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 Em setembro, a programação do Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, sob gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg), integra saberes ancestrais, inovação, estética e literatura. Entre os destaques estão a 20ª Primavera dos Museus com o tema “Museu Para Todas as Pessoas”, o 1º encontro virtual da Rede de Memórias das Favelas e Periferias em diálogo com os diretores do Museu de Arte das Paneleiras do Espírito Santo (MAPES), o lançamento do livro “Severo”, de Carol Rocha, e uma atividade introdutória aos conceitos de Realidade Virtual e Realidade Aumentada direcionada às empreendedoras do programa Favela Tech, realizado com patrocínio da Meta.

Preservação de saberes e intercâmbio cultural

A programação começou na quarta-feira (09) com o 1º encontro virtual da Rede de Memórias das Favelas e Periferias. Com o tema “Patrimônio Imaterial — preservação de saberes ancestrais na prática”, a atividade debateu o fazer comunitário e a salvaguarda de tradições populares. A edição reuniu Lucas Martins da Silva e André Sopon Pereira, diretores do Museu de Arte das Paneleiras do Espírito Santo (MAPES).

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O Museu comunitário é dedicado a preservar e divulgar o trabalho das Paneleiras de Goiabeiras Velha (Vitória-ES), artesãs que confeccionam manualmente as tradicionais panelas de barro — um saber ancestral transmitido entre gerações de mulheres. Viabilizado pelo Programa Conexões, em parceria com o Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP), o encontro conecta-se diretamente à “Sobre Vivências”, exposição permanente no Museu das Favelas, que exibe quatro peças do MAPES cedidas em comodato.

Iniciativas projetam a periferia no mercado tecnológico, na literatura e no debate global

No sábado (12), o Museu sedia o terceiro encontro presencial do Favela Tech, programa de aceleração e formação de empreendedoras periféricas com patrocínio da Meta. Conduzido pela doutora e especialista em mídias imersivas, Lyara Oliveira, a imersão introduz as participantes no domínio prático de Realidade Aumentada (AR) e Realidade Virtual (VR). A iniciativa vai proporcionar às mentoradas conceitos introdutórios para a produção de conteúdos imersivos, que conectam o capital intelectual das favelas às novas economias e ao mercado global de tecnologia.

No domingo (13), a Biblioteca do Museu das Favelas torna-se palco do lançamento de ‘Severo’, romance de estreia da comunicadora e escritora Carol Rocha. Viabilizada pelo chamamento artístico Favela Ocupa, a atividade integra o inédito ‘Clube de Leitura: Escritas de Carolina’ e conta com mediação da pesquisadora Júlia Amabile. A obra rompe estereótipos ao debruçar-se sobre o envelhecimento, a saúde mental e o afeto na trajetória de um homem negro de 70 anos. O encontro promove um debate aberto sobre ancestralidade e literatura contemporânea, seguido de sessão de autógrafos.

Entre segunda-feira (21) e domingo (27), ocorre a 20ª Primavera dos Museus, que neste ano traz o tema ‘Museus para Todas as Pessoas’. A programação especial no Museu das Favelas acontece a partir de quinta-feira (24) até sábado (26) e reúne a  formação “Acessibilidade e Patrimônio: desafios contemporâneos para os museus”, ministrada pelo pesquisador e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, Marcus Vinicius Rosário da Silva; a oficina sensorial “Função Lab: Favela no Toque”, voltada à exploração tátil de texturas a fim de ampliar percepções e proporcionar uma experiência inclusiva; e o encontro “Afrofuturismos: imaginando e construindo prosperidades”, realizado em parceria com o Bloco Eletroafro Muriçoca Soul, que promove painéis sobre música, literatura e futuros possíveis para a população negra.

Encerrando as atividades do mês, o Museu das Favelas sediará na quarta-feira (30) o “Salão de Moda e Ciência: Caminhando por Tempos Trançados”. O encontro resulta de uma cooperação estratégica vinculada ao The Digital Multilogue on Fashion Education, plataforma da prestigiada Universidade de Artes de Berlim (UdK). Conduzida pelo projeto social ‘Transmutações do Feminino’, a experiência vivencial aborda o trançado capilar sob a ótica da ancestralidade e da identidade, culminando na performance coletiva ‘Escultura Crespa’, assinada pelo educador e visagista Gabriel Simplício.

“A favela é um território vivo, onde memória, criação e futuro acontecem ao mesmo tempo. É a partir desse entendimento que construímos uma programação que coloca diferentes saberes em diálogo: da ancestralidade preservada pelas Paneleiras ao encontro da estética periférica com a ciência e a moda; do legado de Carolina Maria de Jesus às novas vozes da literatura contemporânea; dos conhecimentos que atravessam gerações às tecnologias que abrem novas possibilidades de criação e trabalho. O Museu das Favelas quer ser esse lugar de encontro, troca e pertencimento: um museu vivo, conectado aos territórios e feito para todas as pessoas.”  afirma Natália Cunha, diretora executiva do Museu das Favelas.