A arte ocupa um lugar de protagonismo na CASACOR São Paulo 2026. Mais do que complementar a arquitetura ou conferir identidade aos ambientes, pinturas, esculturas, fotografias, instalações e intervenções artísticas participam ativamente da construção das narrativas propostas pelos profissionais, ampliando a experiência do visitante e estabelecendo novas camadas de leitura para o tema da edição, “Mente e Coração”.
A importância da arte nesta edição também se reflete na campanha institucional da CASACOR São Paulo 2026. Obras exclusivas foram comissionadas para a campanha institucional, que passam a integrar o acervo do Instituto CASACOR, iniciativa criada para ampliar a atuação cultural, social e ambiental da marca.
“O tema ‘Mente e Coração’ nos convidou a olhar para a casa como um lugar de memória, pertencimento e expressão das nossas histórias. Esse conceito também se materializa no comissionamento inédito de obras desenvolvidas especialmente para esta edição, que passam a integrar o acervo do Instituto CASACOR. É a primeira vez que a mostra constitui uma coleção própria, fortalecendo nosso compromisso com a valorização da arte contemporânea e ampliando o legado cultural da CASACOR”, destaca Rodrigo Avelar, Gerente de Marketing e Projetos Culturais da CASACOR São Paulo.
A curadoria ficou a cargo do artista Fepe Camargo, responsável por selecionar três artistas brasileiros cujas pesquisas dialogam com os conceitos da mostra.
“A ideia era reunir diferentes linguagens e histórias em uma campanha que representasse não apenas o conceito da edição, mas também elementos presentes na casa latino-americana, como a cerâmica, os objetos, a arquitetura tradicional e as cores. A curadoria aconteceu da mesma forma como construo meu próprio trabalho: pensei em referências, busquei vivências e inspirações e fui formando uma imagem do que ‘Mente e Coração’ poderia representar. No fim, as obras falam sobre a casa como uma galeria individual que guarda coleções de afeto, memória, lembranças e herança”, afirma Fepe Camargo.
Entre os artistas convidados para inaugurar o acervo do Instituto CASACOR está Carol Ambrósio, que desenvolveu uma obra em pequena escala a partir de assemblages e esculturas construídas com objetos antigos e utensílios cotidianos. Sua pesquisa ressignifica elementos ligados ao universo doméstico para discutir memória, fragilidade, impermanência e os papéis de gênero, propondo uma reflexão sobre a presença feminina na construção dos espaços e das histórias que eles guardam.
O pernambucano Jorge Souza apresenta um totem modular com mais de dois metros de altura, inspirado na tradição da azulejaria e da cerâmica. Formado em Arquitetura e Urbanismo, o artista combina referências da arquitetura colonial nordestina com uma linguagem contemporânea, reunindo imagens de guerreiros, anjos, animais e objetos cotidianos em uma obra que investiga o desejo, a identidade e o papel do indivíduo na sociedade.
Já o cearense Charles Lessa, natural do Cariri, leva para a campanha uma pintura inspirada na série Anjas (2025), em que articula referências da cultura popular nordestina, do imaginário religioso e da arte contemporânea. A obra propõe uma reflexão sobre acolhimento, espiritualidade e pertencimento, ao apresentar figuras celestiais como símbolos de proteção e redenção para a comunidade LGBTQIA+, estabelecendo um diálogo direto com o convite da mostra para olhar para as dimensões mais íntimas do “Mente e Coração”.
Grandes nomes da arte brasileira e latino-americana aparecem em diferentes pontos da mostra. O estudo Trabalhador Agachado, de Candido Portinari, integra o ambiente Casa Coral Celeiro Alvorada, assinado por Nildo José | NJ+ Arquitetos, e reforça o diálogo do projeto com o universo rural brasileiro. Realizado em carvão sobre papel, o trabalho é um estudo para os afrescos do Palácio Gustavo Capanema e aproxima o visitante de uma das pesquisas mais emblemáticas do artista sobre os ciclos econômicos do país.
Em Geometria do Afeto, assinado por Wesley Lemos, a obra Sentinela, de Rodrigo Kupfer, marca o início do percurso expositivo como um símbolo de proteção, força e acolhimento. Produzida em pintura acrílica sobre tapeçaria gobelin, a peça ressignifica um suporte tradicional por meio de uma linguagem contemporânea, combinando signos de fé, cores vibrantes e referências à arte urbana. Ao unir ancestralidade e expressão contemporânea, a obra estabelece um diálogo com o conceito do ambiente e convida o visitante a percorrer o espaço a partir de uma narrativa de afeto, conexão e abertura para novas experiências.
A escultura KuAntico: A Odisséia Continua. Navedante, de Ernesto Neto, aprofunda o conceito da Casa MAGMA, da SUITE para a Portinari. Executada em cobre, pedra, nylon e chumbo, a obra dialoga com a ideia de matéria em estado latente, explorando tensões entre peso, contenção e leveza.
O modernismo brasileiro também aparece no Loft Milanese, de Tulio Xenofonte Arquitetos, com a tapeçaria Sonhos de Carnaval, de Di Cavalcanti. Posicionada sobre o bar-lareira, a obra aproxima arte, cor e memória cultural da atmosfera sofisticada do projeto.
A fotografia Ainda Temos Desejo #1, de Marilá Dardot, acrescenta uma camada social ao Living Origens, do Atelier Navarro Arquitetura. Ao registrar as mãos de trabalhadores da construção civil acompanhadas de relatos sobre seus desejos, a obra destaca aqueles que tornam possível a realização da mostra, mas que muitas vezes permanecem invisíveis após a abertura dos espaços.
A ancestralidade orienta a escolha de Peixes, de Giulia Bianchi, no Living Ritmo Vital, da MAAI Arquitetura Integrada. A pintura em óleo sobre tela evoca ciclos naturais, subsistência e saberes ancestrais, inserindo-se no trecho do ambiente dedicado à desaceleração e à reconexão.
A relação entre arte, matéria e processo aparece com força na Casa da Marcenaria Brasileira | Duratex, de João Panaggio, com curadoria de arte de Lurdinha Piquet. A instalação de Laura Vinci utiliza fluxos contínuos de pó de mármore para refletir sobre a passagem do tempo, transformação e impermanência da matéria.
Criada especialmente para a Casa Brastemp, de Marcelo Salum, a obra Quando a alma prende fogo e passa os limites, de Cássia Aresta, traduz a vitalidade do ambiente por meio de uma geometria mais orgânica, marcada pela presença de círculos e formas fluidas.
A memória afetiva aparece no Arquivo Vivo, de Felipe Saurin, por meio de uma obra de Antonio Maia. Recebida como presente da mãe do arquiteto quando foi morar sozinho, a pintura incorpora ao ambiente uma dimensão íntima, reforçando a ideia da casa como arquivo de lembranças pessoais.
Na Casa Simonetto – Tributo a Janete Costa, de Gabriel Fernandes, os entalhes em madeira executados por Rondinelly Santos, o Nelinho, transformam as gavetas da estante principal em suporte artístico. A intervenção valoriza uma técnica artesanal transmitida entre gerações e incorpora o fazer manual à própria arquitetura do ambiente.
O Banheiro Galeria, de Carlos Navero, apresenta a escultura Sexy, de Sônia Menna Barreto, em bronze polido com pátina. Escolhida para compor a proposta expositiva do espaço, a obra reforça a ideia de transformar o banheiro em uma galeria de arte em pequena escala.














