos visitantes uma experiência que une os elementos clássicos do São João às particularidades históricas e culturais do Sul do país.

Diante de uma diversidade cultural tão grande, é possível viver o São João de diferentes formas em cada região. Para aproveitar essa riqueza cultural, a organização é indispensável. Nesse sentido, contar com o suporte de um agente de viagens ajuda o turista a identificar o destino mais alinhado ao seu perfil, organizar a logística de transporte e hospedagem e criar roteiros personalizados que combinem festas populares, gastronomia e atrações locais, tornando a experiência ainda mais completa.