O babalorixá Ondelonin e suas filhas de santo, no estande do Asè Afin Lógunède, na FITCataratas- Foto: Claudia Dias

O turismo de experiência e a valorização da diversidade cultural ganham um novo capítulo na Feira Internacional de Turismo das Cataratas (FITCataratas). Pela primeira vez em mais de duas décadas de evento, uma casa de Umbanda e Candomblé participa oficialmente da feira, apresentando um projeto que transforma tradições afro-brasileiras em vivências culturais abertas a todos os públicos.

A iniciativa é liderada pelo babalorixá Odeloninho, responsável pelo terreiro Asè Afin Lógunède, que fica em Foz do Iguaçu, que desenvolveu uma série de visitas guiadas voltadas ao turismo cultural e religioso. A proposta nasceu a partir de um projeto de extensão ligado à Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), com apoio da Itaipu, e busca aproximar visitantes dos saberes ancestrais das religiões de matriz africana.

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“Não estamos falando sobre conversão religiosa. Estamos falando sobre cultura, conhecimento e troca de experiências. As pessoas podem conhecer um espaço que muitas vezes desperta curiosidade, mas que poucas tiveram a oportunidade de visitar”, afirma o babalorixá.

Turismo cultural com imersão na ancestralidade

O projeto reúne cinco modalidades de visitas guiadas, todas conduzidas por integrantes da casa e acompanhadas de explicações sobre a história do terreiro, tradições, simbolismos e formas de acolhimento.

Uma das experiências é a oficina de Macaia, dedicada ao universo das ervas. Durante a atividade, os participantes conhecem dez espécies comuns em hortas e quintais, aprendendo suas aplicações em banhos, defumações e práticas tradicionais que atravessam gerações.

Outra opção é a oficina de dança e música dos orixás, na qual os visitantes têm contato com ritmos, movimentos e instrumentos como atabaques e agogôs, elementos fundamentais da cultura afro-brasileira.

O roteiro inclui ainda oficinas de artesanato, com a produção de fios de conta, pulseiras e peças utilizadas nas vestimentas tradicionais. Dependendo do grupo, os participantes também podem aprender técnicas de costura para confeccionar saias e panos de cabeça.

A gastronomia ocupa espaço especial na programação. Os visitantes têm a oportunidade de acompanhar o preparo de receitas típicas de terreiro, como acarajé, molocum e xoxô, pratos que carregam história, simbolismo e identidade cultural.

Spa espiritual é a experiência mais completa

O destaque do projeto é o chamado “Spa Espiritual”, considerado o pacote premium da experiência turística.

A atividade combina banhos de ervas, defumações, massagens relaxantes e degustação de pratos típicos preparados no terreiro. O objetivo é proporcionar um momento de bem-estar e conexão com elementos tradicionais da cultura afro-brasileira.

“Preparamos todo o ambiente com ervas e aromas característicos. A pessoa recebe a massagem, participa dos banhos e depois ainda pode experimentar comidas tradicionais da casa. É uma experiência de relaxamento e conhecimento cultural ao mesmo tempo”, explica o líder espiritual.

As visitas têm duração média entre três e cinco horas, dependendo da modalidade escolhida.

Turismo como ferramenta contra a intolerância religiosa

Segundo Odelonin, a receptividade do setor turístico tem surpreendido positivamente. Para ele, o turismo cultural pode ser um importante instrumento para reduzir preconceitos e ampliar o conhecimento sobre as religiões de matriz africana.

“Os profissionais do turismo estão abraçando a ideia. As pessoas entendem que visitar um terreiro é uma experiência cultural, assim como visitar uma mesquita, um quilombo ou um templo de outra tradição religiosa. Não existe obrigação de crença. Existe a oportunidade de aprender”, destaca.

A proposta busca justamente criar pontes entre visitantes e uma parte importante da formação cultural brasileira, oferecendo uma imersão rápida, mas significativa, em práticas, saberes e tradições que fazem parte da história do país.

Estreia histórica na FIT Cataratas

A participação na FIT Cataratas marca um momento simbólico para o turismo religioso e cultural no Brasil. Em 21 anos de feira, esta será a primeira casa de Umbanda e Candomblé a ocupar um espaço expositivo no evento.

O marco reflete uma tendência crescente do mercado turístico: a busca por experiências autênticas, conectadas às comunidades locais e à diversidade cultural dos destinos.

O Portal Turisnews viaja a convite da organização do evento