A Atrio avança em seu plano de expansão com a meta de superar 150 hotéis até 2030. Em entrevista ao TurisNews durante a ABAV Expo 2026, Beto Caputo, CEO e cofundador da companhia, afirmou que o grupo mantém uma estratégia de crescimento que combina hotelaria corporativa, empreendimentos de lazer, smart hotels e conversões de propriedades independentes.
Segundo Caputo, o ecossistema da Atrio reúne atualmente cerca de 110 propriedades em operação. Somente em 2026, foram assinados 17 contratos, representando mais de 2 mil novos quartos. Para o próximo ano, a expectativa é fechar outros 20 contratos.
“Temos um plano muito claro de chegar a 2030 com mais de 150 hotéis. É um plano muito agressivo de crescimento”, afirmou.
Copacabana e Serra Catarinense entre as novidades
A participação na ABAV ocorre em um momento de mudanças para a Atrio, que recentemente apresentou um novo posicionamento de marca e ampliou sua atuação como um ecossistema de soluções em hospitalidade.
Entre as novidades apresentadas por Caputo está a expansão no Rio de Janeiro. A companhia inaugurou, em 17 de agosto, o Aēra Copacabana, primeiro empreendimento de marca própria no bairro, e assumiu recentemente a gestão do ibis Copacabana Posto 5.
Com as novas operações, a Atrio passa a reunir cinco empreendimentos na cidade do Rio de Janeiro. Segundo o executivo, a companhia já busca novas oportunidades na capital fluminense.
Outro destaque é o Monticce, inaugurado em setembro em Rancho Queimado, na Serra Catarinense. Integrante da Atrio Collection e direcionado ao segmento de lazer de alto padrão, o empreendimento conta com 69 suítes e campo de golfe.
Para Caputo, produtos com forte vocação para o lazer ganham importância também no relacionamento da companhia com agentes de viagens.
Tecnologia muda a jornada do hóspede
Além da expansão, a transformação do comportamento do consumidor está entre os temas que movimentam a estratégia da Atrio. Na avaliação de Caputo, o hóspede se tornou mais tecnológico, imediatista e menos disposto a percorrer diversas etapas até concluir uma reserva.
Essa mudança vai além da utilização das redes sociais. O executivo aponta para uma jornada cada vez mais integrada, na qual tecnologia, entretenimento, transporte e hospedagem podem aparecer conectados no momento em que o consumidor toma uma decisão.
Como exemplo, Caputo cita um viajante que compra um ingresso para um evento no Maracanã e, na sequência, pode receber opções de hotéis, transporte e outros serviços relacionados à viagem.
Para ele, a transformação exige adaptação de todo o trade turístico, das agências de viagens aos meios de hospedagem, principalmente na forma de conversar com esse novo consumidor.
Lazer, smart hotels e conversões no radar
O crescimento do turismo de lazer aparece como uma das principais oportunidades identificadas pela Atrio para os próximos anos. Caputo também destaca o desempenho do turismo internacional no Brasil e acredita que o país ainda dispõe de espaço significativo para ampliar esse mercado.
Ao mesmo tempo, a companhia pretende continuar desenvolvendo modelos de smart hotels e buscar oportunidades de conversão de empreendimentos atualmente administrados de maneira independente ou familiar.
“Conversões de hotéis que hoje têm gestão familiar e precisam de uma operadora com escala para trazer isso como benefício para a operação são importantes para nós”, explicou.
A estratégia, no entanto, não significa abandonar a origem corporativa da Atrio. Segundo Caputo, hotéis econômicos e operações com marcas internacionais continuam fazendo parte do DNA da companhia, enquanto lazer, resorts e modelos de hospedagem apoiados em tecnologia passam a ganhar mais espaço no portfólio.
A combinação dessas diferentes frentes deverá sustentar o próximo ciclo de expansão da empresa e a meta de ultrapassar a marca de 150 hotéis até o fim da década.
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