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A PAX Aeroportos assumiu, na última sexta-feira (1), a administração do Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. No último dia 15, a empresa também assumiu a operação e administração do Campo de Marte, em São Paulo. Os dois aeroportos têm vocação regional, mas algumas diferenças.

Localizado na Barra da Tijuca, Jacarepaguá é o aeroporto mais movimentado da concessionária, com mais de 90 mil voos por ano.  O maior fluxo fica por conta das operações offshore, com um intenso tráfego de helicópteros indo e voltando das plataformas de petróleo situadas em frente ao litoral do Rio. Já o Campo de Marte tem sua utilização voltada para a operação de helicópteros urbanos.

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Rogério Prado é o CEO da PAX Aeroportos – Foto: Divulgação

O Portal Turisnews conversou com o CEO da empresa, Rogério Prado. Em entrevista exclusiva, ele falou sobre os investimentos a serem realizados nos dois terminais e os próximos passos da companhia. Confira a entrevista:

Turisnews: Qual é o projeto da PAX Aeroportos ao assumir os aeroportos de Jacarepaguá e Campo de Marte?

RP: Os dois aeroportos fizeram parte da 7ª rodada de concessões do Governo Federal. Naquele momento, a XP Asset viu a oportunidade e fez a oferta, que foi vencedora. Foi uma oportunidade de entrar no mercado de aeroportos, com dois ativos executivos, uma visão estratégica de entrar no mercado de aeroportos de uma maneira mais direta, operando dois ativos pequenos.

Turisnews: A XP Asset e a PAX Aeroportos têm perspectivas de se aprofundar neste mercado?

RP: Eu não respondo pela estratégia da XP Asset, mas estamos começando agora a nossa pequena historinha e essa pode ser uma porta de entrada. Nada impede de, se for uma empreitada de sucesso, outras oportunidades apareçam.

Turisnews: Como está o cronograma de investimentos do Aeroporto de Jacarepaguá?

RP: No curtíssimo prazo, temos um plano de ações imediatas, que é deixar o aeroporto em condição mínima adequada de funcionamento. Estamos fazendo uma limpeza completa no terminal e trocando todo o sistema de iluminação. São coisas simples que não eram feitas: iluminação, limpeza, poda de árvores. Em seguida, vamos fazer uma reforma no terminal de passageiros. A antiga administradora (Infraero) ocupava parte do terminal com uma área administrativa. Nós estamos aqui provisoriamente, vamos nos deslocar para um outro edifício, para termos espaço para aumentar o saguão e fazer um aumento de área interna, o que vai dar mais conforto para os passageiros. As melhorias são estéticas, mas dão mais conforto aos nossos usuários: troca de piso, de forro, melhorias nos banheiros, enfim, um retrofit geral, enquanto a gente nos planeja para os grandes investimentos.

Turisnews: E quais são esses investimentos?

RP: Esses contratos de aeroportos têm uma fase de 3 anos, que compreendem os investimentos obrigatórios. Por exemplo, vamos prover esse aeroporto de instrumento de não-precisão (para aproximação por instrumentos). A gente tem que homologar esse aeroporto para um certo tipo de categoria de aeronave, para uma operação por instrumentos. Hoje, operamos por condições visuais. Quando chove, fecha. A ideia é dar essas condições, que são adequações no sistema de pista, implantação de áreas de segurança no final de pista, eventualmente equipamentos de aproximação-não precisão. Hoje, já tem um equipamento, mas precisamos instalar algo mais adequado.

Turisnews: Além desses, algum outro investimento neste médio prazo?

RP: Estamos estudando um plano estratégico de 30 anos, olhando todas as possibilidades. Queremos fazer uma melhoria no terminal, para dar um conforto inicial, enquanto a gente pensa em como crescer o terminal, ou eventualmente, como fazer um novo terminal. Estamos estudando qual é a melhor alternativa. Junto com isso, vem oferta de serviços: mais lojas, um novo setor de alimentação… vamos saber o que cabe, de acordo com o número de passageiros. A ideia não é só melhorar a capacidade física, mas a oferta de serviços para os usuários.

Turisnews: Você pretende implantar mais voos regionais em Jacarepaguá?

