Agatha Abrahão - Foto: Divulgação

Passada a Copa do Mundo de 2026, o turismo esportivo deixa como legado não apenas o movimento de torcedores entre cidades e países, mas também mudanças na forma de planejar e consumir essas viagens. Para Agatha Abrahão, diretora executiva e criativa da Stella Barros Turismo, o esporte tem ganhado cada vez mais espaço como motivador da escolha de um destino — e o viajante já não quer apenas assistir à competição.

“A Copa confirmou algo que já observávamos: o esporte é hoje um grande gatilho de decisão de viagem”, afirma Agatha. Segundo ela, o movimento não está restrito ao futebol. A procura por eventos ligados ao vôlei e às corridas de rua também vem crescendo, enquanto o tênis aparece como uma das modalidades nas quais a empresa pretende ampliar sua atuação.

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A Maratona do Rio é um dos exemplos citados pela executiva. A Stella Barros foi agente oficial do evento pela primeira vez em 2024 e já identifica procura para 2027. A empresa também atuou como agente oficial do Sul-Americano de Vôlei realizado em setembro.

Atendimento humano ganha espaço

Um dos aspectos que mais chamaram a atenção durante a Copa de 2026 foi a busca dos viajantes por suporte especializado, mesmo em destinos considerados relativamente fáceis para quem está acostumado a organizar uma viagem por conta própria.

De acordo com Agatha, a operação nos Estados Unidos, Canadá e México mostrou que o público queria ter alguém acompanhando detalhes como logística dos jogos, prazos e diferentes etapas da viagem.

“Sentimos que nosso público, mais do que nunca, fez questão de contar com um help desk”, conta.

Essa demanda também está relacionada a outra mudança observada pela empresa: a viagem motivada pelo esporte deixou de se limitar ao evento. Reservas em restaurantes, passeios e extensões antes ou depois das competições passaram a fazer parte do planejamento.

“O evento esportivo funciona como gatilho: as pessoas escolhem o destino a partir do esporte. Mas querem mais da cidade, além do evento”, explica.

Copa exigiu planejamento em período de alta demanda

Na avaliação de Agatha, um dos principais desafios da Copa foi administrar a operação em um período de demanda elevada nos Estados Unidos. Apesar da ampla oferta aérea e hoteleira do país, garantir disponibilidade exigiu planejamento, assim como atenção às condições climáticas do período.

Segundo ela, a operação terminou com NPS acima de 9.

A experiência também reforçou uma percepção da empresa sobre o mercado brasileiro: mesmo com o avanço das ferramentas que permitem ao consumidor organizar uma viagem de maneira independente, há espaço para serviços que combinem conhecimento do destino, planejamento e acompanhamento.

Para Agatha, a lógica se torna ainda mais relevante quando o esporte é o motivo central da viagem. “Não basta entregar pontas isoladas da viagem; é preciso ter um olhar global e holístico sobre o viajante.”

Tênis e maratonas entram no radar

Além do futebol, a Stella Barros vê potencial de crescimento principalmente no tênis e nas viagens ligadas às maratonas.

No caso das corridas, Agatha observa que a escolha já não depende exclusivamente da prova. O corredor procura eventos que considere interessantes, mas também avalia o destino e as experiências que poderá ter durante a viagem.

O mesmo comportamento é percebido no tênis, modalidade para a qual a empresa pretende direcionar maior atenção nos próximos anos.

No Brasil, a executiva destaca ainda um calendário que pode favorecer o desenvolvimento desse mercado, com maratonas, competições internacionais e a Copa do Mundo Feminina de 2027.

“Há muita estrada pela frente para ampliar o potencial do turismo esportivo no país, e isso é uma ótima notícia”, afirma.

“Logística define performance”

Se para o torcedor uma operação bem planejada significa conforto e tranquilidade, para quem viaja para competir ela pode ter impacto direto na experiência esportiva.

“Para quem viaja para praticar, seja correr, jogar ou competir, fica cada vez mais claro que logística define performance”, diz Agatha.

A escolha do voo, o hotel adequado, a pontualidade do transfer e até o horário em que o café da manhã é servido entram nessa equação. Com esses elementos resolvidos, observa a executiva, o atleta pode direcionar sua atenção para a própria competição.

Outra tendência identificada pela Stella Barros é o crescimento das viagens multigeracionais e em grupos de familiares e amigos. Em vez de uma experiência individual, eventos esportivos passam a funcionar também como motivo para reunir diferentes gerações em uma mesma viagem.

Mais perto do esporte

A busca por experiências que aproximem o viajante dos bastidores dos eventos também deve ganhar força.

Assistir a um treino exclusivo, entrar em uma quadra, participar de um encontro com atletas ou fazer uma clínica conduzida por um nome reconhecido da modalidade são algumas das experiências apontadas por Agatha como parte dessa evolução.

“Seja como fã ou atleta, vejo crescer cada vez mais uma procura do público para estar ainda mais próximo do evento”, afirma.

Para acompanhar esse comportamento, a executiva aposta também na observação presencial. Agatha esteve na Copa do Mundo, na Copa Davis, nas Olimpíadas de Inverno e na Maratona do Rio.

“Estar lá me permite ver as pessoas de perto, entender onde podemos melhorar e como entregar experiências cada vez melhores para fãs e esportistas.”

Para a Stella Barros, essa combinação entre evento, destino, logística e experiências exclusivas tende a ganhar peso à medida que o esporte passa a ocupar um espaço cada vez maior nas decisões de viagem.