
Consultor da Presidência da Fecomércio RJ, Otavio Leite tem atuado em questões relacionadas ao fomento do turismo e o desenvolvimento econômico pelo setor, como a implementação do tax free no Brasil, a instalação do escritório da Organização Mundial do Turismo no Rio e a recuperação do Aeroporto do Galeão. Em uma entrevista exclusiva ao Portal Turisnews, ele falou sobre os principais temas do turismo na atualidade e, principalmente, comemorou, a chegada do escritório da OMT no Rio de Janeiro – a previsão de instalação do novo escritório da OMT é 15 d dezembro. Para Otávio Leite, a instalação do escritório vai dar ao Rio ainda mais visibilidade e atrair eventos para a nossa cidade.
Otavio Leite foi secretário de Turismo do Estado do Rio de Janeiro e parlamentar ao longo de 30 anos de vida pública, tendo o turismo como pauta prioritária. Ele é doutorando em Turismo pela Universidade de Aveiro – Portugal.
Confira a entrevista:
Portal TurisNews: Qual é a relação da Fecomércio RJ com o setor de turismo?
Otavio Leite: A Fecomércio RJ representa o setor do comércio de bens, serviço e turismo, que na gestão do presidente Antonio Florencio de Queiroz Junior, ganhou força no apoio ao turismo porque todos na diretoria concordam que é uma das áreas com grande força produtiva e econômica do estado do Rio de Janeiro. O setor é uma mola propulsora para o desenvolvimento e para a geração de emprego e renda. Por isso, atuamos em várias frentes. Em 2020, criamos um Conselho Empresarial do Turismo e Hospitalidade (Cetur-RJ), que nasceu do reconhecimento da importância do turismo como atividade econômica e da valorização do segmento para o estado.
Portal Turisnews: Qual é a principal atuação deste grupo?
Otávio Leite: Esse grupo reúne líderes dos principais grupos envolvidos com o turismo, elaborando estudos técnicos, pesquisas e indicadores setoriais, acompanhando os negócios relacionados ao estado, município e iniciativa privada. Entre as atribuições do Cetur-RJ estão o acompanhamento da conjuntura político-econômica e decisões governamentais que impactem no setor. O conselho funciona como um interlocutor com o poder público.
Portal TurisNews: A Fecomércio RJ teve grande influência na volta da ABAV Expo para o Rio. Isso demonstra a importância que a instituição dá ao turismo?
Otavio Leite: Sim. Mais uma vez isso vem da sensibilidade do presidente Antonio Florencio de Queiroz Junior, que teve um envolvimento pessoal na volta da ABAV Expo. Entendemos que a feira é relevante para o desenvolvimento social e econômico do estado porque dá visibilidade ao Rio no Brasil e no exterior, nos coloca na vitrine, resgata o nosso protagonismo no cenário nacional e reafirma o nosso papel de destaque no cenário mundial. Somos o local do Brasil mais conhecido internacionalmente. A vinda da ABAV Expo atrai turistas e negócios para o estado. Essa captação é um marco para o Rio de Janeiro e mostra a força da nossa recuperação e a credibilidade que estamos retomando junto ao mercado de eventos.
Portal TurisNews: E o tax free shopping? A Fecomércio RJ foi uma das defensoras da sua implementação, e o senhor teve atuação fundamental nisso…
Otavio Leite: Recentemente, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou a implantação do tax free. A Fecomércio RJ atuou de forma intensa para conseguir essa conquista e teve como forte aliado na causa o Governo do Estado do Rio, que entendeu a importância do programa para a economia do estado e do Brasil.
O tax free é, sem dúvida, um agregador econômico. O turismo movimenta toda a cadeia produtiva, com melhorias da infraestrutura e ativação de centenas de setores da economia por causa da maior circulação de pessoas e de consumo.
Portal Turisnews: Como foi, efetivamente, a participação da Fecomércio RJ nesta discussão?
Otávio Leite: No fim de agosto, estivemos em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, para apresentar à Comissão de Turismo a pesquisa que fizemos, mostrando o impacto positivo sobre o consumo no comércio fluminense, caso o sistema fosse implantado no país. Mostramos na época que a estimativa, segundo as nossas projeções com turistas estrangeiros no Rio, é que o volume total de compras feitas no estado por visitantes de outros pode produzir um impacto superior a R$ 2 bilhões. A adoção é uma forma de enfrentar o déficit existente entre o que os brasileiros gastam no exterior e o que os turistas estrangeiros gastam no Brasil. Para resolver isso, só trazendo mais turistas para o Brasil e fazer com que eles consumam mais aqui.
Portal TurisNews: Outra bandeira da Fecomércio RJ foi a vinda do escritório da Organização Mundial de Turismo para o Rio. Como foi mais essa participação?
Otavio Leite: É uma grande conquista para o Rio e para o Brasil. A Fecomércio RJ cedeu, a pedido do Ministério do Turismo, um prédio no Centro financeiro da capital fluminense. Desde o início, o presidente Antonio Florencio de Queiroz Junior acreditou na importância de se trazer o escritório da OMT para o Rio por acreditar que isso dará visibilidade do Rio e uma centralidade mundial para desenvolver ainda mais o setor. Seremos referência das ações de turismo na América Latina e Caribe. Isso atrairá para a América do Sul benefícios como a realização de grandes eventos, fóruns econômicos direcionados ao turismo e a centralização das políticas da ONU para o setor. A vinda do escritório reafirma o Rio como um importante centro de tomada de decisões. Em setembro, durante as comemorações do Dia da Independência, o presidente Antonio Florencio de Queiroz Junior esteve em Madri com o ministro do Turismo, Celso Sabino, e com o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, para discutir a sede da entidade no Rio. O deputado Washington Quaquá também foi fundamental na negociação.
Portal TurisNews: O que a recuperação do Aeroporto Internacional Tom Jobim representa para o Turismo e a economia do Rio?
Otavio Leite: O equilíbrio dos aeroportos Santos Dumont e Galeão é fundamental para recuperarmos o turismo no Rio e incrementar a economia. A Fecomércio RJ apoia integralmente os esforços do estado e do município diante do governo federal para encontrar uma solução para o problema, que está avançando. Uma solução para a resolução da questão, além de atrair as empresas aéreas, é a implantação do Stopover. Minha sugestão é que o trade e os empresários do comércio se mobilizem para criar estímulos e promoções, com descontos em hotéis e restaurantes para atrair turistas estrangeiros e domésticos. Esse estímulo da permanência faz com que os turistas consumam mais porque ficarão mais tempo circulando por aqui. O IFec RJ fez uma pesquisa com turistas no Aeroporto Santos Dumont no qual mostramos com o nosso estudo que 76% dos passageiros entrevistados na área de embarque do terminal aceitariam pegar seus voos na Ilha do Governador. Ou seja, o problema não é a distância. Nada justifica o Aeroporto Tom Jobim estar sendo subutilizado, como está atualmente. O resultado da pesquisa vai servir para auxiliar as autoridades envolvidas no processo decisório, já que revela que a opinião do usuário legitima a tese de transferências de voos do Santos Dumont para o Internacional.