RP: Hoje, pelo menos na minha visão pessoal, a aviação regional depende muito menos do aeroporto e mais de ter operadores dispostos. Temos poucas empresas que investem nesse setor e a Azul Conecta é uma delas. Claro que a gente vê com muito bons olhos uma ampliação da operação da Azul Conecta, principalmente ligando Jacarepaguá à Região dos Lagos, Juiz de Fora e outras rotas pequenas e sazonais. Mas isso depende de conversas.

Turisnews: Vocês vão buscar essas conversas?

RP: Nós já conversamos com a Azul Conecta, já nos apresentamos e queremos entender o plano deles para o nosso aeroporto. Estamos falando também com outras empresas, até já tivemos algumas conversas preliminares, para entender a necessidade e o potencial. Não adianta eu fazer uma estrutura gigantesca, se não tenho interessados. É uma via de mão dupla. É claro que, quando a gente melhora a infraestrutura, já tem um primeiro argumento. A partir daí, temos que ser proativos e buscar essas parcerias. Esse desenvolvimento de rotas é um trabalho constante. A gente entende a demanda, a operação, vê um nicho e começa a bater nas portas. É um trabalho cíclico, mas é contínuo. A empresa aérea também faz esse trabalho, mas está olhando para o Brasil e o mundo e, eventualmente, pode não estar olhando para cá e meu papel é esse, de me mostrar para o mercado.

Turisnews: O que você pensa para o futuro do Aeroporto de Jacarepaguá?

RP: Podemos dizer que o Aeroporto de Jacarepaguá está se preparando para poder comportar algumas rotas regionais. E a questão da pista, estamos estudando melhorias. Planos, nós temos muitos.

Turisnews: O entrave é a vizinhança…

RP: Isso também faz parte dos nossos planos: uma interação com a comunidade, no sentido de diminuir o impacto. Isso sempre acontece em qualquer aeroporto urbano, como é esse. Faz parte do nosso planejamento. Estamos exatamente nessa fase de planejamentos e estudos, para ver o que é possível ser feito.

Turisnews: Quais são as principais diferenças da operação do Campo de Marte?

RP: Campo de Marte não tem tráfego offshore. É um aeroporto de aviação geral executiva. O que diferencia é que temos uma operação de helicópteros muito grande, mas na categoria executiva urbana. Também temos uma operação grande da Policia Militar, a base do comando aéreo da PM de São Paulo é no Campo de Marte e isso gera um ecossistema. Em Jacarepaguá, tem a operação Azul Conecta, que não tem no Campo de Marte. Eventualmente, posso ter, com pequenas adequações. Estamos entrando, fazendo nossos estudos de demanda e entendendo o mercado. Estamos começando esse caminho. Uma concessão não é uma corrida, é uma maratona. E estamos bem no comecinho.

Turisnews: Quais são os investimentos a serem realizados no Campo de Marte

RP: De uma maneira geral, são parecidos, mas lá eu não tenho a necessidade de terminal de passageiros. A diferença é a situação das pistas. Aqui, apesar da pista ser um pouco menor, tenho uma situação geométrica, que não demandam tanto investimento. Em Campo de Marte, para essa adequação de não-precisão, preciso fazer uma nova pista de taxi para IFR não precisão categoria 2B. Aqui, a pista já foi projetada assim. É um investimento grande. Lá é mais pista, aqui é mais gente. Mas, o pacote inicial está na mesma categoria.

Turisnews: Qual é a sua visão sobre o eVTOL?

RP: O eVTOL é uma tecnologia na qual o mundo está investindo bilhões. São diversos players, startups, estão criando seus produtos. É uma tecnologia elétrica para transporte. O eVTOL vai atender, principalmente, o nicho da mobilidade urbana. Alguns poucos equipamentos vão voar entre cidades. Acho que, pelo menos em um primeiro momento, é mais para o Campo de Marte do que Jacarepaguá. Em termos de planejamento e futuro, os dois aeroportos vão ter essa operação. Eu preciso pensar hoje, para que isso aconteça daqui a dois anos. Eu acho que deve começar em São Paulo, até pela característica urbana. Mas, acho que, começando lá, na sequencia vem para cá.