Discussão sobre o fim da escala 6x1 avança no Congresso Nacional e mobiliza empresas de turismo e hotelaria diante das possíveis mudanças na jornada de trabalho - Foto: Agência Brasil

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (14), coloca o setor de turismo diante de um novo desafio: reorganizar as jornadas de trabalho sem comprometer a qualidade dos serviços e a competitividade. A mudança é especialmente significativa para hotéis, restaurantes e empresas que operam sete dias por semana e já enfrentam dificuldades para contratar profissionais.

A PEC estabelece a substituição da escala 6×1 pela 5×2, com dois dias de descanso remunerado e redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. O texto segue para promulgação, e a implementação ocorrerá em etapas ao longo de 14 meses.

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Hotelaria prevê aumento de custos

Com 108 propriedades administradas em 18 estados, a Atrio Hotel Management já vinha estudando alternativas à escala 6×1 e iniciou projetos-piloto em dois empreendimentos.

“Essa era uma decisão esperada e que, sem dúvida, traz impactos para o setor. Afinal, a hotelaria, como atividade essencialmente prestadora de serviços, depende de pessoas”, afirma Paulo Melega, vice-presidente da empresa.

Segundo o executivo, a necessidade de ampliar equipes para cobrir as folgas deverá pressionar os custos operacionais, principalmente no curto prazo. A expectativa é que investimentos em tecnologia e produtividade ajudem a amenizar esses efeitos ao longo do tempo.

Danila Bernardi, sócia-diretora da área de BPO Financeiro da Athros Auditoria e Consultoria, também alerta para os reflexos financeiros. “A redução da jornada sem diminuição salarial pode exigir novas contratações e elevar o custo da folha. Dependendo da atividade e das margens do negócio, parte desses custos poderá ser repassada aos preços”, explica.

Hotel reduz rotatividade após adotar escala 5×2

Uma experiência em São Paulo mostra que a mudança também pode trazer benefícios. O TRYP by Wyndham São Paulo Paraíso, com 263 apartamentos, adotou a escala 5×2 em fevereiro de 2024, contemplando atualmente 49 colaboradores.

<text color=”default”>Desde a implantação, o índice anual de turnover caiu de 6% para 2,5%, uma redução de aproximadamente 58%. Em contrapartida, a folha de pagamento registrou aumento de cerca de 10%.</text>

Segundo a administração, a mudança contribuiu para melhorar a retenção de profissionais e os indicadores de satisfação dos hóspedes, demonstrando que o impacto financeiro pode ser acompanhado de ganhos na qualidade do atendimento.

Empresas de turismo já se adaptam

No Grupo Schultz, a escala 5×2 já é adotada pela maioria dos colaboradores, com exceção das equipes que participam do rodízio de plantões de vendas aos sábados.

“Nosso time jurídico está finalizando um plano de ação que orientará os próximos passos, mas o fato é que acreditamos que a mudança seja positiva para os colaboradores e para a empresa”, afirma Ana Santana, diretora-geral do grupo.

Para o turismo brasileiro, o fim da escala 6×1 abre uma nova etapa na gestão de pessoas. O desafio será conciliar os custos da reorganização operacional com a valorização dos profissionais, especialmente em um setor no qual a qualidade do atendimento depende diretamente das equipes.