
BELO HORIZONTE (MG) – A Travel Next Minas 2026 abriu nesta quarta-feira (12), em Belo Horizonte, reforçando a proposta de conectar a identidade e as tradições de Minas Gerais às novas tendências do turismo. Durante a cerimônia de abertura, Rúbia Coser, organizadora do evento, destacou que a programação desta edição foi construída a partir do conceito “Da origem à inovação”, tendo a mineiridade como elemento central.
Segundo Rúbia, mais do que reproduzir símbolos associados ao Estado, a intenção é trabalhar a cultura mineira como patrimônio vivo e ativo econômico. “Todo o conteúdo da feira foi pensado dentro do conceito da origem à inovação, ancorado pela mineiridade, não como estereótipo, mas como patrimônio vivo de saber fazer, de hospitalidade, de resiliência”, afirmou.
A edição reúne mais de 900 marcas, mais de 20 operadoras e mais de 24 expositores internacionais, além de agentes de viagens, destinos, empresas, gestores públicos e lideranças do setor. A estratégia, segundo a organização, é aproximar os diferentes elos da cadeia turística e ampliar as possibilidades de geração de negócios.
Para mobilizar agentes de viagens, a Travel Next Minas articulou ações com operadoras como Incomum, Visual, Trend, Soul e Cativa. De acordo com Rúbia, a proposta foi trazer para o evento profissionais interessados não apenas em produtos e destinos, mas também nas histórias e experiências capazes de agregar valor à comercialização.
“Aquele que não busca apenas destino, mas busca narrativa. Aquele que entende que eventos podem ser plataformas de negócios e de transformação cultural simultaneamente”, ressaltou.
Cinco movimentos estruturam a programação
A programação foi organizada em diferentes ambientes de conteúdo e experiência. Entre eles está o Cena Aberta, palco integrado à área de convivência, concebido para promover o encontro entre cultura, gastronomia e público.
Uma das experiências previstas para o espaço é a Cozinha de Origem, que coloca a gastronomia mineira no centro da experiência turística. Para Rúbia, a iniciativa vai além da apresentação de pratos.
“É ritual, é memória, é o ato mineiro de transformar alimento em celebração. A Cozinha de Origem coloca o patrimônio imaterial de Minas no centro da experiência turística.”
Outro eixo é a Arena, realizada com a participação do Senac, integrado ao Sistema Fecomércio. Inspirado em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, o espaço foi criado para receber encontros, debates, capacitações e troca de experiências entre profissionais do mercado.
A programação inclui treinamentos de grandes players, entre eles a Disney, e também apresenta experiências internacionais que podem servir de referência para destinos brasileiros. Um dos exemplos citados na abertura foi Park City, nos Estados Unidos, apresentado como um território que conseguiu associar patrimônio, identidade e economia criativa.
Para Rúbia, a experiência ajuda a demonstrar que tradição e inovação não precisam ocupar lados opostos.
“É como um espelho no qual Minas Gerais pode olhar e enxergar o próprio potencial em escala global”, afirmou.
Luxo ligado ao território
O turismo de luxo também ganhou espaço próprio nesta edição. O Travel Lux, com curadoria de Marcelo Zingalli e participação dos embaixadores Gabriela Carraro, da Luxpert, e Ítalo Fantinato, da IAF Turismo, propõe uma discussão sobre as transformações do segmento.
A abordagem se distancia da associação entre luxo e ostentação e coloca em evidência experiências relacionadas à autenticidade, ao tempo, à natureza e à conexão com o território. São Lourenço participa como cidade anfitriã do espaço, que também apresenta o terroir e a produção de vinhos de Minas Gerais.
Ao falar sobre o potencial mineiro nesse mercado, Rúbia resumiu a provocação da feira: “Minas não precisa aprender a ser luxo. Minas precisa reconhecer que sempre foi luxo.”
A capacitação profissional também integra a estratégia do evento. A sala Janela Lateral, cujo nome faz referência à canção Paisagem da Janela, de Lô Borges e Fernando Brant, foi concebida como espaço para conhecimento e novas perspectivas sobre o setor.
Inteligência artificial entra na agenda
Em um momento de transformação acelerada provocada pela inteligência artificial, tecnologia e inovação também ocupam espaço relevante na Travel Next Minas 2026. A feira conta com um ambiente voltado à discussão estratégica e à demonstração de aplicações tecnológicas para empresas e expositores.
A proposta é aproximar o mercado turístico das novas ferramentas sem perder de vista justamente aquilo que diferencia Minas Gerais: sua cultura, seus territórios, sua gastronomia e sua forma própria de receber.
Essa combinação entre ancestralidade e futuro permeou a fala de Rúbia Coser durante a abertura e também a defesa de um papel mais amplo para a Travel Next Minas.
De feira a plataforma permanente
Ao final do discurso, a organizadora fez um chamado a gestores públicos, secretários, parlamentares, lideranças empresariais e representantes do setor para que enxerguem a Travel Next Minas não apenas como um evento anual, mas como uma plataforma capaz de articular iniciativas de turismo ao longo do tempo.
“O que pedimos não é apenas apoio, é coautoria. O que propomos não é patrocínio, é pertencimento.”
Segundo Rúbia, a intenção é consolidar a Travel Next Minas, em parceria com instituições públicas e privadas, como uma plataforma permanente para o turismo do Estado, aproximando território e mercado e conectando tradição e futuro.
“Enxerguem o valor do que está sendo apresentado aqui. Não como um evento que acontece e passa, mas como uma plataforma que instala, que permanece e que transforma”, defendeu.
E encerrou reforçando o posicionamento escolhido para esta edição: “Estamos bordando com afeto e estratégia um futuro onde o turismo mineiro seja reconhecido pelo que sempre foi: a vanguarda ancestral da economia da transformação.”
O Portal Turisnews viaja a convite da organização do evento













