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A região Norte apresentou deflação de -2,9% no preço das passagens de ônibus no mês de setembro ante agosto, registrando o único recuo regional do país no período. Sobre as demais regiões, o Sudeste liderou a variação mensal (3,2%), seguido do Sul (2,3%), Centro-Oeste (1,6%) e Nordeste (0,7%). É o que aponta a nova edição do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), calculada em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado foi impulsionado pelas quedas registradas em Rondônia (-3,8%, a segunda maior do Brasil) e no Pará (-3,4%, terceira maior queda). Com esse movimento de retração mensal, o transporte rodoviário no Norte manteve variação acumulada de apenas 2,7% nos últimos 12 meses, fechando o período abaixo da inflação geral (4,6%) e da média nacional das passagens de ônibus (8,7%).

A deflação registrada no Norte reforça o modal rodoviário como a opção que mais preserva o bolso do viajante frente ao encarecimento do transporte aéreo. No acumulado dos últimos 12 meses (setembro de 2026 frente a setembro de 2025), as passagens aéreas dispararam 42,5% , ou seja, a variação percentual das passagens do setor aéreo foi quase cinco vezes maior do que a do rodoviário no mesmo período. Na prática, a passagem aérea ficou mais cara do que a rodoviária.

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O contraste nacional entre os modais não é um fenômeno pontual de um único mês; ele se repete em todas as janelas de comparação disponíveis no índice. Na série histórica completa, iniciada em dezembro de 2017, o IRCB acumula alta de 65,3%, ainda distante dos 92,4% de avanço das passagens aéreas no mesmo intervalo, com base no IPCA.

Interestadual x intermunicipal

O monitoramento da ClickBus e da Fipe aponta que cruzar as fronteiras estaduais demandou um ajuste maior do passageiro. O segmento interestadual puxou a alta consolidada do mês de setembro, com variação de 4,9%, ficando à frente do transporte intermunicipal, que variou 1,2%. O mesmo padrão se repete na comparação anual (set/26 x set/25), onde o acumulado do período é de +6,4% no interestadual contra +5,6% no intermunicipal.

Preço do conforto sobe em ritmos diferentes

Entre as classes de serviço oferecidas pelas empresas de ônibus, quem viajou na categoria Semi-leito sentiu o maior impacto no bolso em setembro de 2026, liderando as altas mensais (6,7%). O comportamento das tarifas nas demais classes de serviço no mês de setembro se configurou da seguinte forma: Cama (3,1%), Executivo (1,9%), Convencional (1,4%) e Leito (1,2%). No balanço dos últimos 12 meses, a liderança de aumentos seguiu com a classe Semi-leito (15,3%), seguida por Cama (11,4%), Convencional (8,5%), Leito (6,9%) e Executivo (6,8%).

Curta distância na liderança dos preços

As viagens de curta e longa distância empataram na maior alta do mês de setembro, ambas com variação de 2,7%. Em seguida vêm média-longa distância (1,9%), média-curta (1,6%) e média distância (1,4%). No acumulado do ano (janeiro a setembro), as viagens de curta distância sustentam a maior alta consolidada entre as faixas de distância (10,1%).

Aumento do diesel não chegou integralmente à passagem

Um outro dado ajuda a contextualizar a moderação do IRCB: o preço do óleo diesel subiu 14,4% no acumulado de 12 meses (setembro/26 vs. setembro/25), enquanto o IRCB nacional avançou 8,7% na mesma base comparativa. A diferença sugere que parte da pressão de custos não tem sido integralmente transferida para o preço da passagem.

Retrato de setembro: pequena recomposição depois da pausa

Na leitura mais recente, o IRCB nacional subiu 2,0% em setembro ante agosto, recompondo parte do recuo registrado no mês anterior (-1,1%). Entre agosto e setembro de 2026, os preços das passagens interestaduais avançaram 4,9%, enquanto o intermunicipal apresentou alta mais moderada, de 1,2%.

Números em detalhe

As variações abaixo referem-se à série sem ajuste sazonal.

Por tipo de viagem

ClasseSetembro/2026 (mês x mês anterior)Acumulado 12 Meses (set/26 x set/25)
Nacional (IRCB)+2,0%+8,7%
Semi-leito+6,7%+15,3%
Cama+3,1%+11,4%
Executivo+1,9%+6,8%
Convencional+1,4%+8,5%
Leito+1,2%+6,9%

Por distância percorrida

Faixa de distânciaSetembro/2026 (mês x mês anterior)Acumulado 12 Meses (set/26 x set/25)
Nacional (IRCB)+2,0%+8,7%
Curta (até 100 km)+2,7%+11,9%
Longa (acima de 400 km)+2,7%+10,4%
Média-longa (300–400 km)+1,9%+9,0%
Média-curta (100–200 km)+1,6%+7,2%
Média (200–300 km)+1,4%+6,7%

Por região geográfica

RegiãoSetembro/2026 (mês x mês anterior)Acumulado 12 Meses (set/26 x set/25)
Nacional (IRCB)+2,0%+8,7%
Sudeste+3,2%+11,0%
Sul+2,3%+8,8%
Centro-Oeste+1,6%+8,8%
Nordeste+0,7%+5,5%
Norte-2,9%+1,5%

Aberturas

IndicadorSetembro/2026 (mês x mês anterior)Acumulado 12 Meses (set/26 x set/25)
IRCB (passagem de ônibus)+2,0%+8,7%
IPCA — Passagens aéreas+9,7%+42,5%
IPCA — Diesel (insumo)+1,7%+14,4%
IPCA — Índice geral+0,8%+4,6%
IGP-M — Índice geral+1,6%+3,3%