Entre música, patrimônio e cultura, MIMO Festival ocupa diferentes espaços históricos de Olinda durante três dias de programação gratuita - Foto: Divulgação

Há cidades que recebem festivais. Em Olinda, o festival parece fazer parte da própria cidade. Entre 25 e 27 de setembro, as ladeiras, igrejas, praças, museus e casarões do Sítio Histórico serão cenário da 17ª edição do MIMO Festival, criando um bom motivo para planejar uma viagem à cidade pernambucana.

Berço do MIMO e reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1982, Olinda receberá três dias de programação gratuita. Serão 40 atividades entre shows, concertos, DJ sets, cinema, ações educativas e encontros do Fórum de Ideias. A expectativa da organização é reunir mais de 70 mil pessoas.

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A programação também dá dimensão internacional ao evento. Entre os nomes confirmados estão BaianaSystem, Alice Caymmi, a rapper portuguesa Capicua, o grupo malinês Tinariwen e Tiken Jah Fakoly, da Costa do Marfim.

Com patrocínio master da Petrobras, o MIMO nasceu justamente em Olinda, em 2004. Idealizado e dirigido artisticamente por Lu Araújo, o festival construiu sua identidade a partir da combinação de três elementos: música, patrimônio e educação.

Mais de duas décadas depois, essa relação permanece como um dos principais diferenciais do evento.

Foto: Acervo

Um festival para percorrer Olinda

Para quem visita a cidade durante o MIMO, a experiência não termina quando o show acaba. Ao contrário: deslocar-se entre uma atração e outra significa atravessar algumas das paisagens mais características de Olinda.

A programação se espalha por espaços como Praça do Carmo, Igreja do Carmo, Mosteiro de São Bento, Igreja de São Pedro, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC) e Teatro Fernando Santa Cruz, no Mercado Eufrásio Barbosa.

O resultado é um roteiro no qual patrimônio histórico e programação cultural se misturam.

É possível assistir a um concerto dentro de uma igreja centenária, caminhar pelas ladeiras e encontrar manifestações da cultura popular, visitar um ateliê, parar para experimentar a gastronomia pernambucana e seguir para uma apresentação de um artista internacional.

“O MIMO convida o público a ver Olinda de outra maneira. É possível ouvir música ao lado de anjos em uma igreja centenária, atravessar uma ladeira e encontrar um maracatu, entrar em um museu, descobrir um ateliê, provar a culinária local e, pouco depois, estar diante de um artista que veio de outro lado do mundo”, resume Lu Araújo.

Segundo a idealizadora, essa combinação traduz tanto a identidade da cidade quanto a essência do próprio festival.

Patrimônio histórico vira palco

Nesta edição, o MIMO também ocupará espaços históricos recentemente restaurados, como o Mosteiro de São Bento, a Igreja de São Pedro e o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco.

O MAC funciona em um edifício do século XVIII que já abrigou uma prisão eclesiástica, o antigo Aljube. Fundado em 1966, o museu reúne atualmente um acervo de mais de 4 mil obras.

Já o Mosteiro de São Bento, fundado em 1597, é um dos símbolos do barroco brasileiro e será cenário não apenas para a música.

O pátio de entrada receberá sessões de cinema ao ar livre, transformando o conjunto histórico em uma sala de exibição sob o céu de Olinda.

Cinema também entra no roteiro

O Festival MIMO Petrobras de Cinema integra a programação com sessões gratuitas e títulos que, em sua maioria, ainda não foram exibidos comercialmente em Pernambuco.

Entre os filmes confirmados estão “As Travessias de Letieres Leite” (2025), de Íris de Oliveira e Day Sena; “Apocalipse Segundo Baby” (2026), de Rafael Saar; e “Vou Tirar Você Desse Lugar” (2025), de Dandara Ferreira.

Além do Mosteiro de São Bento, haverá sessões no Teatro Fernando Santa Cruz, localizado no Mercado Eufrásio Barbosa.

O próprio prédio ajuda a contar a história da cidade. Construído entre os séculos XVII e XVIII, o espaço já abrigou a primeira Casa da Alfândega de Pernambuco, uma fábrica de doces e um mercado público. Hoje funciona como centro cultural e turístico.

MIMO também pode ser ponto de partida para conhecer Pernambuco

Foto: Acervo

Para o viajante, os três dias de festival podem facilmente se transformar em uma estadia mais longa.

Olinda está a apenas sete quilômetros do Recife e reúne uma rede de hotéis e pousadas integrada ao casario histórico. Entre as opções estão Hotel 7 Colinas, Pousada do Amparo, Pousada dos Quatro Cantos e Pousada São Pedro.

A gastronomia também entra no roteiro. Endereços como Oficina do Sabor, Don Francesco Trattoria, Tasca Ibérica e Bar do Ró estão entre as opções indicadas para quem pretende circular pelo Sítio Histórico durante o evento.

Além disso, a proximidade com Recife e com outros destinos do litoral pernambucano permite combinar o festival com alguns dias extras de viagem.

Para quem desembarca no Aeroporto Internacional do Recife, o deslocamento de carro até Olinda leva aproximadamente de 30 a 50 minutos, dependendo do trânsito. A partir da rodoviária, o trajeto dura, em média, uma hora.

E há uma recomendação importante: sapatos confortáveis. Afinal, em uma cidade de ladeiras, mirantes e atrações espalhadas pelo centro histórico, parte da experiência está justamente em caminhar.

Serviço

MIMO Festival – Olinda 2026
Quando: 25, 26 e 27 de setembro
Programação: gratuita
Locais: Igreja do Carmo, Mosteiro de São Bento, Igreja de São Pedro, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), Praça do Carmo e Teatro Fernando Santa Cruz, no Mercado Eufrásio Barbosa.